quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Eleição e circo

Sim, começou tudo de novo. Essa semana começou a veiculação do horário político obrigatório em rádio e TV, o que na teoria seria fundamental pra nós, pobres eleitores, decidirmos em quem votar no dia 3 de outubro. Na teoria. Porque nós todos sabemos que o horário eleitoral nada mais é do que um ringue, onde candidatos fazem de tudo pra se derrubar, enquanto a proposta inicial, que deveria ser a exposição de ideias concretas para melhorar as condições de vida no nosso país, fica de lado, esperando uma trégua na batalha. Às vezes essas campanhas beiram o pastelão gratuito, com candidatos que mal sabem ler o nome, mas mesmo assim resolvem disputar a nossa confiança. Realmente, cada vez mais temos menos pessoas em quem confiar.

É realmente absurdo saber que todos os dias, durante cem longos minutos, você é obrigado a acompanhar tamanho circo, com palhaços de terno e gravata, falando coisas que estão cada vez mais afastadas, nitidamente, de suas personalidades, somente pra conseguir o nosso voto. Alguns esbarram em uma artificialidade irritante, tamanha, que tem vezes em que pensamos que os robôs já existem. E não há marqueteiro nesse mundo capaz de empurrar goela abaixo pessoas sem carisma, e isso hoje é indispensável (tendo em vista que o próximo presidente será antecedido pelo “Líder do século xx” – e não sou eu que digo isso). Mas há sim cara de pau que consiga se (re)eleger, algumas inclusive são históricas.

Por exemplo, todos nós conhecemos um certo ex-presidente, esse mesmo, o galã, que foi limado do Planalto há uns 18 anos atrás. Esse mesmo rapaz conseguiu voltar à Brasília, pela porta da frente, como senador. Senador. Quer dizer que o mesmo povo que mostrou consciência pra tirá-lo, conseguiu jogar tudo pelo ralo ao colocá-lo de volta. Isso em âmbito nacional, sem falar nos figurões espalhados em seus currais eleitorais por aí, por aqui, que sempre arrumam um jeitinho de voltar ao cenário político local, façam o que façam. E é curioso ver como eles se transformam durante os programas na TV, eles viram anjos hipnotizadores, flautistas mágicos, que continuam cativando seus ratinhos. Agora, quem são os ratos?

Bom, já que ele não é muito construtivo, o horário eleitoral pode ser muito divertido. É hilário ver candidatos, ou melhor, projetos de candidatos, fazendo mil e uma estripulias para conseguir se eleger, e as opções são inúmeras, desde roupas espalhafatosas e cabelos estranhos a dancinhas e musiquinhas, ah, os jingles. Os famosos, cheios de rimas fáceis de gravar, pra facilitar na hora do cara-a-cara com a urna. Irritam, é verdade, mas grudam, pra nosso azar, e funcionam.

Resumindo, o horário político virou uma pataquada, que depois só é lembrado no Youtube por vídeos mostrando o quão circenses podem ser alguns elegíveis, ou de polêmicas entre os candidatos, que um dia acabam virando piada. Afinal, é isso que eu, às vezes, acho sobre os processos eleitorais, uma verdadeira piada, feita por quem não deveria, com quem não merecia, ou seja, nós. Proibiram os humoristas de fazer aquilo que os políticos continuam fazendo, que ironia. Será que é necessário mesmo esse espaço dado aos políticos na TV, com tantas outras mídias por aí, que inclusive são mais eficazes? Esse horário funciona? Funcionaria, se servisse pra exposição de idéias pro bem-estar do povo, ora, não é por isso que sempre esperamos?


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