segunda-feira, 28 de junho de 2010

Anjos

Quando você não está bem, o seu dia foi ruim, os seus dias estão sendo, tudo na vida perde brilho, graça e sentido, você recorre a qualquer coisa que te faça bem. Desde chocolates e outras guloseimas tão calóricas quanto a sua depressão, até as compras que satisfazem pelo simples fato de serem compras, não importa o jeito, como ou quando. Entretanto, tudo isso é, por mais que não pareça, paliativo, só disfarça o que nos dói. Agora o que nos conforta mesmo, sem pormenores, sem condições, nem gordurinhas localizadas depois ou dívidas astronômicas, são aqueles em que podemos depositar toda a nossa esperança e a confiança, a certeza de que eles nos tirarão do problema, ou pelo menos os farão mais leves. Nossos verdadeiros anjos.

Há aqueles que passam bom tempo das nossas vidas ao nosso lado, que dão aquela força quando estamos sem dinheiro, dão carona, nos ajudam com alguma paquera ou, simplesmente estão conosco nos momentos mais alegres das nossas vidas. Esses são os amigos, de fé, irmãos, camaradas, a postos não apenas nas festas. Amigo bom é aquele que te ampara quando você cai e ainda acaba com a raça de quem te derrubou. Aqueles que sabem segredos que nem os pais sabem, com quem dividimos as dores do primeiro amor, da adolescência e até brigamos as vezes por causa da mesma menina. Falar besteira? É com eles mesmo. Esses anjos a gente ganha quando crianças, na maioria das vezes, mas muitos estão por aí, pelo nosso caminho, à nossa espera. Feliz aquele que angaria muitos desses ao longo da vida.

Outros anjos se vestem de mulher, alguns quase passando por cima de tanta candura. Anjinhas? Algumas nem tanto. Porém, quando a flechinha acerta o coração em cheio, nossas companheiras se tornam as melhores companheiras, as que aconselham com sabedoria e brigam com firmeza. Sempre um ombro amigo, um colo, aquele carinho de quem está ao nosso dispor, prontas a nos ajudar – e criticar, quando merecemos. Amar é uma via de mão dupla, e quando pegamos a mão da felicidade, tudo são flores. Mas é necessário que saibamos bem escolher nossas anjas, hoje em dia muitas escondem seus tridentes sob um véu branco.

Porém os nossos maiores anjos, aqueles que estão conosco desde sempre, sofrem antes, durante e depois das nossas vidas, sem reclamar de nada, padecendo por nós no paraíso, esses anjos que chamamos de mãe. Com eles nada pode nos atingir. Nossa segurança, nossa palavra de conforto, nossos escudos, por muitas vezes, esses anjos são os onipresentes, em corpo e em espírito, estão conosco onde quer que estejamos, e nem adianta tentar enganá-los. Além de onipresentes, as mães são oniscientes. Afinal de contas, em que colo choramos o choro mais sofrido, e que mãos fazem o carinho mais necessário, mais providencial, quando fazemos algo de errado na vida, ou quando ela faz algo de errado com a gente?

Tem quem nos proteja lá de cima, que não precisam existir em matéria, basta estarem dentro da cada um, nas melhores lembranças, no melhor lugar pra se guardar quem merece. Aqueles a quem recorremos em nossas orações, em nossos pedidos ou mesmo sem pedir, mas que estão sempre nos protegendo, nos auxiliando, traçando o melhor dos caminhos a trilhar, eles sempre sabem o que fazem por nós. Nos deixaram em presença, mas nunca em espírito. Pra quem acredita em santos e divindades, a eles podemos pedir proteção, ajuda, além de agradecer pelo que de bom aconteceu conosco, nossos anjos divinos. Quem não acredita, desconsiderem esta parte.

E em todos os lugares podemos encontrar anjos. Seja o seu chefe legal no trabalho, aquela professora que te deu um ponto extra, o motorista de ônibus consciente no trânsito – raríssimo, porém possível –, ou um policial que te salva de um assalto. Durante toda a nossa caminhada por esse mundo nos deparamos por pessoas que, de algum modo, fazem da nossa vida mais tranqüila, por mais que passem desapercebidas a nossos olhos. Em qualquer lugar, a qualquer hora, sempre tem alguma pessoa que olha por nós. Todos temos, cada um, os seus anjos. Quais são os seus?

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