sexta-feira, 2 de julho de 2010

Vírgula



Acabou. Foram quatro anos e um dia desde aquela derrota para uma França inspirada, e hoje, mais uma vez,ficamos pelo caminho. Paramos em uma laranja tática, veloz e, acima de tudo, aguerrida, que não desistiu, mesmo quando o adversário vencia e convencia o mundo de que o sonho do hexa continuaria forte. Nada de Mecânica, e sim cheia de raça. Soube aproveitar o descontrole do nosso melhor jogador, em um lance infeliz do melhor do mundo, partiram pro ataque e triunfaram. Perdemos, e o que quer que possamos falar não irá nos colocar de volta na Copa da África, foi incontestavelmente uma prova de que o jogo só acaba, definitivamente, quando termina.

Difícil não cair nos clichês do futebol nesse momento, agora é seguir em frente pensando no futuro que é nosso, a Copa é nossa, chegaremos em 2014 com a obrigação dobrada. Além de donos da casa, teremos duas eliminações sofridas para vingar, de preferência levantando a taça. É o que sempre se espera de uma seleção que sempre chega como favorita, com o peso de cinco estrelas conquistadas com talento, ginga e beleza, que só o futebol brasileiro tem. Que me desculpem holandeses, franceses e argentinos.

Pouco adianta, na verdade nada adianta reclamarmos mais da convocação do treinador, da sua apatia em campo, da sua postura simplesmente torcedora enquanto o esperado de um técnico de Seleção Brasileira seria uma postura corajosa e ousada, de quem tem o poder que 190 milhões queriam tanto ter: o de mudar, o de mexer no time quando ele não engrenasse. Quem não sentiu uma imensa vontade de ser o Dunga por pelo menos um minuto, o suficiente para corrigir aquilo que nitidamente estava errado?

O que podemos fazer agora, como torcedores, como brasileiros? Acreditar. Vivemos em um país em que muitos outros problemas nos afetam, dia após dia, e nem ligamos para a real importância deles. O que temos que ter é fé, esperança e acreditar, acreditar em um futuro melhor, não somente para o nosso futebol, que continua raçudo. Ora, não é isso que o brasileiro mais sabe fazer? Temos mais quatro anos para trabalhar, mentes, corpos e talentos, quatro anos pra torcer por uma comissão técnica menos omissa, talvez. Quatro anos que passam rápido, a próxima Copa é logo ali, é logo aqui, é nossa. Em 2014 o futebol do mundo vem para cá, e temos capacidade, competência e categoria suficientes para sermos mestres-de-cerimônia de primeira. O sonho do hexa não acabou, esse não foi um ponto final. Foi apenas mais uma vírgula na história – ainda – mais vitoriosa do futebol. Não somos o País do Futebol a toa.

Até 2014!


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