terça-feira, 24 de agosto de 2010

Os olhos de quem vê

Nessa madrugada foi realizado mais um Miss Universo, o concurso que reúne todos os anos as mulheres mais bonitas do mundo, para ver quem é a melhor de todas. E tudo isso, todo esse contexto me fez pensar em várias coisinhas, e uma delas foi: o que é, de fato, beleza? Assistindo pela TV eu confesso que muitas das candidatas não se encaixavam nos meus padrões, que podem ser diferentes dos seus, claro, talvez por isso muitos considerem essa eleição injusta, como muitas outras relacionadas à aparência, afinal nada pode ser belo para todos. Agora o que é mais curioso é que existem disputas de quem é o mais bonito ou o mais elegante, sendo que esses são padrões intrinsecamente subjetivos e pessoais, portanto, qualquer unanimidade, nesse caso, pode ser muito burra, como dizia o poeta.

Se eu digo que prefiro uma morena de cabelos lisos e escuros, há gente que venha dizer que não, que mulher mesmo é uma loirona alta e cacheada, outros que digam que uma mulata ninguém supera, mas se esqueceram de uma coisinha: a opinião é minha! Por isso eu considero uma tremenda formalidade sem sentido qualquer tentativa de se eleger a “mais mais”, o “mais gato” ou “a top das tops”. Por exemplo, dois anos atrás eu vi uma mulher espetacularmente linda – Natalia Guimarães – perder o mesmo Miss Universo pra uma japonesinha sem sal. Pra vocês perceberem que até politicagem rola nesses concursos. Eu não preciso babar pela campeã, se eu achei outra menina dez vezes mais linda, eu tenho esse direito, ora essa, a beleza está nos olhos de quem vê. No caso, os meus.

Podemos conhecer várias misses por aí, que admiramos sem passarela, que elegemos sem votar, as musas do cotidiano que sempre estão por perto, e que barram um batalhão de modelos etíopes que aparecem desfilando ossos por aí. Isso é bonito? Pra mim, definitivamente não é. Eu acho que beleza física tem que ser conseqüência de uma rotina saudável, não de esforços sub-humanos pra se alcançar a “gordura zero”. Eu prefiro carne. Mas se você não, tudo bem, fique à vontade.

Outra coisa que eu pensei é intrigante: beleza é fundamental?

Tá bem, não sou nenhum ET que sai procurando mulheres verdes pelas ruas, eu acho que um belo rosto e um corpo certinho fazem diferença, ainda mais quando somos jovens precoces e sem tempo, muitas vezes, de conhecer o conteúdo, a beleza que realmente importa, a beleza interior. As aparências enganam demais, podem causar problemas e quedas monstruosas. Quem se deixa levar apenas por um sorriso de marfim pode se decepcionar com as cáries que ninguém vê. Adianta ser um deus grego por fora e um bandido por dentro? Adianta estar com uma serpente vestida de Cleópatra?

Buscar uma barriguinha sarada e uma pele de pêssego não é proibido, muito pelo contrário, eu também chego a me assustar com tanta vaidade. Isso é saudável quando cuidamos também de nós por dentro, quando corrigimos os valores, retiramos as gordurinhas de caráter e nos aperfeiçoamos como pessoas, porque como apenas rostinhos bonitos não teremos muitas vagas no mundo de hoje. Sim, hoje o que vale é o que se aparenta, o que podemos ver, e dane-se todo o resto, e justamente nesse resto muitas coisas boas vão para o lixo. Quanta superfície, nada de profundo. Mas sim, eu acho que beleza é fundamental, ela pode ser um ótimo meio para se buscar auto-estima, sucesso e alegrias na vida, mas quando ela se torna o fim de tudo, os resultados podem não ser nada bonitos.

 

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