terça-feira, 10 de agosto de 2010

Rir de quem?

Segundo as últimas alterações na nossa Lei Eleitoral, os programas humorísticos estão proibidos, sim, PROIBIDOS de fazer qualquer tipo de encenações, sátiras e até mesmo caricaturas referentes a políticos durante o período das eleições na tv. Resumindo, a Justiça tenta, mais uma vez, cercear a liberdade de expressão de veículos populares e cada vez mais formadores de opinião, justamente em um momento onde o grande mote é a democracia. Irônico, já que qualquer ato de censura como este nada tem a ver com os ideais defendidos pela Carta Magna desse país. Uma lei que encobre outras. Ou melhor, tenta.

Estamos vivendo aquelas que já entram pra história como uma as mais chatas eleições dos últimos tempos, pela falta de carisma de todos os candidatos, pela falta de idéias e propostas realmente convincentes e por falta de novidade. Falta tudo nesse processo, inclusive ética e uma boa dose de cara de pau. A cara de pau que foi simplesmente bloqueada, a partir do momento em que quem faz humor não pode mais fazer as pessoas rirem com o que, inevitavelmente, acaba sendo engraçado, por mais que seja na base do “rir pra não chorar”. Como se todas as impressões formadas por cada eleitor fossem destruídas se o seu candidato aparecer em uma sátira do Pânico. Essa lei, além de censurar, põe em xeque a inteligência e a capacidade de cada eleitor de discernir uma brincadeira de algo tão sério como o seu próprio futuro.

Porém, parece que muitos excelentíssimos candidatos fazem questão de não levar as eleições a sério. Será mesmo que a ameaça a um processo eleitoral sem grandes problemas vem mesmo dos programas humorísticos? E o que dizer daqueles candidatos, com os nomes mais absurdos e estratégias de campanha dignamente circenses, que mal sabem ler e, mesmo assim, resolvem disputar a confiança do povo? Esses sim não tem vergonha nenhuma de transformar o horário eleitoral em um verdadeiro picadeiro, onde não sabemos quem são os verdadeiros palhaços. Na boa, atos como esses apenas reforçam a hipocrisia que teima em existir na nossa política, e que dificilmente será extinta.

Além de hipócritas, burros o suficiente para não abrir suas mentes para entender que a televisão deixou há tempos de ser a única ferramenta dissipadora de idéias e opiniões. Tantas redes sociais espalhadas por todos os cantos, em todas as casas, nunca livrarão nenhum político de serem alvo de juízos de quem quer que seja. Muito pelo contrário, são elas que manterão o direito universal da liberdade de expressão, com piadas, anedotas ou simples frases que expressem o que cada eleitor pensa sobre esse ou aquele candidato. Por mais que tentem, não há nenhuma lei capaz de fechar nossas cabeças, nossos olhos nem nossos sorrisos, continuaremos a falar e a pensar, isso ninguém vai conseguir nos tirar. E já que proibiram os humoristas de fazer humor, uma verdadeira palhaçada com os eleitores, fica difícil mesmo saber de quem devemos rir.


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