sexta-feira, 11 de junho de 2010

Laduma!






Foram 48 meses de muita espera, mais de 1400 dias de ansiedade, sofrimento, conquistas e preparação. Parece uma eternidade, e é mesmo, pelo menos pra nós, brasileiros, inveteradamente apaixonados e viciados num esporte, o tal do futebol. Não estamos mais no ano da Copa, estamos na semana da Copa. Melhor, hoje é dia de Copa. Há semanas as ruas, as casas e as pessoas andam por aí mais verdes e amarelas, só se fala em Seleção, na TV, nas rádios, na internet, aquele velho e bom clima que nos faz acordar cedo, tarde, quando for. A partir de hoje começa, formalmente, a Copa do Mundo. Formalmente, porque pra nós ela já começou faz tempo.


Exatamente no dia 1º de julho de 2006, quando um cidadão chamado Zidane – o “cabeça dura”, Materazzi que o diga – resolveu jogar, justo contra o Brasil. Depois de mais uma cortesia francesa a nós, fregueses de carteirinha, o foco era outro. O passaporte precisava de um carimbo, de mais um, do décimo nono, e corremos atrás. Desconfiança? Que seleção não passa por isso? Depois de um fracasso regado a muita cerveja alemã e oba-oba, precisavamos de mais do que um conforto. Precisávamos de certezas. Lembro bem do dia em que anunciaram o anão que treinaria o Brasil dali pra frente, e confesso que chiei. Como podia um cidadão que nunca treinou nem time de várzea seguraria o pepino de reerguer a moral de um país? Sinceramente, que me perdoem os críticos mais ferrenhos, mas o Dunga conseguiu.

Foi uma longa jornada. Longa o suficiente pra nos proporcionar tudo o que o futebol pode causar em um ser humano que vive na Terra. Derrotas incríveis, empates irritantes, vitórias históricas. É sempre bom vencer os hermanos, em final é melhor ainda. E os americanos, que quase conseguiram tirar o prazer do Brasil de levantar uma taça em solo africano – gesto que esperamos ver de novo daqui a um mês. Gente nova, mesmas opiniões. A convocação. Como sempre polêmica, duvidosa, insatisfatória, torcedor nunca está satisfeito, quanto mais em uma convocação pra Copa do Mundo, é fato. Faz até bem, discutir futebol nessa época é até obrigação em qualquer roda de conversa, e o engraçado, esse é o único momento em que a bola vira assunto unissex de verdade, mulheres entendem –ou pretendem entender – alguma coisa de futebol, nem que seja o nome dos mais gatos.

Há muito tempo falamos sobre a Copa, discutimos sobre a Copa, trocamos figurinhas, não interessa a idade, o sexo ou a classe. As TVs ficam mais baratas, camisas e mais camisas, de várias seleções, além do manto áureo, o mais bonito. Todo mundo se reúne, irmãos separados, amigos brigados, tudo fica de lado, os piores problemas, as provas mais difíceis, o salário atrasado, a conta de luz, tudo isso fica pra depois. Depois. Daqueles noventa minutos que fazem milagres. E uma Copa do Mundo é diferente, bem diferente de um Campeonato Carioca, o grande barato é que, além dos jogos do Brasil, muitos outros prendem a nossa atenção, afinal de contas são os melhores dos melhores times que jogam os melhores campeonatos juntos, pra fazer um espetáculo a cada jogo. Quem não dava um centavo pra Senegal, Turquia e Croácia no passado se deu mal feio. Surpreendente sim, por quê não? As zebras correm soltas nos Mundiais, ainda mais na África. Que passem longe do grupo G.

Finalmente, depois de tanto tempo, chegamos onde nunca estivemos. O mundo esperou quatro anos, os africanos esperaram uma vida, depois de tantas tragédias, tantas manchetes negativas, a África vai freqüentar a primeira página por um motivo mais que benigno. Em tapetes africanos a festa maior do futebol abriu suas portas para o planeta hoje, e os moradores dessa terra, os donos dessa festa – munidos de suas vuvuzelas irritantemente interessantes – nos recebem de braços e sorrisos bem abertos, com o prazer inenarrável de quem entra pra história. E nós, brasileiros, únicos a sentir o prazer de erguer a taça em todos os continentes por onde ela passou, curtiremos de novo, sofreremos de novo, torceremos de novo, como já é de praxe. Por aqui já estamos prontos, que os nossos, do outro lado do oceano, também estejam.

 
 

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