sexta-feira, 28 de maio de 2010

Iguais na diferença


Manhã de sol, domingão muito bom pra passear no parque ou ir a um clube. Ver pessoas. Mas, olha só que estranho, basta sair de casa e acontece algo bem diferente: todos são iguais a você. Todos. Bizarro, é como se todos tivessem saído da mesma forma. Os homens são iguais, as mulheres são iguais, as crianças. O porteiro do prédio usando a mesma camiseta do seu irmão, sua filha se perde no meio de tantas cópias. Atônito, você tenta acordar daquele pesadelo e não consegue! Meu Deus! Imaginem só como o mundo seria se todos nós fossemos estritamente iguais. Chato? É o de menos.


Ainda bem que essa aberração ainda é pesadelo, pois viver em um lugar sem individualidades é cair na mesmice, não evoluir. Todos nós precisamos viver com as diferenças, cada um necessita daquilo que não é comum, que irrita ou causa inveja, boa ou ruim, tanto faz. Sim, é isso mesmo! Você não iria suportar estar longe daquele vizinho barulhento ou daquele amigo folgado. Nós estamos em um mundo cada vez mais heterogêneo, em diversos sentidos, e aprender a conviver e, mais do que isso, aprender a respeitar o que cada um tem de “estranho”, “louco”, “absurdo” ou simplesmente diferente. Isso tudo nos faz refletir sobre o que fazemos, o que escutamos, que roupa usamos, que drink bebemos, pra que time torcemos, qualquer ser humano tem que ter algo pra comparar. Se comparar.

Só que, infelizmente, muita gente ainda não se deu conta disso e ainda insiste em encarar o diferente como um monstro pronto pra atacar. Por isso mesmo esses indivíduos resolvem atacar primeiro, com uma arma letal. Pra toda a sociedade. Aquela que conhecemos por preconceito. Falando francamente, não podemos mais nos vestir em uma capa de hipocrisia, todos nós temos algum tipo de preconceito, a grande diferença é o quanto nós fazemos uso dele. Há pessoas que não aceitam o direito (comum a todos) dos emos circularem com o seu visual peculiar, pois afronta os mais tradicionais ou os menos inteligentes. Afrontar! Como se os jovens tivessem essa intenção. Eles só querem viver. Por quê diabos o casamento entre homossexuais ainda é proibido no Brasil, um país que se vangloria tanto de leis econômicas e da política externa que acaba se esquecendo de parar e pensar em um caso tão simples? Gays, lésbicas, simpatizantes... Todos da mesma origem, da mesma raça. Por falar em raças, a maior ignorância por parte de alguns “pseudo”cidadãos que ofendem seres da mesma espécie, apenas pela quantidade de melanina na pele, é que a maioria nem sabe o que é melanina. Como se isso fosse item de segregação. E é. Um balaio de “gentes” como o Brasil, e nossos índios, negros e afins sofrem discriminações, inclusive do próprio governo. Já ouviu falar em cotas nas universidades?

Eu sempre aprendi que política, futebol e religião não se discutem. Será mesmo? Nem todos seguem essa regra, pra falar a verdade. Na política, ser diferente é ser íntegro, que absurdo. Tempos modernos? Não. Isso vem desde sempre. Agora, tucano, se o seu pai se veste de vermelho, respeite. Se ele vai votar em uma das ex-ministras, respeite. Faz bem, por mais que não seja muito fácil. No futebol, então! É muito bom discutir futebol, o prazer nacional, ainda mais quando o seu time está por cima. Ótimo caso onde as diferenças são salutares. Se não fosse o adversário derrotado, o que seria do seu time vencedor? E vice versa. E, se por algum acaso, a sua namorada te convida a assistir um culto Adventista e você não vai por que tem uma missa, basta dizer “não”. Porque muita gente diz muito mais do que negar uma proposta dessas. Não se pode sair matando judeus por aí só por ser bisneto de alemão, por favor!

