sábado, 19 de junho de 2010

Lembranças juninas


Pular fogueira, dançar quadrilha, botar o chapéu de palha e pintar os dentes. Estamos em junho, um dos meses mais alegres do ano, onde desce o espírito roceiro-festeiro em cada um de nós, e quando até quem não sabe aprende a dançar aquele xote. Experiência própria.

As festas juninas trazem lembranças muito boas, principalmente de quando éramos nada mais do que crianças, sem responsabilidades, sem trabalhos da faculdade ou sem contas pra pagar. Todas as festas, aquelas bandeirinhas no alto, os meninos de calças com retalhos e camisas xadrez, as meninas de vestidinhos floridos e aquelas pintinhas nos rostos, era bom demais. Aquelas músicas que continuam sendo clássicos do forró – entenda-se Luiz Gonzaga, não Aviões do Forró. Nada contra os Aviões – tocando, as pessoas sem medo de serem felizes, dançando até altas horas. E nós, pequenos, esperando as outras quadrilhas entrarem na arena, nós dançando, era bom demais.

Não que hoje não seja interessante, mas aqueles olhos de criança não existem mais, não nos encantamos tanto quanto antes. Enquanto éramos fedelhos, era muito melhor aproveitar as festas, assim como muitas outras. Eu duvido que algum de nós nunca tenha recebido um bilhetinho amoroso, o famoso Correio do Amor. Ah, como o coração batia forte, as pernas tremiam, para os tímidos isto se potencializava. Aquela emoção nenhum marmanjão sente mais. Barraca do Beijo? Ô coisa boa, sô! Desde os tempos do selinho, muitos nem precisavam de tanta formalidade. Tudo era tão escondido, tão inocente, tão marcante, aqueles beijinhos que faziam a gente sonhar meses e meses... Hoje os beijinhos não são tão – ou nada – “inhos” e se tornaram tão banais que nem dá tempo de sonhar com eles. Aliás, sonhar com beijos é tão ultrapassado, nem dá tempo. Hoje o beijo é acessório, antes era um momento histórico.

E as comidas? Eita trem bão! Tudo bem, isso até hoje é muito bom, eu confesso que me empanturro de mingau e pé-de-moleque sem pensar, pura inconseqüência, a diferença é que hoje comer é uma das prioridades. Antes ficava longe disso. Que crianças preferiam ficar na mesa comendo ao invés de soltar bombinhas e outros fogos na rua com os amiguinhos? Que adolescente prefere comer a conhecer uma menininha bonita da festa e levá-la pra um cantinho? Quem preferia ficar parado a dançar? Danças, músicas, bandeirinhas. Poucos são aqueles que conseguem ver uma festa de São João como antigamente.

Hoje em dia poucas festas como essas ainda são feitas, na minha rua não mais, sabe-se lá porquê. Violência, talvez. Os ladrões não perdoam mais. Briga entre vizinhos, talvez. As relações se desgastam, conflitos de interesses, falta de grana, enfim. Nada como antes. É muito bom lembrar de um tempo em que aproveitamos da maneira mais feliz as festas juninas, lembrar de quando não tínhamos nada para se preocupar, só para curtir. Mas ainda podemos nos divertir, sempre podemos, então peguem seus chapéus de palha, suas camisas mais xadrez, preparem suas Maria-chiquinhas e vamo pular fogueira, ia ia!

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