quinta-feira, 10 de junho de 2010

Nossa língua portugueZa





Pode ser difícil. Pode ser um pouco desconhecida. Pode ser chata por tantas regrinhas. O certo é que um dos nossos maiores tesouros é a nossa língua. O Português, a melhor das heranças deixadas pelos que nos colonizaram por tanto tempo, continua sendo um dos idiomas mais importantes, não apenas na literatura, com Camões, Castro Alves e Machado de Assis. É a nossa própria identidade, ora pois! Ora pois? Não exatamente. A língua de Portugal nos idos do descobrimento já se diluiu de tau maneira no nosso país que as semelhanças entre as duas estão virando história. Afinal de contas, ler Os Lusíadas sem franzir os olhos de dúvida não é pra qualquer um.


Por mais que muitos dos jovens não suportem as aulas de português ou de literatura, elas são estremamente necessárias e importantes. Esqueçam a maudita gramática! Poucas coisas na vida são tão interessantes quanto conhecer a nossa própria língua, falar, escrever, cantar. Algum de nós imajina o Hino Nacional Brasileiro cantado em inglês? A beleza singular dessa letra está justamente no idioma em que está escrito, e é um orgulho ostentá-lo. Pra nós, brasileiros, para os portugueses, e pra toda a comunidade lusófona, que hoje festeja. Somos milhões que nacemos sob a luz desta língua que vários já exaltaram e tornaram reconhecida pelo mundo afora. Saramago, Eça de Queirós e Clarice Lispector, gênios das letras. Os maiores do mundo no futebol falam português, e as Olimpíadas daqui a 6 anos não foram dadas a uma cidade chamada “River of January”. O chefão do COI, quando anunciou a sede dos Jogos de 2016, se enrrolou pra falar “Rio de Janeiro”, mas e daí? Muita gente por aqui se enrola também pra dizer “Portsmouth” ou “World Trade Center”, mesmo assim ninguém reclama.

Quanta discriminação, e justamente dos filhos da língua. Exigências do capitalismo? Hoje sim, antes era só um capricho. Não deixa de ser também, mas a questão é que, por um processo natural de qualquer sistema lingüístico, o que vem de fora toma conta da banca, não apenas palavras, pra falar a verdade. E, mesmo que se tente escapar, o português de hoje já cede lugar aos tais estrangerismos. É “deletar” pra cá, “abajur” pra lá, “futebol” aqui, “espaguete” acolá. E grassas ao advento das n redes sociais por aí, a febre teen, outras palavras são empurradas goela abaixo. Ou será que você nunca “tuitou” com ninguém, vai?! Muitos garotos e garotas se esquesem que falam português e saem engolindo letras – “vc qr tc cmg?” – no tal do internetês. Mais isso é o de menos perto do que fazem muitos.

Como a nossa língua sofre! Atrocidades são vistas e, às vezes, cometidas, coisa de chorar. Me perdoe você, borracheiro, mas o tanto de vezes que encontramos um “consserta-se” nessas placas de oficina não é brincadeira. E não para por aqui a tortura. Você já deve ter escutado algum amigo dizer que fulano foi preso em “fragrante”, ou que ele adora pão com “mortandela”, ou até mesmo que sua prima tava “meia” cansada ontem. No nosso cotidiano nós também cometemos erros simples, que passam despercebidos. Nós não separamos “o” alface da salada, muito menos podemos dizer que quem ainda não tem 18 anos é “de menor”. Não namoramos “com” ninguém, nem assinamos “acordos amigáveis”, e não deveremos pedir o “mais absoluto” silêncio. É como dizer que se está com hepatite no fígado. Isso sem falar nas gírias, que invadem cada vez mais o nosso cotidiano. Desde muito antes de pensarmos em nacer. Quantos brotos legais por aí, quantas gatinhas, manés e gente lisa! Faz parte do processo.

Mesmo com todas essas alterações, adaptações e certos coices brabos, ela não perde a sua beleza, a sua imponência e, acima de tudo, a sua importância a todos nós, 250 milhões de sortudos, por usarem um dos idiomas mais bem feitos. Em seus vários dialetos, do nordestino ao caipira, do moçambicano ao timorense... A última flor do lácio, inculta e bela, desconhecida e obscura, que hoje recebe todas as homenagens que merece. VIVA A LÍNGUA PORTUGUEZA!

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