quinta-feira, 20 de maio de 2010

Além do que parecem

Uma, duas, três, várias delas. Palavras tem poderes, e não só as de mãe. Quem faz o poder das palavras é quem as diz, escreve, deixa subentendido... Não é a toa que, assim como um tiro e como uma flecha, elas não voltam. Mas, pensando bem, as palavras voltam sim, como não? Podem voltar mais amenas, como um perdão, e podem voltar mais fatais, como vingança. É, temos que pensar muito bem antes de pensar em falar uma palavra, por mais ingênua que possa parecer, é suscetível de graves conseqüências, e nós temos que saber arcar com elas. Com responsabilidade.


Responsabilidade. Muita gente não liga pra ela na hora de sair dizendo o que bem entende, e quase sempre se depara com um problemão. Arrependimento. Expressão de um dos piores sentimentos, a decepção misturada com o remorso, tudo isso dói demais. Dor. Causa ou efeito. Quando estamos sofrendo somos frágeis o suficiente pra acabar metendo os pés pelas mãos, ou quando alguém acaba metendo os pés pelas mãos e sobra pra quem não tem nada a ver com a história toda. História. Quem pode, pode, haja criatividade. Tem pessoas que são capazes de inventar causos tão convincentes, tão bons, com um dom ímpar pra manipular as palavras que não sabemos mais o que é uma verdade e o que é uma bem contada mentira. Mentira. Quem nunca precisou dela? O problema é o excesso, nada em excesso funciona. Como palavras podem nos enganar! É fato, basta acreditar demais em alguém, passamos a ver tudo o que é dito, tudo o que é feito, como absoluta realidade. Em alguns casos vale a pena. Já em outros... Quem manda confiar?

Confiança. É bom demais saber que podemos apostar nossas fichas em uma pessoa – ou algumas – sem medo de cair, saber que existe alguém do lado, ou não, que se preocupa, se importa de verdade com a gente, pau pra toda obra. Na minha terra eu chamo eles de amigos. Amizade. Sem ela a tarefa dura por natureza que é viver se torna ainda mais árdua, difícil, ficamos sem ter onde nos escorar, quando faltar o fôlego pra continuar a subida. Contudo, é numa hora dessas que lembramos de algo mais importante. Família. Aí sim, a nossa força. Bendito seja quem pode conviver com a sua, mesmo com seus defeitos, quem não tem os seus. Desde o início temos que aprender a enxergar as diferenças com respeito. Respeito. O que falta a muita gente por aí que ainda insiste em tentar convencer os outros que só fala a absoluta verdade.

Verdade. Aquela que dói, aquela que conforta. Necessária sim, mesmo que inconveniente, a verdade deve prevalecer, por mais triste, por mais sofrida. E quando essas verdades não são suas, torça pra que elas não te envolvam, agora devemos estar cientes de que ela não é total, por mais que necessário fosse. Todos nós temos alguma coisa guardada em nós, até o túmulo, segredos de vida. Segredos. Os dos outros sempre são mais excitantes, guardar um é sacrifício! Nós temos um dom pra fofocar, cochichar, falar dos outros que, hoje em dia, pouco se dá pra esconder. Haja globalização por aí, por aqui, por acolá, que não temos mais espaço pra preservar, acabamos engolidos e envolvidos demais, nos expondo demais. Exposição. Redes sociais, o termo da década. Falamos o que não devemos, vemos o que não queremos. Uma foto muda uma vida, um recado termina amores, palavras não ditas que impactam, fazem pensar, geram decisões e indecisões. Com Orkuts e Twitters ao alcance da mão, quem precisa ouvir a voz do outro pra saber o que precisa? Alguns (ainda) dizem que esses sites são coisa boba, não representam os sentimentos dos seus donos, é tudo manipulação do computador. Computadores não tem cabeça, cérebro, muito menos coração.

Coração. Tudo passa por ele, não só o nosso sangue. Precisamos tê-lo pra guardar quem merece dentro dele, que faz nos tornarmos humanos o bastante, pra encarar um mundo cada vez mais seco. Agora, como tudo tem dois lados, não devemos sobrecarregar o coitado do coração, já expert em sofrimento, de vez em quando devemos usar a cabeça, pra pensar. Razão. Se com ela nós já fazemos tanta burrada nessa vida, imagina sem? Precisamos pensar, pra agir, pra falar, pra ser o que queremos, e até pra escapar de alguma barca furada. Sabe, as vezes eu acho que muitos usam ela demais. Nada demais. Que me desculpem os românticos, mas o coração pode aprontar com a gente. Tudo em nome do amor. Amor. Ah, o amor! Que palavra linda! Traz uma coisa boa pra dentro da gente, e o bom mesmo é aproveitar essas coisas boas enquanto elas ainda são boas. Não esqueçam que no coração ninguém manda, nem nós mesmos, e se o momento é legal, aproveite. Aproveitar. Devemos agarrar as oportunidades que aparecem, não só no amor, na vida como um todo. Trabalho, estudo, diversão.

Diversão. Solução pra nós! Na boa, precisamos de um tempo de vez em quando. Tempo pra nós, puro egoísmo mesmo! Sair pra ver um filme, comer com os amigos, jogar uma bola, festejar as grandes e as pequenas coisas, aquelas que fazem a vida ter graça. Aprontar, tomar um banho de chuva, beijar na boca, quem vive sem? Não dá, faz bem. Bem. O que nos faz tão bem hoje? O que nos faz sorrir? Muitas pessoas reclamam da vida, se colocam pra baixo, não se permitem um mínimo sorriso sequer, sem perceber que quem constrói a felicidade não é o contexto, e sim as próprias pessoas. Basta querer. Pra quem acredita, querer é poder sim. Poder. O que as palavras tem de sobra, o que atrai, o que fascina, o que ilude. Pensamos que, com ele, somos capazes de mudar o mundo. Nem sempre. O problema está em saber usá-lo. Como deve ser doce a sensação de mandar, de comandar de governar, nem que seja as nossas próprias vidas. Vida. Muito curta pra quem pensa demais. Tem certas situações que uma dose de instinto não faz mal a ninguém, adrenalina correndo na veia revigora, rejuvenesce. Mas, ei, não exagera! Nada de sair roubando joalherias por aí, não! Viver a vida sim, curtir as emoções sim, agora com honestidade.

Honestidade. Política. Corrupção. Vergonha. Preciso dizer mais alguma coisa? Há palavras que existem por elas mesmas, não precisam de contexto, nem de explicação. E todos nós somos sim capazes de usar as palavras como quisermos, o chamado livre arbítrio, é lei. Devemos respeitar as opiniões dos outros, o que os outros dizem (ou escrevem ) até que isso nos atinja. Autodefesa. Somos seres vingativos por natureza, quem fala o que não quer, pode ouvir muitas coisas. Querendo ou não. Nada como um belo debate oral, o mais bonito, o mais eficiente. Com uma só palavra podemos desarmar mil argumentos. Com uma frase podemos derrubar um discurso.Ou uma pessoa. Há palavras que doem mais do que uma surra, pois a dor causada fere por dentro. Nada pior do que uma punhalada sem punhal, um tiro sem arma, um soco sem mãos. O ideal é sabermos lidar com o que dizemos e com o que ouvimos, até mesmo com o que não ouvimos. Entrelinhas. Uma coisa é certa: alguém que é apto a ouvir qualquer coisa vira craque em dizer qualquer coisa. Por melhores que sejam, por piores que sejam. Como falei no início desse post, as palavras tem tremendos poderes, e o maior deles é justamente o de elas poderem ser mais do que são, mais do que parecem. Mais do que palavras.

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