quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Metalinguagem



Quem tem o poder da escrita nas mãos é, sem dúvidas, privilegiado, pois é através de textos que armazenamos muitos dos momentos importantes de nossa caminhada, sejam eles os melhores, os piores, os mais complexos ou os mais banais. Além da memória, que pode falhar, é por registros escritos que muitas histórias são contadas e se tornam eternas, encantando, impactando e influenciando gerações. Sejam os grandes clássicos da literatura mundial, como Camões, Castro Alves e Stephen... Dostoiévsky, sejam simples e queridos diários de menininhas ou (oh!) blogs, escrever se torna uma terapia, um escape de tudo o que pode te afligir ou mesmo o alto-falante para as alegrias, palanque para críticas, ou qualquer outra coisa que nos permitamos.

Não, não precisamos ser nenhum Machado de Assis em reconhecimento e fama, mas podemos sim ser Bentinhos ou Capitus da vida real, e criarmos o nosso Dom Casmurro, em qualquer lugar que dê pra escrever. Nem precisamos ser um Monteiro Lobato, e mesmo assim contar como é viver em um Sítio do Pica Pau Amarelo. Apenas precisamos de boas idéias, papel, caneta ou teclado em mãos, e a partir daí, com a faca e o queijo, podemos partir com nossa nave espacial ou no nosso Alazão por aí, viajar mesmo, para onde nossa imaginação nos permitir, e escrever. Escrever tudo o que vier, tudo o que sentir, sem restrições. Escrevendo, muitos medos são revelados e até sanados, muitos desejos reprimidos são revelados, muitos planos se realizam, e não precisamos de permissões nem de passaportes. Somos livres... Mas nem tanto.

Nossa liberdade de expressão é absolutamente constitucional, e não poderia ser de outro jeito, afinal somos seres pensantes, que precisamos expor o que dá nas nossas telhas, porém nosso livre arbítrio não é tão livre assim. Se queremos publicar nossos textos em jornais, revistas, na internet, devemos respeitar alguns termos básicos de conduta, o que, de certa forma, não deixa de ser prudente, mas ao mesmo tempo cerceiam a liberdade que nos é inerente. Por isso o fantasma da censura continua dando seus sustos por aí. Agora, muitos fazem desses espaços apenas meros cadernos virtuais, sem compromissos, apenas com o de proporcionar boas leituras.

Por exemplo, os blogs, que hoje são verdadeiras febres na internet, servem para disseminar o que pensa a juventude cada vez mais criativa e fértil que povoa esse planeta, que por muitas vezes se sente oprimida, em casa, na escola, no trabalho, na sociedade. Alguns servem como confessionários, livros abertos, diários do cotidiano de muita gente. Outros, mais literários, revelam verdadeiros talentos. Há também aqueles que escrevem sobre tudo. Política, futebol, sentimentos, etc e tal.

Se, por acaso, bater vontade de escrever sobre super-heróis, que povoaram a nossa infância, que escrevamos. Caso a inspiração seja uma história do seu passado, voilá. Copa do Mundo? Prato cheio para elogios, críticas, críticas, críticas... Sem falar das mazelas sociais, econômicas, sexuais, enfim, tudo pode ser, ou melhor, tudo é texto, tudo são palavras, e essas palavras ajudam a construir opiniões, reflexões, pontos de vista. Seja para rir ou para chorar, para polemizar ou apenas entreter, a leitura sempre é um programa que vem a calhar, para quem quer ganhar conhecimento, e o conhecimento brota de cada página, de cada site, de cada lápis. Escrever vai muito além de redações cartesianas e pragmáticas do ensino médio. Escrever deveria ser disciplina e, além disso, deveria ser prática de todos, desde pequeninos, porque assim muitos outros Shakespeares e Dantes, que ficam escondidos no absurdo preconceito que insiste em existir, se revelariam. Então, escreva, escreva muito, escreva pra você ou para o mundo, não importa. O que vale mesmo é a vontade de ser mais um privilegiado, com o poder nas mãos.


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