segunda-feira, 19 de julho de 2010

Te contei?



Vocês conhecem a nova namorada do Fulano? E o Beltrano, se separou, sabia? Fofocar é um esporte nacional, saber o que se passa do outro lado do muro, descobrir quem vai casar com quem ou com que roupa alguém foi à festa badalada de outro alguém, nada disso deixa de ser instigante, já que os seres humanos são curiosos por natureza, e pelo simples fato de que nós não somos protagonistas da fofoca, ela se torna ainda melhor. As vidas dos outros sempre são mais interessantes do que as nossas mesmo.

Sempre que pinta uma notícia sobre alguém famoso, muita gente fica de olho, esperando o que vai dar a partir dali, e quando não dá não tem problema, na mesma hora já aparecem outros boatos. O mais interessante é que, dependendo do que e de quem se fala, o público se envolve, mas de tal forma, que é possível às vezes duvidar da inteligência que Deus nos deu. Oh, será mesmo que aquela apresentadora está saindo com o ex? Aquele ator estava tão lindo com a mulher e os filhos passando as férias no Alasca! Incrível como a vida pode ser engraçada, alguns pais conhecem mais os filhos dos outros do que os seus próprios. É, fácil é conhecer o namorado da Sasha, o problema é saber quem é o genro, muitas vezes embaixo do seu nariz, sogrão.

Pra muita gente fofocar é bem mais do que um esporte legal, é profissão. Sim, dá pra se viver das vidas alheias, e dá dinheiro. Além dos vários sites que tratam única e exclusivamente disso – viva a globalização da notícia! – não são poucas as revistas de celebridades com nomes quase iguais – Gente, Chiques, Estrelas, Caras, Bocas, etc. – que trazem o cotidiano das pessoas que sempre despertam a curiosidade das pessoas normais. Revistas que ultrapassaram os limites dos salões de beleza, verdadeiros antros da boataria, onde as clientes são perfeitas repórteres, sem deixar passar a vida de ninguém em branco. Não apenas AS clientes.

Se você pensa que o dom da fofoca é privilégio feminino, errou feio. Não existe mais essa de que só mulher adora fofocar, tudo bem que ainda é majoritariamente e, mais do que isso, culturalmente um passatempo cor-de-rosa, porém muitos garotos já conseguem até ser bons nisso. O que muda pode ser o foco: se elas preferem falar mal das roupas de outras mulheres, eles são mais chegados a comentar sobre os atributos de outras mulheres. E se for pra derrubar, não tem jeito, qualquer um pode destruir reputações, famílias ou vidas sociais, não importa sexo, idade ou quantidade de capas da Caras. Contar segredos da irmã, a traição do vizinho ou as desmunhecadas do patrão, quem quiser usar a seu favor – e contra alguém – pode, ninguém controla essa epidemia.

Eu confesso, também de vez em quando procuro saber quem tá pegando quem, é inerente a nós, quem não gosta de fofoca não é brasileiro. Sim, não somos os únicos, mas somos dos mais linguarudos, craques na arte de futricar. E tem gente que até gosta de ser o bafafá da vez, ora, são adeptos daquela filosofia tão célebre: falem bem, falem mal, mas falem de mim. E nem adianta rezar pra que isso um dia acabe, é impossível, é tradição, a diferença é que hoje não precisamos mais ficar debruçados nas janelas para falar, basta um computador. Então cuidado com o que ouve e com o que faz por aí. Não importa se é mentira, não importa se é verdade, se cair na boca alheia tudo passa a ser realidade.



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