Uma coisa é fato: ninguém é igual a ninguém, e nada pode fazer isso mudar. Graças a Deus. E sabe por que? Não existe unidade absoluta além do indivíduo, já dizia Aristóteles, com razão. Cada um tem o seu jeito, o seu gosto musical, o seu estilo, as suas vontades e os seus ódios, isso é normal. O que não é normal é o desrespeito a essas diferenças, que são essenciais pra vida na Terra. Como o mundo seria entediante se a nossa namorada atual fosse a cópia da ex. Existiriam ex? Não existiria vida. O importante é aprender a ver com outros olhos aquilo que os outros também podem ver em nós. Afinal de contas, ninguém é totalmente normal, sempre uma coisinha em nós acaba sendo incomum pra outra pessoa, e ela talvez compreenda mais do que nós que não somos clones. Opção sexual, raça, credo, time, autores preferidos, cor do quarto ou da maquiagem, tanto faz. O livre arbítrio nos permite variabilidade. Genética e comportamental. Ora bolas, aceite e respeite, pois apenas uma coisa é universal nessa vida: somos todos iguais. Iguais na diferença.

 
 
 
 

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Além do que parecem

Uma, duas, três, várias delas. Palavras tem poderes, e não só as de mãe. Quem faz o poder das palavras é quem as diz, escreve, deixa subentendido... Não é a toa que, assim como um tiro e como uma flecha, elas não voltam. Mas, pensando bem, as palavras voltam sim, como não? Podem voltar mais amenas, como um perdão, e podem voltar mais fatais, como vingança. É, temos que pensar muito bem antes de pensar em falar uma palavra, por mais ingênua que possa parecer, é suscetível de graves conseqüências, e nós temos que saber arcar com elas. Com responsabilidade.


Responsabilidade. Muita gente não liga pra ela na hora de sair dizendo o que bem entende, e quase sempre se depara com um problemão. Arrependimento. Expressão de um dos piores sentimentos, a decepção misturada com o remorso, tudo isso dói demais. Dor. Causa ou efeito. Quando estamos sofrendo somos frágeis o suficiente pra acabar metendo os pés pelas mãos, ou quando alguém acaba metendo os pés pelas mãos e sobra pra quem não tem nada a ver com a história toda. História. Quem pode, pode, haja criatividade. Tem pessoas que são capazes de inventar causos tão convincentes, tão bons, com um dom ímpar pra manipular as palavras que não sabemos mais o que é uma verdade e o que é uma bem contada mentira. Mentira. Quem nunca precisou dela? O problema é o excesso, nada em excesso funciona. Como palavras podem nos enganar! É fato, basta acreditar demais em alguém, passamos a ver tudo o que é dito, tudo o que é feito, como absoluta realidade. Em alguns casos vale a pena. Já em outros... Quem manda confiar?

Confiança. É bom demais saber que podemos apostar nossas fichas em uma pessoa – ou algumas – sem medo de cair, saber que existe alguém do lado, ou não, que se preocupa, se importa de verdade com a gente, pau pra toda obra. Na minha terra eu chamo eles de amigos. Amizade. Sem ela a tarefa dura por natureza que é viver se torna ainda mais árdua, difícil, ficamos sem ter onde nos escorar, quando faltar o fôlego pra continuar a subida. Contudo, é numa hora dessas que lembramos de algo mais importante. Família. Aí sim, a nossa força. Bendito seja quem pode conviver com a sua, mesmo com seus defeitos, quem não tem os seus. Desde o início temos que aprender a enxergar as diferenças com respeito. Respeito. O que falta a muita gente por aí que ainda insiste em tentar convencer os outros que só fala a absoluta verdade.

Verdade. Aquela que dói, aquela que conforta. Necessária sim, mesmo que inconveniente, a verdade deve prevalecer, por mais triste, por mais sofrida. E quando essas verdades não são suas, torça pra que elas não te envolvam, agora devemos estar cientes de que ela não é total, por mais que necessário fosse. Todos nós temos alguma coisa guardada em nós, até o túmulo, segredos de vida. Segredos. Os dos outros sempre são mais excitantes, guardar um é sacrifício! Nós temos um dom pra fofocar, cochichar, falar dos outros que, hoje em dia, pouco se dá pra esconder. Haja globalização por aí, por aqui, por acolá, que não temos mais espaço pra preservar, acabamos engolidos e envolvidos demais, nos expondo demais. Exposição. Redes sociais, o termo da década. Falamos o que não devemos, vemos o que não queremos. Uma foto muda uma vida, um recado termina amores, palavras não ditas que impactam, fazem pensar, geram decisões e indecisões. Com Orkuts e Twitters ao alcance da mão, quem precisa ouvir a voz do outro pra saber o que precisa? Alguns (ainda) dizem que esses sites são coisa boba, não representam os sentimentos dos seus donos, é tudo manipulação do computador. Computadores não tem cabeça, cérebro, muito menos coração.

