quarta-feira, 16 de junho de 2010

Carta ao povo brasileiro





Caros brasileiros, companheiros de sofrimento e apreensão,

Tenho certeza que a estreia da nossa Seleção ontem na Copa do Mundo, contra a incógnita seleção norte-coreana, deve ter frustrado muita gente que esperava um verdadeiro massacre. E, como ele não ocorreu, a sensação de "poderia ser melhor" é inevitável, eu também me senti assim, ora, eu assisti uma equipe que sem objetividade, sem criatividade, insistindo em lançamentos absurdos, e essa equipe era a minha Seleção. Não estava assistindo o jogo errado, e não acreditava, aquele não era o Brasil que eu vejo jogar desde a última Copa. Agora, amigos, em Mundiais, começar com o pé direito, independente do placar, é o mais importante. Goleada? Pra quê, se os três pontos não deixam de ser três pontos?

Eu sei que é muito bom ver o Brasil encher a rede adversária, fazer 3, 4, 5... Agora, eu também entendo que ontem a nossa Seleção não estava excepcional, porém venceu. Nossa zaga falhou no fim do jogo, um gol (aliás, um golaço) de lateral-direito, nossa maior esperança só se tornou ainda mais esperança pros próximos jogos, fomos lentos, apáticos, mas vencemos. Reclamar da convocação agora não adianta mais nada. No calor do jogo podemos xingar, execrar, mandar o Dunga pra todos os piores lugares que podemos imaginar, porém é necessário analisar friamente o resultado. Não foi um show de bola, o mínimo que sempre se espera da Seleção Brasileira em Copas, mas a vitória é o que importa.

Sou jovem, mas vocês que tem mais experiência podem me confirmar: as estreias brasileiras em Mundiais nunca foram grandes espetáculos. E isso não é, necessariamente, sinônimo de fracasso. Em 2002, fomos ajudados pelo árbitro, que nos deu a vitória contra a bela seleção Turca, 3º lugar naquele ano. E fomos penta. Quatro anos antes, vencemos com um gol contra da Escócia, depois de darmos um a eles. E fomos finalistas. Nos Estados Unidos, começamos a campanha do tetra com um simples 2x0 contra a fortíssima seleção russa. Amigos, exigir uma goleada é natural, claro, faz parte do jogo, mas devemos conhecer o adversário. Quem pensou que a Coréia do Norte seria moleza por ser a pior dessa Copa (de acordo com o Ranking da FIFA) sem ver a retranca que eles armaram, aproveitando a lentidão canarinha, viu que qualquer adversário deve ser respeitado. Por favor, um clima de enterro depois de um 2x1 a favor na estreia? A Itália foi campeã do mundo em 2006 sem grandes goleadas.

No próximo domingo enfrentaremos uma seleção melhor, (um pouco) menos retranqueira, mais veloz e que exigirá dos nossos jogadores maior empenho. Esse é o tipo de jogo que a Seleção gosta, de um oponente ofensivo, que abra mais espaços pra criatividade que nós sabemos que nossos meias e atacantes tem. O jogo de ontem não foi um show, mas foi uma vitória. Então vamos relaxar e esperar uma classificação absolutamente esperada. E para os turrões que gostam de goleadas, que torçam pra Alemanha! Eu ainda sou mais Brasil.

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