terça-feira, 3 de agosto de 2010

Materiais



Avareza, o desejo excessivo por riquezas, bens materiais, que leva à mesquinharia, à “mão fechada”. Um dos pecados mais chatos e, infelizmente, mais comuns de uns tempos pra cá, desde que passamos a viver em um lugar onde ir às compras é programa freqüente como nunca, e onde as pessoas pouco se importam com quem passa fome na África ou com quem sofre com o frio nas ruas, e sim com os sapatos de três dígitos que irão comprar ou com aquela garrafa de Möet Chandon. O apego súbito e fiel àquilo que cabe nas mãos ou no bolso alcança níveis absurdos, a ponto de nos perguntarmos: o que vale mais? Um amigo ou uma Ferrari? Sua família ou sua cobertura na praia? Sinceramente, nem todos responderiam as primeiras opções.

Desde que o mundo é mundo os avarentos estão espalhados por aí, sempre querendo mais e mais, contanto que gastassem menos e menos, e isso é inerente à raça humana, todos nós somos individualistas, por mais que queiramos negar, e justamente por sermos egoístas por natureza, nós buscamos meios de ter sem perder, o maior lucro com o menor gasto, por mais que muitas vezes esses meios não sejam lá os mais lícitos. Agora, vamos combinar que não há quem nunca tenha acenado com a mão fechada, ao menos uma vez na vida. Pensando sempre no que virá, algumas vezes acabamos esquecendo do que está acontecendo, abrindo mão do presente pra focar no futuro. Muitos velhinhos, que economizaram a vida inteira, nem tiveram a chance de usufruir dos louros do seu trabalho. Sinceramente, do que adianta guardar tanto e não viver? Virar reféns do que conquistamos, pelo medo de perder, que nunca nos deixará ganhar.

O pecado da avareza também é responsável pelo mal do século: o materialismo. Chega a ser espantoso o modo como muita gente se torna escrava daquilo que possuem de matéria, de tal forma que acabam deixando de lado suas vidas sociais, sentimentais e até profissionais. Como será que vive uma menina que não larga seu celular de dois mil reais, mas não namora há anos? Pra qualquer um de nós, seria uma tortura, enquanto para ela isso pode ser algo normal, que não lhe cause nenhuma estranheza. Estranhos. Quem idolatra um carro novo ao invés de procurar um amor, quem não sai de casa por achar que não pode sujar as solas de seus lindos e novos tênis. Estranhos, os que admiram o que tem, sem ao menos saber o que são.

Pecamos, sim, todos nós somos avarentos, o que nos difere é apenas a medida com que isso se manifesta em nós. Buscamos sempre mais, deixamos certas coisas de lado para alcançar outras mais lucrativas, em todos os sentidos. Porém, quando não há a generosidade, o único antídoto contra esse mal, não há como fazer dos bens materiais e das riquezas uma ponte para a felicidade, já que para os Patinhas da vida, esses bens e essas riquezas são a felicidade. Não conseguem admirar a beleza, a cultura, os sentimentos, pois até hoje eles não podem ser convertidas em dinheiro. Azar o deles, que continuam fechando não apenas a mão, mas os olhos para o que tem de bom por aqui, e fechando a cabeça, sem entender que nem sempre as coisas boas são feitas de matéria.


Nenhum comentário: