quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sem moderação

Sempre quando meus professores de inglês me perguntam coisas do tipo: “what is your hobby?” ou “what do you like to do?” (e eles SEMPRE perguntam), a resposta é sempre a mesma, mas não por falta de vocabulário ou por ser a resposta mais comum e fácil, mas sim por ser a mais pura verdade: “listen to music”.
É mais do que um vício, é essencial para eu ter um bom dia, mesmo me deixando surdo. Ouvir música é opção em todas as situações, sejam as piores brigas ou os melhores beijos, quase sempre esses momentos acabam se eternizando por uma letra coincidente ou por uma música que acaba ficando na memória como a “música daquele dia”. E mesmo que não sirva pra marcar absolutamente nada em nossas vidas, só o fato de ouvir um som maneiro já satisfaz, nem que seja apenas por aqueles minutos de audição. Eu, por exemplo, não consigo ir pra faculdade sem meu bendito-maldito fone de ouvido, sem medo de ser feliz... Nem de ser assaltado.
O prazer de poder viajar em uma boa melodia e se encontrar nas letras – não necessariamente ao mesmo tempo – é único, independente de qual seja o seu gosto. Aliás, aí se encontra um grande problema. Como esse é um assunto que não se discute, mas sempre acabamos discutindo, brasileiro não respeita regra mesmo, cada um pode escutar o som que quiser, ele é livre pra decidir, pode ser até buzina de caminhão ou choro de criança. Entretanto, muitos desses cidadãos infelizmente resolvem gostar de algo completamente diferente de você e compartilham esse gosto, o que pra você se torna um martírio. Não que eles façam isso obrigatoriamente de propósito, mas que enche o saco, ah, enche!
A música já passou por tantas fases, foi underground, hoje é mais pop do que nunca, e mesmo assim é parte das vidas de todo mundo. Desde os clássicos, lá atrás, até as modinhas de hoje, que ultrapassam os limites sonoros, vários ícones foram exaltados e muito lixo foi descartado. Outros... Vozes memoráveis, estilos inconfundíveis, sucessos de ouro, platina e diamante que povoa(ra)m as rádios e se tornam atemporais. Não dá pra ouvir Pais e Filhos e não pensar no hoje, nem Cazuza e Paralamas sem pensar no país em que vivemos. Que país é esse? Mudou bastante coisa de vinte anos pra cá. No Brasil e na música. A internet jorra talentos a torto e a direito nas nossas cabeças, as opções são muitas pra pouca memória dos celulares.
Nem vou entrar no mérito das calças coloridas, pois eu acho mesmo discutíveis as letras vazias e o despreparo vocal destes moços. Se alguém curte, é isso que vale. Que curta com respeito e tudo fica bem. Mas eu prefiro continuar por aqui, ouvindo um Lenine, me deleitando com aquilo que gosto. Isso não tem preço. Até porque os downloads são gratuitos.

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