segunda-feira, 3 de maio de 2010

Manual prático para festas em casa




Acredito que muitos de nós já vivemos um momento host nas nossas vidas e sabemos que não é nada mole organizar um evento em casa. Desde as mais simples reuniões até as grandes festas de aniversário, a busca por agradar a gregos e troianos é bastante cansativa. As vezes dá certo. Portanto, aproveitando algumas experiências minhas, eu fiz uma lista daquilo que é indefectivelmente presente em toda festa feita no nosso quintal. Sucessos e fracassos, pequenas coisas ou grandes acontecimentos que podem arruinar (ou não) a reputação dos donos da festa.

Item 1: Os convidados

Para uma festa dar certo, ela deve começar certa. Sempre é um momento meio tenso montar a lista dos convidados, desce uma bigorna nas nossas costas, a da responsabilidade de não esquecer ninguém, e convenhamos que isso pode se tornar uma assombração pra toda a vida. Não se importa se você mora em um apê 2x2 ou se a maré não tá pra peixe, ao se dar uma festa é obrigação chamar as pessoas mais próximas, e se elas são muitas, há de se dar um jeito. O grande problema é que as pessoas falam. Quando não se tem muita intimidade, nem pensar em pedir pros convidados não expalharem o convite a terceiros, quartos, quintos, enfim, mas é quase inevitável o boca-a-boca. E expulsar não é legal, o jeito é aturar a super-hiper-mega-gigalotação e rezar pro tempo passar bem rápido. Ah, uma dica é válida: quando preparar a lista dos convidados, NUNCA esqueça das crianças, pro caso de aquela sua amiga trazer os 4 filhos, não haver surpresas desconsertantes.

Item 2: Comes e bebes

Depois de escolhidos os convidados, começa talvez uma das mais importantes etapas do processo. Aquela que no início parece bem interessante - escolha dos cardápios, das bebidas, etc. -, porém vai pesando cada vez mais. No bolso. Pode ser um churrasco, um almoço ou um jantar de 15 anos, um erro de cálculos pode ser desastroso. E nunca ninguém disse que festas são baratas, o desastre pode acontecer com as quantidades. Eu e todo ser humano gostamos de estar sempre bem servidos ou, no mínimo, servidos em festas alheias, e critico os defeitos de serviço. Nunca se deve pecar pela falta, é extremamente feio pros donos da casa, ao contrário de alguns convidados que não acham nada feio devorarem toda a comida da festa. Falha da organização. Não devemos depender do bom senso alheio, confiar nas pessoas pode ser um grande risco. Então, na dúvida, exagere mesmo. É bem melhor sobrar do que faltar, e com um detalhe: a não ser que voc~e seja daqueles altruístas demais a ponto de repartir todo o bolo com todo mundo, o resto sempre fica pra você. A parte mais gostosa da festa é de fato o almoço do dia seguinte.

Item 3: O antes

Coma chocolate, assista uma boa comédia, faça sexo, tenha uma ótima noite de sono na véspera da festa. Nada pode ser mais deprê do que acordar de mau humor ou com uma baita enxaqueca no dia D. As horas que antecedem o evento devem ser de calma e foco, senão tudo vai pro brejo. Ouvir música enquanto prepara a feijoada ou arrumando a sala é um bom remédio, ajuda a afastar o stress de um dia onde nada pode sair da linha. O legal é procurar ajudantes bons, bem dispostos a carregar cadeiras e limpar os banheiros, além de felizes. Falar de coisa ruim num momento desses pode desestruturar o host da vez. E tente escolher um dia acessível e normal pra uma festa. Nada de meio de semana - só se o real desejo seja não ver muita gente. Pra terminar, tente não ter prova ou trabalhos na escola no dia seguinte. Ajuda bastante.

Item 4: O durante

Paciência, disposição e paz de espírito. Requisitos básicos para a festa em si funcionar. Nenhum sucesso nos três passos anteriores terá valido a pena se a execução fracassar, e pra que nada dê errado, vale até torcer pra sorte. Vai que umas 5 pessoas não aparecem. Se existe algo indispensável pra que tudo corra da melhor maneira possível, esse algo é tranquilidade. Quando nos oferecemos a sediar um evento, devemos não somente ser, mas estar tranquilos. Toda a exigência pode bem mais nos ombros das pessoas sem apoio pessoal e, principalmente, emocional. Casa pequena, mais gente que o esperado, crianças gritando e correndo pela sala... isso deixa qualquer um depirocado. A saída é fazer das adversidades apenas... adversidades, tentar deixar rolar e lembrar que aquela agonia vai acabar. No stress! Mas, se tudo correr como o combinado, aproveita. Aproveita muito, porque o último item ainda vem por aí e não é o melhor deles.

Item 5: O (inevitável) depois

Esse é bem interessante, por não depender de nenhum dos outros, tanto faz se a festa foi um sucesso ou um lixo total, sempre sobra o ônus. A casa vira um front de batalha, por mais educadas que sejam as pessoas presentes, e criança só contribui pra isso. papel de brigadeiro, balões estourados, copos e mais copos, cenário nada convidativo, a não ser pra uma faxina. Ô palavrinha que dói só de ouvir. Quem dera se sobrasse apenas o resto do jantar pros donos da casa. Além disso, os dias seguintes são fundamentais, os benditos comentários sobre a comida, o ambiente, a música, as pessoas, etc. É a hora de conferir se todos os passos foram seguidos com êxito e, se não, tentar fazer direito da próxima vez. Este 5º e último passo vai determinar se vai (ou não) haver uma próxima vez.

Depois de tudo isso, de toda a entrega e do tempo gasto, depois do desgaste financeiro e, espero eu, depois de ver um trabalho bem feito, porém cansativo, eu tenho mais certeza de que tudo tem dois lados. Mas em alguns casos vale muito a pena lavar a louça no fim da noite. Em alguns casos, que fique claro. Eu gosto muito de festas, mas na casa dos outros. É mais divertido.

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