sábado, 14 de agosto de 2010

Planos errados - Parte I



Matei. Não tive outra escolha. Mas juro, eu não queria, ela era, sempre foi, o amor da minha vida, minha parceira, em tudo. Nós dois crescemos juntos, e eu sempre fui meio gamado nela, era a menina mais bonita da rua, uma princesinha, tão linda... Foi assim que tudo começou. Então fomos ficando mais próximos, mais amigos, e acabamos começando a namorar, e a confiança foi se tornando maior e maior, não podia mais esconder nada dela, e resolvi contar tudo, tudo mesmo. Até o maior objetivo da minha vida.

Minha mãe sempre foi dona de casa, e meu pai trabalhava em uma fábrica de calçados, ganhava o suficiente pra manter a casa, éramos uma família normal, até que um dia um desgraçado apareceu e acabou com tudo. Caramba, era meu aniversário, festão na rua, todo mundo, e aquele filho da mãe avançou com o carro em cima do meu pai. Ele não teve chance. Eu vi o meu pai, um cara trabalhador, honesto, correto, morrer na minha frente... e o motorista nem se preocupou. Claro que não, com aquele carrão importado, ele não tinha nem porque se importar com um bando de pobres. Esse moleque não passou nem uma noite na cadeia, foi liberado, enquanto a minha família desabava. Minha mãe, coitada, teve que arranjar dois empregos, e morreu, cansada de esperar, pela pensão do INSS, e por justiça. Por isso eu sempre busquei essa justiça, nem que fosse com minhas próprias mãos.

A minha vida inteira eu dediquei em me vingar daqueles que mataram o meu pai. O assassino e a família toda, que era a dona da fábrica onde meu pai trabalhava, por ironia desse destino, então era mais fácil pra mim. E a Julia sempre esteve comigo, me ajudando em tudo o que eu fiz, mas não apenas por mim, ela tinha seu motivo: no mesmo acidente, a mãe dela ficou tetraplégica. A raiva dela, somada à minha, era tudo o que nós precisávamos. Então eu planejei tudo, o seqüestro foi arquitetado nos mínimos detalhes, desde a abordagem até o resgate, essa era a melhor maneira de pagar o mal que eles fizeram. E a Julia sempre do meu lado. Quando conseguimos, ah, como foi fácil prender aquele babaca, a emboscada foi perfeita, ficamos com ele por semanas, estava conseguindo a grana, a imprensa toda no caso, vários policiais, e nós dois sempre dando traço nos caras. Mas, um dia eu descobri tudo.

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