Coração. Tudo passa por ele, não só o nosso sangue. Precisamos tê-lo pra guardar quem merece dentro dele, que faz nos tornarmos humanos o bastante, pra encarar um mundo cada vez mais seco. Agora, como tudo tem dois lados, não devemos sobrecarregar o coitado do coração, já expert em sofrimento, de vez em quando devemos usar a cabeça, pra pensar. Razão. Se com ela nós já fazemos tanta burrada nessa vida, imagina sem? Precisamos pensar, pra agir, pra falar, pra ser o que queremos, e até pra escapar de alguma barca furada. Sabe, as vezes eu acho que muitos usam ela demais. Nada demais. Que me desculpem os românticos, mas o coração pode aprontar com a gente. Tudo em nome do amor. Amor. Ah, o amor! Que palavra linda! Traz uma coisa boa pra dentro da gente, e o bom mesmo é aproveitar essas coisas boas enquanto elas ainda são boas. Não esqueçam que no coração ninguém manda, nem nós mesmos, e se o momento é legal, aproveite. Aproveitar. Devemos agarrar as oportunidades que aparecem, não só no amor, na vida como um todo. Trabalho, estudo, diversão.

Diversão. Solução pra nós! Na boa, precisamos de um tempo de vez em quando. Tempo pra nós, puro egoísmo mesmo! Sair pra ver um filme, comer com os amigos, jogar uma bola, festejar as grandes e as pequenas coisas, aquelas que fazem a vida ter graça. Aprontar, tomar um banho de chuva, beijar na boca, quem vive sem? Não dá, faz bem. Bem. O que nos faz tão bem hoje? O que nos faz sorrir? Muitas pessoas reclamam da vida, se colocam pra baixo, não se permitem um mínimo sorriso sequer, sem perceber que quem constrói a felicidade não é o contexto, e sim as próprias pessoas. Basta querer. Pra quem acredita, querer é poder sim. Poder. O que as palavras tem de sobra, o que atrai, o que fascina, o que ilude. Pensamos que, com ele, somos capazes de mudar o mundo. Nem sempre. O problema está em saber usá-lo. Como deve ser doce a sensação de mandar, de comandar de governar, nem que seja as nossas próprias vidas. Vida. Muito curta pra quem pensa demais. Tem certas situações que uma dose de instinto não faz mal a ninguém, adrenalina correndo na veia revigora, rejuvenesce. Mas, ei, não exagera! Nada de sair roubando joalherias por aí, não! Viver a vida sim, curtir as emoções sim, agora com honestidade.

Honestidade. Política. Corrupção. Vergonha. Preciso dizer mais alguma coisa? Há palavras que existem por elas mesmas, não precisam de contexto, nem de explicação. E todos nós somos sim capazes de usar as palavras como quisermos, o chamado livre arbítrio, é lei. Devemos respeitar as opiniões dos outros, o que os outros dizem (ou escrevem ) até que isso nos atinja. Autodefesa. Somos seres vingativos por natureza, quem fala o que não quer, pode ouvir muitas coisas. Querendo ou não. Nada como um belo debate oral, o mais bonito, o mais eficiente. Com uma só palavra podemos desarmar mil argumentos. Com uma frase podemos derrubar um discurso.Ou uma pessoa. Há palavras que doem mais do que uma surra, pois a dor causada fere por dentro. Nada pior do que uma punhalada sem punhal, um tiro sem arma, um soco sem mãos. O ideal é sabermos lidar com o que dizemos e com o que ouvimos, até mesmo com o que não ouvimos. Entrelinhas. Uma coisa é certa: alguém que é apto a ouvir qualquer coisa vira craque em dizer qualquer coisa. Por melhores que sejam, por piores que sejam. Como falei no início desse post, as palavras tem tremendos poderes, e o maior deles é justamente o de elas poderem ser mais do que são, mais do que parecem. Mais do que palavras.

sábado, 15 de maio de 2010

A (i)lógica do ser humano



Olha, eu sou um cara que ainda acredito nas pessoas, porém eu confesso que as vezes eu penso em desistir. Verdade, é bem difícil entender como funciona o ser humano, mesmo parecendo perda de tempo tentar entender. Chega a ser engraçado, porque ao mesmo tempo em que você acha que está totalmente certo, você pode estar redondamente enganado quando o assunto é gente, isso é fato. Quem me dera resolver uma problemática pessoal do mesmo jeito que um cálculo matemático. Ah, as ciências exatas! Se a vida fosse tão fácil quanto... E eu ainda reclamava da trigonometria.


