sábado, 7 de agosto de 2010

Zzzz...



Não foi à toa que, dos sete, este foi o último dos textos, que eu fui empurrando com a barriga, até que eu conseguisse escapar dessa maldita, mas muito gostosa preguiça que não me largava, e nunca anda longe de mim. Se eu sou pecador, grande parte se deve a esse pecadinho tão singelo, tão despretensioso, e que mesmo assim é bastante criticado. Qual é? Se ninguém parasse um minuto pra tirar um cochilo, esse planeta seria um caos, com zumbis espalhados por toda parte, assombrando as criancinhas. Por isso eu sou defensor da preguiça como virtude, não é qualquer um que exerce essa função com tanta maestria.

Olha só, se nós pudéssemos escolher entre passar um dia de inverno em uma cama fofinha e soterrado de cobertores, com café na cama e filminho com pipoca, ou sair pra trabalhar, enfrentando uma cidade chuvosa e nada convidativa, eu conto na mão direita quantos escolheriam sair de casa. Quando chove, é inevitável, nossas camas nos acorrentam, e nem todos fazem força pra se libertarem dela, ô coisa boa! Há outros dias em que nada, mas nada mesmo te convence a viver, e vamos combinar que um cochilinho de nada ou uns cinco minutinhos a mais de sono são completamente inofensivos. Ao menos que esses cinco minutinhos virem mais cinco... e mais cinco...

Quando escrevi sobre a preguiça há um tempo atrás eu disse uma coisa, e hoje eu reafirmo: ser preguiçosinho, tudo bem, é aceitável – por mim, principalmente. A questão é: há limites entre o prazer e a apatia, entre um cochilo e uma parada gigante no tempo. Deixar de crescer por não ter ânimo e disposição, principalmente quando se tem todas as oportunidades ao alcance das mãos é inaceitável, a preguiça não deve nunca se transformar em acomodação, pois daí pra frente a evolução para, as pessoas viram massa, não se posicionam, não agem, e muitas situações se mantém eternamente. Ou pelo menos até que alguém resolva acordar (alfinetada política?!).

Agora, amigos e amigas que estão agora sem nada pra fazer, não chorem ou se desesperem, achando que são feito pedras de tão inúteis, e se realmente forem, poxa vida, o quê importa? A vantagem dos preguiçosos é que eles dificilmente fazem mal a alguém. Na verdade, eles não fazem absolutamente nada por ninguém, muito menos por eles mesmos, apenas cochilam. Se o bonde da vida for passando, quem sabe um dia eles correm atrás... quando resolverem viver um pouquinho.


Nenhum comentário: