domingo, 11 de abril de 2010

Televazio

Hoje é um belo sábado a noite, perfeito pra sair, se jogar na noite, ser feliz, etc & tal. Agora, pra quem, por algum acaso - ou não - do destino, não pode aproveitar todas essas regalias, como eu, infelizmente, o jeito é dormir. E se o sono não vem... A falta de opções me levou até o controle remoto, o que me fez dar conta de uma coisa desastrosa: a tv brasileira não tem mais pra onde descer.

Qual o cardápio que as emissoras oferecem aos afortunados que estão a um passo da depressão por ver uma noite sabatina passar pela janela? Um programa sobre a vida animal - que passa longe de um Discovery e de um NatGeo, e qualitativamente, o que é pior -, um filme repetido depois de um desgastado programa de "humor", mais um filme repetido, festas de famosos, outro filme repetido. Hoje, por exemplo, estrearia uma "revolução" na televisão brasileira, mas, pera lá... ainda dá pra revolucionar a nossa tv? Creio que não! Desde Chacrinha, nada se cria. Até ele copiava, de certa forma. Resultado: decepção. E não foi a primeira e nem será a última. Que revolução, que nada, é um pouco mais do mesmo.

E essa falta de tudo é crônica. Ligar a tv hoje em dia é um risco altíssimo. Não podemos admitir que o declive da programação é apenas noturno e de fim de semana, por que, definitivamente, não é. Nos perdemos no meio de tanta besteira, entre novelas vazias - pleonasmo?! - e filmes inéditos... há 10 anos atrás, realities e programas de vendas, séries enlatadas e humor sem graça. O nível chega ao ponto de pura baixaria, no limiar da escatologia, até. Ratinhos, Márcias e Cristinas, que nos trazem todas as tardes aquilo que o povo gosta. Aliás, esses programas vespertinos que buscam o popular constroem essa imagem, a imagem do "povão". Constroem ou são construídos por ela. Não sei ao certo o que vem primeiro: os Casos de Família ou a massa alienada que se deixa levar pelo entretenimento fácil. Fácil, inversamente proporcional a bom.

Entretanto, há o que se salve dessa barca furada que é a nossa tv aberta. Nesse pântano de cópias e recópias, alguns programas conseguem fazer sucesso sem apelação, e os exemplos são bem restritos. Nesse momento difícil pros cariocas, o jornalismo mostra que vale muito o clic, por mais que, em alguns casos, seja usado pra fins pouco - ou nada - informativos. Além deles, algumas séries, talvez. Programas de aufitório? Hoje se tornaram um balaio de formatos pré-produzidos estrangeiros. Programas de entrevistas? Nada de bom grado que não seja na tv paga.

No humor, a opção das segundas é de primeira. Já que falta criatividade, que ao menos exista inteligência. Inteligência de quem faz e, principalmente, de quem assiste. Como um telespectador crítico e quase descrente, tenho a certeza de que eu, e todos nós, aqui do outro lado da tela, merecemos mais, precisamos de mais. Se a tv, com o seu alcance quase interplanetário, é uma das grandes responsáveis pela construção de toda a humanidade, chegou ao traço, assusta o que o futuro reserva. E, enquanto não aparece um campeão de qualidade, conforme-se com mais um campeão de audiência - o que não é, necessariamente, a mesma coisa.

Ainda tá sem sono? Deixa a tv ligada. A essa hora, não há sonífero melhor do que o Amaury Jr.

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