domingo, 11 de julho de 2010

Voltando pra casa




Apita o árbitro, final de jogo em Joanesburgo, termina a Copa do Mundo de 2010!


Depois de 30 dias intensos, onde o futebol correu como nunca nas nossas veias, e o mundo inteiro olhou a África com outros olhos, fica difícil se acostumar com nossas vidas normais. Sim, pois ninguém é normal durante uma Copa, não importa se a sua seleção é finalista ou ficou na primeira fase, se o gol mais bonito foi da Argentina ou se o craque da sua seleção nem fez gols. Tudo é futebol, em todas as conversas, não há no planeta um grupo de amigos que não fale do fiasco italiano, da surpresa chamada Uruguai ou dos – inúmeros – erros dos árbitros, personagens dessa copa. Aliás, fica complicado tentar achar apenas um protagonista desse mundial, foram tantas as figuras que surgiram desde o último 11 de junho em solo africano. Mick Jagger, com um pé gelado, tipicamente londrino? O polvo alemão, que acertou até os fracassos da sua seleção? Quantos profetas nessa copa. Talvez as zebras que fizeram a festa em casa, talvez a temida e imprevisível Jabulani, que pregou lá suas peças em muitos goleiros.

Não apenas por ser a primeira realizada em um solo tão sofrido quanto o africano, que esperou muito tempo pelo reconhecimento merecido que recebe por estar na história do futebol mundial, com uma torcida apaixonada, vibrante, muitas vezes irritante, admito, com tantas vuvuzelas, mas que viveu esses dias, esses anos de preparação, como dignos mestres de cerimônia que arrumaram a casa para receber os milhares de visitantes. Esse mundial foi mais do que a Copa da África do Sul, foi a Copa da África, que mostrou ao planeta os encantos de uma terra que ainda sofre efeitos da segregação, ainda é pobre, ainda é desigual. Entretanto, ao menos enquanto durou, essa Copa aboliu qualquer desigualdade, todos foram um só.

O que lembrar dessa Copa? Sem dúvida, muitas coisas. Desde o primeiro gol, o gol de todos os africanos, até a final inédita, um campeão inédito, nada mais propício para coroar esta Copa. Os estádios sensacionais, as goleadas homéricas, as decepções, polêmicas azuis, festas vermelhas, tristeza verde e amarela, belos gols, outros nem tão belos, as cruciais bobagens da arbitragem, que custaram caro. Nenhum erro que ofusque o brilhantismo de alemães, holandeses, espanhóis, a força sul-americana, a gana de Gana, a honra dos Bafana Bafana. Foi um belo evento, histórico desde antes de começar, mais histórico ainda depois de terminar.

E agora? Agora é com a gente, 2014 vem aí, e será a nossa vez de mostrar que podemos sim realizar a maior Copa do Mundo de todos os tempos, torcida, dinheiro e força de vontade para isso nós temos de sobra, assim como o nosso carisma e nossos sorrisos sempre abertos, apesar de tudo, para recebermos os milhões de apaixonados por esse esporte que une homens e mulheres, jovens e velhos, pretos, brancos, todos numa só paixão, num só objetivo: fazer o melhor. Temos 40 meses para terminar de arrumar o salão, os 12 palcos do mundial, de norte a sul desse continente chamado Brasil, para abraçarmos como o Cristo a todos que participarem dessa festa. 190 milhões já estão a postos, prontos pra matar no peito e na raça essa bola que veio lá da África, de volta pra sua casa, onde é querida como em nenhum outro lugar do mundo. A gente já está esperando.

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