segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Planos errados - Parte II



O plano era conseguir muito dinheiro e depois matar aquele filho da mãe, e tinha que ser eu, era tarefa minha, a vingança era minha, e até ontem a Julia ainda estava do meu lado. Estava. Quando cheguei ao cativeiro, eu vi ela e o infeliz conversando, e eu fui escutar atrás da porta. Meu Deus, eles estavam tramando me matar e fugir juntos, da maneira mais fria, que canalhas! Ela não podia, não podia. Mas eles ainda se beijaram, e aí eu não suportei mais. Possuído de raiva, eu entrei naquele quarto, porque queria ouvir da boca dela tudo aquilo. A cachorra confessou tudo, que já tinha um caso com ele há um tempo, e que eles sim estavam planejando me trair. Como eu pude confiar tanto, como ela pode me enganar assim? Eu tinha apenas um pingo de coração dentro de mim, e era da Julia. Então, na hora eu apontei a arma pra cabeça daquele cara e atirei, com toda a minha ira, eu tinha que ter acabado com aquilo antes. Mas ela...


Ela se desesperou, e aquilo, aquele choro, foi me tirando ainda mais do sério, era por mim que ela deveria chorar daquele jeito, droga! Foi quando ela levantou e apontou a arma dela pra mim. Que ironia, ela queria me matar, logo ela, a pessoa em que eu mais confiava na vida... ali, comigo na mira, pronta pra meter uma bala no meu peito. Não tinha mais nada pra atingir lá. Então... eu matei. Eu matei a Julia. Talvez por legítima defesa, não tinha o que fazer, antes ela do que eu. Matei. Não tinha mais nada a perder. Hoje eu não me arrependo, acho que fiz a coisa certa, eles mereceram, os dois. O desgraçado me tirou todos que eu amei, morreu tarde. Já a Julia, me traiu, e pagou por isso.

Agora a polícia me achou, acho que em poucos minutos eles chegam por aqui. Não sei quem me denunciou, mas nem importa mais, agora não tenho pra onde fugir. Quem diria, depois de quase ficar milionário, hoje eu termino aqui, em um barraco no meio de um monte de mato, esperando pra ser enjaulado. Não, eu não cresci pra morrer feito um tigre em um zoológico, eu não posso e não vou virar presidiário. Por isso eu escrevo essas palavras, porque são as últimas. As últimas de uma vida que não deu certo, as últimas de um completo fracasso. Só espero que essa última bala não me leve pra perto da Julia, depois de tudo o que aconteceu. Espero que me leve pra perto dos meus pais. Que saudades, mãe! Pai, tô chegando!


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