sexta-feira, 28 de maio de 2010

Iguais na diferença


Manhã de sol, domingão muito bom pra passear no parque ou ir a um clube. Ver pessoas. Mas, olha só que estranho, basta sair de casa e acontece algo bem diferente: todos são iguais a você. Todos. Bizarro, é como se todos tivessem saído da mesma forma. Os homens são iguais, as mulheres são iguais, as crianças. O porteiro do prédio usando a mesma camiseta do seu irmão, sua filha se perde no meio de tantas cópias. Atônito, você tenta acordar daquele pesadelo e não consegue! Meu Deus! Imaginem só como o mundo seria se todos nós fossemos estritamente iguais. Chato? É o de menos.


Ainda bem que essa aberração ainda é pesadelo, pois viver em um lugar sem individualidades é cair na mesmice, não evoluir. Todos nós precisamos viver com as diferenças, cada um necessita daquilo que não é comum, que irrita ou causa inveja, boa ou ruim, tanto faz. Sim, é isso mesmo! Você não iria suportar estar longe daquele vizinho barulhento ou daquele amigo folgado. Nós estamos em um mundo cada vez mais heterogêneo, em diversos sentidos, e aprender a conviver e, mais do que isso, aprender a respeitar o que cada um tem de “estranho”, “louco”, “absurdo” ou simplesmente diferente. Isso tudo nos faz refletir sobre o que fazemos, o que escutamos, que roupa usamos, que drink bebemos, pra que time torcemos, qualquer ser humano tem que ter algo pra comparar. Se comparar.

Só que, infelizmente, muita gente ainda não se deu conta disso e ainda insiste em encarar o diferente como um monstro pronto pra atacar. Por isso mesmo esses indivíduos resolvem atacar primeiro, com uma arma letal. Pra toda a sociedade. Aquela que conhecemos por preconceito. Falando francamente, não podemos mais nos vestir em uma capa de hipocrisia, todos nós temos algum tipo de preconceito, a grande diferença é o quanto nós fazemos uso dele. Há pessoas que não aceitam o direito (comum a todos) dos emos circularem com o seu visual peculiar, pois afronta os mais tradicionais ou os menos inteligentes. Afrontar! Como se os jovens tivessem essa intenção. Eles só querem viver. Por quê diabos o casamento entre homossexuais ainda é proibido no Brasil, um país que se vangloria tanto de leis econômicas e da política externa que acaba se esquecendo de parar e pensar em um caso tão simples? Gays, lésbicas, simpatizantes... Todos da mesma origem, da mesma raça. Por falar em raças, a maior ignorância por parte de alguns “pseudo”cidadãos que ofendem seres da mesma espécie, apenas pela quantidade de melanina na pele, é que a maioria nem sabe o que é melanina. Como se isso fosse item de segregação. E é. Um balaio de “gentes” como o Brasil, e nossos índios, negros e afins sofrem discriminações, inclusive do próprio governo. Já ouviu falar em cotas nas universidades?

Eu sempre aprendi que política, futebol e religião não se discutem. Será mesmo? Nem todos seguem essa regra, pra falar a verdade. Na política, ser diferente é ser íntegro, que absurdo. Tempos modernos? Não. Isso vem desde sempre. Agora, tucano, se o seu pai se veste de vermelho, respeite. Se ele vai votar em uma das ex-ministras, respeite. Faz bem, por mais que não seja muito fácil. No futebol, então! É muito bom discutir futebol, o prazer nacional, ainda mais quando o seu time está por cima. Ótimo caso onde as diferenças são salutares. Se não fosse o adversário derrotado, o que seria do seu time vencedor? E vice versa. E, se por algum acaso, a sua namorada te convida a assistir um culto Adventista e você não vai por que tem uma missa, basta dizer “não”. Porque muita gente diz muito mais do que negar uma proposta dessas. Não se pode sair matando judeus por aí só por ser bisneto de alemão, por favor!

Uma coisa é fato: ninguém é igual a ninguém, e nada pode fazer isso mudar. Graças a Deus. E sabe por que? Não existe unidade absoluta além do indivíduo, já dizia Aristóteles, com razão. Cada um tem o seu jeito, o seu gosto musical, o seu estilo, as suas vontades e os seus ódios, isso é normal. O que não é normal é o desrespeito a essas diferenças, que são essenciais pra vida na Terra. Como o mundo seria entediante se a nossa namorada atual fosse a cópia da ex. Existiriam ex? Não existiria vida. O importante é aprender a ver com outros olhos aquilo que os outros também podem ver em nós. Afinal de contas, ninguém é totalmente normal, sempre uma coisinha em nós acaba sendo incomum pra outra pessoa, e ela talvez compreenda mais do que nós que não somos clones. Opção sexual, raça, credo, time, autores preferidos, cor do quarto ou da maquiagem, tanto faz. O livre arbítrio nos permite variabilidade. Genética e comportamental. Ora bolas, aceite e respeite, pois apenas uma coisa é universal nessa vida: somos todos iguais. Iguais na diferença.

 
 
 
 

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