terça-feira, 13 de abril de 2010

Santo remédio

Se você acordou de mau humor, atrasado, perdeu o busão do colégio, está cada vez mais descrente dos rumos do país, do mundo e da sua vida, e acha que o dia não foi nada legal, aqui vai uma solução muito oportuna. Beije. Beije muito. Beije mesmo. Hoje pode.


Nesse Dia do Beijo não há remédio melhor pra tudo aquilo que lhe incomoda, lhe aflige ou lhe enche o saco. Aliás, não só hoje. Ontem era assim, anteontem idem, e amanhã vai continuar sendo, um beijo tem poderes que muitas palavras não conseguem exercer sobre as pessoas. E eu não falo dos benefícios físicos – os 87168095184 músculos que trabalham na hora de um beijo daqueles –, eu falo dos benefícios interiores. A gente sai revigorado, feliz, pronto pra qualquer trabalho da faculdade, é quase milagroso. Fôlego? Ah, sempre sobra, sempre. Por mais que eu recomende os mais demorados, a duração é o de menos, o beijo tem que ser bom. Seja como for. Beijo bonito a gente vê em novela, vamos combinar!

Em qualquer situação, o que vale não é o ato em si, mas o que leva a ele. Um beijo bem dado é aquele onde rola entrega dos dois lados, com a alma. Pode ser roubado, planejado, o que vale é que seja com muita vontade e, rolando a química, amigo, beija. Quer apimentar? Uma trilha sonora boa sempre cai muito bem. Depois, uns carinh... Melhor parar, hoje o assunto é BEIJO. Quantas lembranças ele nos traz. Nem as ruins são tão ruins, é bom perceber que a prática só ajuda, desde o primeiro acredito que melhoramos muito. Experiência. Até as piores lembranças se amenizam, só pelo fato de ter rolado beijoca. Pode ter sido a última, um flagra, um mico. Foi beijo, pra quê lembrar do lado chato?

Mas o beijo não é exclusividade de casais. Apesar de ser o mais, digamos, hormonal, este é um sinal universal de carinho, afeto e respeito. Ganhar um beijo da mãe que vem, no meio da noite, te cobrir na cama, pra proteger do frio, não há sinal de amor materno mais lindo. Beijinho da vovó, das tias, das amigas – sim, por que não? -, do irmão, do pai. Posso ter certa aversão a esse tipo de carinho com alguém de barba na cara, mas pai é pai. Amor de pai e mãe não tem medida, nem não-me-toques. Faz bem do mesmo jeito.

Sabe, tento imaginar o tempo em que os beijos eram dados a conta-gotas. Não que eu quisesse vivê-lo, mas, a sensação de um beijo dado e, acima de tudo, esperado, deveria ser potencialmente maior do que hoje. Meus pais viveram a juventude dos anos 70, o boom da liberação, devem ter beijado muito. E com razão. As oportunidades não chegam a ser raras, mas encontrar um beijo bem dado e oferecido continua complicado. Acredito que mais do que no tempo dos meus pais. A situação chegou a um ponto de banalidade pouco comum. Tudo hoje virou banal. Não reclamo, longe de mim, fã de carteirinha inveterado, necessitado. Ô vício bom! Isso é apenas uma constatação. Nossos pais viveram um tempo muito bom.

Portanto, se você passou por tudo aquilo que eu citei no início do post, não desista, ainda há tempo. Um parente, uma prima, o(a) namorado(a) ou algo parecido, o espelho, tanto faz. Contanto que te faça sentir bem, beije! Não importa quando, nem onde. Hoje é o dia de ser sem-vergonha mesmo. Beije como se fosse o último... mas não se esqueça de que não é. Mantenha a outra pessoa viva pro próximo Dia do Beijo: amanhã. E pra todos os outros.

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