Lidar com as pessoas nunca é tarefa fácil, e ninguém diz que não é, seria loucura. E, acima de tudo, seria burrice. Burro aquele que busca entender o comportamento humano, pois nunca conseguirá o que almeja. Nós não viemos ao mundo com manual de instruções, e ainda que viéssemos, de nada adiantaria, manuais são sempre uma furada. Com certeza alguma vez na vida nós já nos perguntamos como alguém pode ter feito algo tão ruim com a gente ou como é possível uma pessoa ser tão desumana e tal, e isso é mais do que comum. Cada banho de água gelada que a gente recebe do companheiro de espécie nos deixam pasmos com tanta “desumanidade”. No entanto mentir, trair, roubar, matar, nada disso é desumano. O estuprador de menores lá de Goiás e os Nardoni são tão humanos quanto nós, parem e pensem. Longe de mim tentar defender esses monstros nefastos, agora ninguém nesse planeta é totalmente livre de cometer qualquer um desses erros. É humano odiar, é humano enganar pra se dar bem, é humano matar, por qualquer motivo. O que não quer dizer que seja aceitável. Um assassino ser chamado de “animal”, de “bicho”, por ter matado alguém não ofende substancialmente. Animais também fazem isso.

Outra coisa, não é por conhecer a fundo o companheiro que você está automaticamente protegido de tudo e de todos. Às vezes o tiro vem pelas costas, da última arma que você imaginaria ser disparada contra você. Decepções e mais decepções. Talvez por confiar demais, talvez por se entregar demais. Sim, o ser humano também decepciona. Ontem, hoje, sempre, assim como podemos errar, temos que nos preparar para os erros alheios, e não imaginar que “ele nunca faria isso” ou “por a mão no fogo” por ninguém. Se você sabe errar, por quê o outro não saberia? Ninguém é perfeito, estamos muito longe de ser, e talvez seja essa a maior graça disso tudo. Eu não teria a menor vocação pra ser máquina. Prefiro ainda ter carne, osso e coração. Ainda. De uma hora pra outra, sem grande explicação, quem parecia o príncipe encantado vira um simples plebeu, o amor da sua vida se torna mais uma na sua lista. Com ou sem razão, o homem toma atitudes que nem Freud explica. Ô bicho complicado que nós somos! Falamos algo quando queremos dizer outra coisa, dizemos que sim quando o melhor a fazer é dizer não, abraçamos quando a vontade é a de apunhalar. Estranho? Não. Humano.

Por mais que nunca admitam, que homem nunca torceu pro maior rival, se fosse pra tirar outro do caminho? É, amigos, o futebol pode te levar ao clímax ou te deixar numa fossa imensa. Sim, eu to falando de futebol mesmo. Ó, nem se pode falar em “clímax” que a nossa doença mental, típica dos trópicos, chamada ninfomania já nos leva muuuuuito além. A minha intenção não era essa, mas as nossas mentes viajam bonito. Nossas mentes vivem viajando, trabalhando muito – até demais, às vezes – e tirando conclusões nem sempre adequadas. Gostamos muito de pensar, até mesmo quando dizemos não pensar. Querem uma prova da nossa extrema racionalidade? “Desculpa, falei sem pensar”. Por favor! Pensar em não pensar já é pensar. É o mesmo que você dizer que nunca mentiu, não faz o menor sentido.

Falando nisso... por favor, me desculpem as mulheres, lugar comum nesse caso. Agora, que nenhum homem pense que complicação é coisa exclusivamente delas, não, tem muito homem por aí que parece que errou a fila do sexo antes de nascer. É geral, você pensa que está fazendo tudo certo e, de repente, descobre que errou feio. Como agradar, como satisfazer, como conviver? Indecisões, más decisões, a falta delas. Quanta imprevisibilidade! Nós somos capazes de rir das situações mais tristes, chorar pelas maiores alegrias, vibrar com o mal, torcer pelo bem, se envolver com reality shows e viver aquelas vidas. Coisas inacreditáveis que a inteligência (?) humana nos permite. Mesmo assim as pessoas ainda me surpreendem. Surpresas más e surpresas boas. A mão que te daria um belo soco pode ser a primeira a se estender pra te ajudar, os primeiros da fila pra te zoar zoariam por você, os males que vem pro bem. É muito bom descobrir que as pessoas ainda são capazes de provar que podemos nos impressionar com algo que não seja um crime. Coisas boas, mesmo nos momentos mais tristes, algo aparentemente sem lógica. Que seja, quem entende o ser humano?

domingo, 9 de maio de 2010

Ode à perfeição



Carinho, confiança, dedicação, entrega, perdão, exemplo, amor. Listar sinônimos seria uma tarefa muito complicada, o melhor mesmo é unir todos eles numa mesma palavra. Coração? Também. Na verdade eu falo de mãe. Quando eu vejo e ouço falar que hoje é o Dia das Mães eu me pergunto: que dia não é? Pura formalidade.


Na face da Terra ainda não me provaram que exista alguém mais completo do que as mães. Não tem jeito, se alguma coisa acontece e você precisa de uma ajuda, seja lá qual for, quando for, como for, ela sempre estará ali, ao lado, pronta pra mais do que estender o braço, pronta pra dá-lo a você, sem nenhuma exitação. Mãe que é mãe nunca exita. Generosidade, mais um adjetivo na lista. Em momento algum elas se negam, mesmo quando todas as circunstâncias são desfavoráveis. Ao contrário, quando tudo parece uma droga, sempre aparece alguém com uma lanterna pra, ao menos tentar, diminuir a nossa escuridão. O objetivo da vida da mãe deixa de ser ela mesma, qualquer restinho de egoísmo cai por terra, a mulher passa a ser ela e o filho, nunca somente ela. Gravidez. É incrível como a mulher ao descobrir a maternidade consegue fazer coisas incríveis. Tudo muda, elas mudam. É o estado de graça, o mais perfeito momento da vida de toda mulher que nasceu nesse planeta. Aflora uma beleza que transcende todos os padrões estéticos, é muito mais do que isso. É interior, psicológico, afetivo. Quem diz que não quer experimentar não tem a mínima noção do que seja dar à luz, dar a vida. Dar. Talvez o verbo perfeito, mais-que perfeito. Assim como elas.

Ter sempre alguem em quem confiar. Todos nós precisamos sentir a credibiliade do outro, saber que em alguém nós podemos jogar todas as fichas, sem medo de perder, isso faz bem. E nada como colo de mãe, o melhor dos divãs. Sempre disposta, sempre atenciosa, uma fortaleza. Mesmo quando ela quer chorar mais que você, sua mãe aguenta a capa de forte só pra não te ver sofrendo. Ela nunca quer te ver sofrendo. As tripas viram coração, o coração sai pela boca, a boca fala o que precisamos, pode ser um conselho, uma história ou uma bela bronca, sempre ouvir a mamãe faz grande diferença, por mais bobo que possa parecer. 40 anos? E daí? Converse com ela. Se muita gente se dispusesse a falar, falar mesmo, com suas genitoras, a Psicologia seria quase nada. Que me desculpem os psicólogos.

E os pedagogos e professores, os médicos, os despertadores... Quem ensina mais do que as nossas mamães? Em experiência de vida, quase ninguém. Por mais chato e irritante que sejam aquelas típicas lições de moral pré-castigo, elas não deixam de ser necessárias, afinal, se muito filho já apronta com a mãe do lado, imagina sem ninguém segurando as rédeas. Se não fossem elas, muita gente por aí voaria bem mais do que as asas podem alcançar. Mas se for pra botar pra cima, elas são as primeiras a apoiar, nada melhor do que um carinho de mãe antes de uma entrevista de emprego. Milhões de pessoas podem desejar sucesso, mas sem o “boa sorte” materno, parece que tudo vai dar errado. Aliás, palavra de mãe tem mesmo poder, é impressionante. Chega a arrepiar a comprovação de que qualquer coisa dita por elas funciona mesmo. Se ela disse que você vai ser um grande homem, sinta-se felicíssimo e corra atrás pra fazer valer. E se gostar da namorada, pode logo começar a chamar a amada de nora, é tiro e queda.

