quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Quem sou eu

Quem sou eu? Eu sou um menino ainda longe de estar completo – ninguém é completo nesse mundo – e que busca sempre o lado bom das coisas, os meios bons de se fazer tudo, mas que, como qualquer outro mortal, erra muito. Erra mesmo. E acha bom. Bom porque é errando que se aprende de fato, isso não é só mais uma frase feita, funciona. Porém eu sou alguém que acerto também, claro! Pelo menos eu prefiro acreditar nisso. Quem sou eu? Eu sou um rapaz contente com a vida que leva. Contente, não conformado. Sou uma pessoa que muitos chamam de “amigo”, mas posso ter ferido muitos outros, eu sou alguém com um coração tão bagunçado quanto a minha cama, com os lençóis trocados com freqüência.
Quem sou eu? Eu sou um belenense que se orgulha do Círio e se envergonha do lixo nas calçadas, eu sou um universitário que ainda crê na educação e, ao mesmo tempo, um fruto de escola pública que sabe que mudanças raramente deixam de ser apenas idéias, mesmo tentando fazer com que deixem de ser. Quem sou eu? Eu sou um geminiano que odeia e critica nos outros um defeito que tem: bipolaridade, o que não significa necessariamente uma dupla personalidade. Eu sou alguém que pode se definir muito bem hoje, mas amanhã nem se reconhecer no espelho.
Quem sou eu? Eu sou um, sou dois, sou mil, e nem sei se isso é bom ou ruim. O que é bom ou ruim? Amar te deixa nas nuvens, mas pode te dar uma bela rasteira. Comer é um prazer dos mais prazerosos, que se transformam em colesteróis e gorduras em questão de minutos. Acertar as dezenas da loteria deve ser ótimo, até aparecerem as dezenas de amigos e parentes que você nunca viu. Talvez eu seja bom, talvez eu seja ruim. Não sei. Na verdade eu não sei de muita coisa.
Quem sou eu? Eu sou o ombro amigo nas horas alegres, o estraga-prazeres nas horas tristes, o gelo que queima, o que ouve e o que fala, talvez mais falando do que ouvindo. Eu sou o recato escondido atrás de muita ironia, a timidez vestida de sarcasmo, a seriedade brincalhona. Eu sou alguém que escreve o que pensa e pensa no que escreve, um menino que ainda não aprendeu a receber elogios pelo que faz, mas sabe bem o que é ser criticado, auto-criticado. Quem sou eu? Um jovem que anda por aí atentamente desatento a tudo e a todos, mesmo que não pareça. Pareço o que sou e o que não sou, mas isso não compete mais a mim. Quem sou eu? Sou uma pessoa que pergunta cada vez mais e responde cada vez menos, cheio de quase certezas e quase respostas.
Quem sou eu? Não sei. E quem é você?

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