quinta-feira, 12 de agosto de 2010

E agora?

Ter certeza de algo, estar absolutamente convicto de que tudo vai acontecer como você imagina é, sim, algo positivo, obviamente todos nós preferimos saber onde pisamos. Mas nem de longe isso é uma tarefa simples, e para chegarmos à certeza, sempre, sempre temos que passar por ela, a parada obrigatória para todos os nossos objetivos, todas as nossas idéias, todos os nossos planos. A dúvida. Inevitável e necessária, ela praticamente nos obriga a pensar mais, prendendo nossos pés no chão, e pra quem acha que ela só aparece quando não estamos seguros, então ela aparece em todos os momentos, já que nunca estamos totalmente certos de fazer tal coisa e isso não significa insegurança. Eu diria que parece mais precaução.

Todo e qualquer momento de indecisão, por mais simples que pareça, faz grande diferença. Quando uma mulher resolve passar horas pra escolher a melhor roupa, por exemplo, é chato – eufemismo barato – mas pode render bons frutos, vai que aquele último vestido do armário se torna uma lembrança de início de namoro? E que tênis comprar? Um shopping definitivamente não é um lugar muito apropriado para quem odeia não saber o que fazer, cada vitrine é mais bonita do que a outra, é um entra e sai nas mesmas lojas, as opções se cruzando, e algumas vezes acabamos saindo sem levar nada. Há também as mais sérias, que são capazes de mudar destinos, mudar futuros. Ficar ou namorar? Faço o que eu gosto ou o que meus pais querem? Estudar fora ou ficar com a família? Sim ou não?

Os jovens são craques no quesito Interrogação, e eles estão certos, a fase é mesmo a de efervescer as idéias, de receber novas informações, de viver novas experiências, e demora um certo tempo até que eles saibam que caminho seguir, o que de tudo isso eles irão aproveitar dali pra frente, é o chamado amadurecimento, que sem a dúvida não existe. E não é porque crescemos que deixamos de sentir incertezas, inseguranças, elas apenas ganham outras dimensões. Investir na bolsa ou comprar um carro? Ter ou não ter filhos? Se temos, conversar ou simplesmente proibir? O que fazer? E quando recebemos alguma proposta de emprego, daquelas irrecusáveis, e acabamos recusando pela família ou pela distância, tomamos uma decisão importante, mas que faria qualquer um pensar duas, três, mil vezes antes.

Elas podem até determinar o futuro da humanidade. Reduzir as emissões de gases poluentes ou continuar crescendo? Será que existe jeito de crescer sem poluir? Independência ou morte? Ser ou não ser? Não importa, elas nunca vão deixar de aparecer, e se deixarem, nada mais dará certo, pois nós só podemos chegar a algum lugar se, ao menos dentro de nós, existiu uma bifurcação, uma alternativa, que valorizou bastante a nossa escolha. Se ela é certa ou errada, não cabe mais a mim julgar, cabe apenas a quem a fez. A única certeza que trago nesse texto é a de que toda exclamação um dia será, inevitavelmente, uma interrogação.

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