Garra. Há explicação científica pra isso? Nem precisa. Não tem quem segure uma mulher quando ela sente que algo de ruim pode afetar a sua família. Como toda fêmea, protege a sua cria com a vida, prefere se entregar do que ver quem ela ama sofrendo. Pode ser a doçura em pessoa, só não pise no calo. Uma mãe autêntica faz de tudo, de tudo mesmo, pelo bem dos filhos, e isso ninguém faz. Não desmerecendo os pais, agora os homens não tem sensibilidade suficiente que se compare ao que fazem essas mulheres que, sem receber nada em troca, passam a viver duas, três, várias vidas, as vezes esquecendo até mesmo das suas. Quantas Lucinhas, que viram na perda do filho o pontapé pra uma grande iniciativa, quantas Zildas, mães de quem precisa de mais do que mães, quantas Marias, mães de um povo, quantas Joanas, Antônias, Martas, Helenas, Anas... famosas ou anônimas, nunca deixarão de ser mães. Sangue? Isso é detalhe. O laço mais forte e verdadeiro que pode existir não se vê numa folha de papel, num exame. A ciência não pode explicar o que nem o coração explica. Mãe é quem cria, nunca ouviu falar, não?

E, pra quem não pode ter a companhia dela em corpo, conforte-se e saiba que, em alma e amor, ela nunca vai te abandonar. Ela é onipresente, porquê vai sempre dentro do coração, está perto, mesmo longe. Se você está afastado, por qualquer que seja o motivo, da sua, aproveite a deixa do dia e se reaproxime. Mas faça isso de coração aberto, como ela deve ter te criado e com certeza ensinado, valendo pra todos os outros dias, não somente por hoje. Nada pode ser mais triste do que ficar longe da mulher mais impportante das nossas vidas por motivos terrenos. Que perda de tempo. Não espere pra perceber aquilo que muita gente aprendeu pagando o caro e amargo preço da ausência: só damos valor àquilo que perdemos. E é verdade

A palavra mãe, segundo o Michaellis, traz um significado interessante: causa ou origem de alguma coisa. Parando pra pensar, faz muito sentido. Nossa mãe é a causa de nós estarmos aqui e a origem de tudo o que somos, daquilo que seremos. Origem da vida como um todo. Feliz o homem que pode dar um abraço apertado, um beijo carinhoso e pedir a benção da sua mãe todos os dias, o que pode parecer simples, é simples mesmo. Afinal de contas, são as coisas simples que nos fazem felizes, né não?! Elas não precisam se pintar de ouro nem serem super famosas pra serem importantes. As mais importantes. Por mais careta que seja, quer o bem. Por mais chata, implicante e protetora, quer nos ver felizes. Por isso, se você não tem o hábito, começe hoje mesmo a praticar um exercício que faz muito bem: diga “EU TE AMO”. Com toda a certeza, serão os mais sinceros, pois, depois da frase, vem aquela palavrinha mais que mágica. “EU TE AMO, MÃE!”, como fica mais bonito.




segunda-feira, 3 de maio de 2010

Manual prático para festas em casa




Acredito que muitos de nós já vivemos um momento host nas nossas vidas e sabemos que não é nada mole organizar um evento em casa. Desde as mais simples reuniões até as grandes festas de aniversário, a busca por agradar a gregos e troianos é bastante cansativa. As vezes dá certo. Portanto, aproveitando algumas experiências minhas, eu fiz uma lista daquilo que é indefectivelmente presente em toda festa feita no nosso quintal. Sucessos e fracassos, pequenas coisas ou grandes acontecimentos que podem arruinar (ou não) a reputação dos donos da festa.

Item 1: Os convidados

Para uma festa dar certo, ela deve começar certa. Sempre é um momento meio tenso montar a lista dos convidados, desce uma bigorna nas nossas costas, a da responsabilidade de não esquecer ninguém, e convenhamos que isso pode se tornar uma assombração pra toda a vida. Não se importa se você mora em um apê 2x2 ou se a maré não tá pra peixe, ao se dar uma festa é obrigação chamar as pessoas mais próximas, e se elas são muitas, há de se dar um jeito. O grande problema é que as pessoas falam. Quando não se tem muita intimidade, nem pensar em pedir pros convidados não expalharem o convite a terceiros, quartos, quintos, enfim, mas é quase inevitável o boca-a-boca. E expulsar não é legal, o jeito é aturar a super-hiper-mega-gigalotação e rezar pro tempo passar bem rápido. Ah, uma dica é válida: quando preparar a lista dos convidados, NUNCA esqueça das crianças, pro caso de aquela sua amiga trazer os 4 filhos, não haver surpresas desconsertantes.

