segunda-feira, 6 de setembro de 2010

(In)Dependentes

Que o 7 de setembro não passa de uma desculpa esfarrapada para criarem um feriado, o que no Brasil existe mais do que promessa de político, todos nós sabemos muito bem. O Brasil nunca foi, não é e nunca vai ser independente, não interessa se o grito foi dado no Ipiranga ou no rio Guamá. Mas isso não é algo inadmissível e (mais) revoltante por um motivo: um país, assim como uma pessoa, não é nada sozinho. Resumindo, independência não passa de um papo furado e ideologia barata para enganar os bobos. Bobos, os que acham que se bastam.

Poderia encerrar esse texto aqui, com uma única frase, mas deixarei ela para o final, mesmo sendo mais óbvia do que seria agora.

Alguns podem até pensar que a independência é sim possível, citando vários exemplos do que nós conhecemos como liberdade, emancipação, etc. Morar sozinho é o mais comum. “Agora eu vou me virar sozinho, andar com as próprias pernas!” são as primeiras frases de libertação que vem a nossa cabeça quando largamos a barra da saia da mamãe, e isso realmente deve ser muito bom, a sensação de não dever grandes explicações sobre as noitadas e quem dorme no seu apê, mas daí a se considerar totalmente independente chega a ser exagero. Quem tem empregada sabe muito bem que não rola a liberdade, mesmo que por pura preguiça. Sem falar no carteiro que leva suas contas, no motorista do ônibus que você pega toda manhã ou os policiais nas ruas, pra garantir sua segurança. Ao menos em tese.

No trabalho, pode haver certa autonomia, principalmente se você é chefe, agora independer de seus funcionários e/ou colegas é tão possível quanto a Marina se eleger presidente. E em todas as relações pessoais o contato é fundamental, e esse mesmo contato pode ser o vínculo de dependência entre dois ou mais indivíduos. Um abraço amigo ou um beijo caloroso nunca são demais. Em asilos e hospitais psiquiátricos, por exemplo, o apoio humano é imprescindível para a recuperação dos pacientes, bem como dos presos ou viciados de um centro de reabilitação. Nós dependemos, até mesmo, dos nossos maiores desafetos, o nosso ódio precisa deles para continuar odiando. Nem os solteiros escapam! Pelo menos que não ficam sozinhos nunca. E essas são apenas as dependências físicas.

Estamos no século XXI, a era da modernidade, e eu duvido que dois de vocês consigam passar uma semana sem celular, internet ou televisão sem pensar em suicídio. É mais forte do que imaginamos a ligação entre o homem e a máquina, muitos dependem dela para viver, sobreviver, inclusive. Podem ser ligações profissionais, pessoais e, acreditem, afetivas que prendam os dois de tal maneira que nunca iremos nos desgarrar. Dependemos muito de coisas tão simples, como roupas, uma cama quente, calçados e do dinheiro. Somos reféns de tudo isso, somos tão independentes dessas pequenas grandes coisas quanto o Brasil é independente do resto do planeta.

Lembram daquela frase que eu guardei pro final? De tão óbvia ela parece bem mais estúpida. O SER HUMANO É UM SER SOCIAL, que não consegue viver sem o outro, sem alguém que lhe critique ou elogie, sem seguidores no twitter, sem ninguém pra reparar nele. Criamos afetos ate com pedaços de plástico hoje em dia, imaginem com carne e osso?!

Então, alguém ainda acredita em independência?

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