Item 2: Comes e bebes

Depois de escolhidos os convidados, começa talvez uma das mais importantes etapas do processo. Aquela que no início parece bem interessante - escolha dos cardápios, das bebidas, etc. -, porém vai pesando cada vez mais. No bolso. Pode ser um churrasco, um almoço ou um jantar de 15 anos, um erro de cálculos pode ser desastroso. E nunca ninguém disse que festas são baratas, o desastre pode acontecer com as quantidades. Eu e todo ser humano gostamos de estar sempre bem servidos ou, no mínimo, servidos em festas alheias, e critico os defeitos de serviço. Nunca se deve pecar pela falta, é extremamente feio pros donos da casa, ao contrário de alguns convidados que não acham nada feio devorarem toda a comida da festa. Falha da organização. Não devemos depender do bom senso alheio, confiar nas pessoas pode ser um grande risco. Então, na dúvida, exagere mesmo. É bem melhor sobrar do que faltar, e com um detalhe: a não ser que voc~e seja daqueles altruístas demais a ponto de repartir todo o bolo com todo mundo, o resto sempre fica pra você. A parte mais gostosa da festa é de fato o almoço do dia seguinte.

Item 3: O antes

Coma chocolate, assista uma boa comédia, faça sexo, tenha uma ótima noite de sono na véspera da festa. Nada pode ser mais deprê do que acordar de mau humor ou com uma baita enxaqueca no dia D. As horas que antecedem o evento devem ser de calma e foco, senão tudo vai pro brejo. Ouvir música enquanto prepara a feijoada ou arrumando a sala é um bom remédio, ajuda a afastar o stress de um dia onde nada pode sair da linha. O legal é procurar ajudantes bons, bem dispostos a carregar cadeiras e limpar os banheiros, além de felizes. Falar de coisa ruim num momento desses pode desestruturar o host da vez. E tente escolher um dia acessível e normal pra uma festa. Nada de meio de semana - só se o real desejo seja não ver muita gente. Pra terminar, tente não ter prova ou trabalhos na escola no dia seguinte. Ajuda bastante.

Item 4: O durante

Paciência, disposição e paz de espírito. Requisitos básicos para a festa em si funcionar. Nenhum sucesso nos três passos anteriores terá valido a pena se a execução fracassar, e pra que nada dê errado, vale até torcer pra sorte. Vai que umas 5 pessoas não aparecem. Se existe algo indispensável pra que tudo corra da melhor maneira possível, esse algo é tranquilidade. Quando nos oferecemos a sediar um evento, devemos não somente ser, mas estar tranquilos. Toda a exigência pode bem mais nos ombros das pessoas sem apoio pessoal e, principalmente, emocional. Casa pequena, mais gente que o esperado, crianças gritando e correndo pela sala... isso deixa qualquer um depirocado. A saída é fazer das adversidades apenas... adversidades, tentar deixar rolar e lembrar que aquela agonia vai acabar. No stress! Mas, se tudo correr como o combinado, aproveita. Aproveita muito, porque o último item ainda vem por aí e não é o melhor deles.

Item 5: O (inevitável) depois

Esse é bem interessante, por não depender de nenhum dos outros, tanto faz se a festa foi um sucesso ou um lixo total, sempre sobra o ônus. A casa vira um front de batalha, por mais educadas que sejam as pessoas presentes, e criança só contribui pra isso. papel de brigadeiro, balões estourados, copos e mais copos, cenário nada convidativo, a não ser pra uma faxina. Ô palavrinha que dói só de ouvir. Quem dera se sobrasse apenas o resto do jantar pros donos da casa. Além disso, os dias seguintes são fundamentais, os benditos comentários sobre a comida, o ambiente, a música, as pessoas, etc. É a hora de conferir se todos os passos foram seguidos com êxito e, se não, tentar fazer direito da próxima vez. Este 5º e último passo vai determinar se vai (ou não) haver uma próxima vez.

Depois de tudo isso, de toda a entrega e do tempo gasto, depois do desgaste financeiro e, espero eu, depois de ver um trabalho bem feito, porém cansativo, eu tenho mais certeza de que tudo tem dois lados. Mas em alguns casos vale muito a pena lavar a louça no fim da noite. Em alguns casos, que fique claro. Eu gosto muito de festas, mas na casa dos outros. É mais divertido.