quarta-feira, 7 de abril de 2010

A arte de informar



Toda profissão, quando digna, merece ser louvada e respeitada. Pode ser um médico competente, um advogado inteligente ou um policial destemido, não importa o quanto ganha ou onde trabalha. Porém, uma profissão em especial – ao menos pra mim – merece um destaque especial. Perdão, errei a palavra. O jornalismo não é profissão, é vocação. E não babo ovo pro jornalismo por ele correr nas minhas veias desde moleque, mas por ser uma função das mais completas. A competência do médico,a inteligência do advogado, a destreza do policial, com mais umas doses de cara de pau e, pronto, está feito um autêntico jornalista. Feito não, quem galga um lugar nesse meio já nasce o querendo.

E tem que querer muito. Visceralmente. Um bom jornalista deve se entregar de corpo e alma no que se dispõe a fazer, correndo o inevitável – e prazeroso – risco de passar o resto dos seus dias cercado de, celulares, computadores e jornais. Não há dia, não há noite, nem sono tranquilo, muito menos horários definidos. A notícia não pode esperar, muito menos sair de férias. O jornalista se transforma em um refém do mundo, todavia o próprio mundo de hoje não é tão malvado com a classe. As informações brotam das paredes, do asfalto, das pessoas. Não se pode reclamar quanto a disponibilidade de captar informações. Agora, repassá-las... Aí entra a questão da vocação. Vocação pela comunicação, ação – ou arte – de comunicar, um dom que pode ser aprimorado com a experiência, não cai como manga verde na cabeça de qualquer um.

Ah, ia esquecendo do item cara de pau. Poucas profissões exigem tanto essa chatice necessária quanto o jornalismo. O que um repórter faz não é simplesmente pegar no ar aquilo que facilmente se percebe. Ele deve sempre correr atrás do novo, daquilo que pode ser relevante o suficiente pra se tornar domínio público. E isto é como o dom da comunicação, não cai feito manga. Correr atrás, um dos principais lemas dessa carreira. Daí a destreza, espécie de eufemismo declarado, cara de pau soa meio forte. Pensando bem, acho que essa expressão se encaixa muito bem. Haja peroba!

Que fique bem claro que isso não justifica, de maneira nenhuma, qualquer falha no serviço, qualquer irresponsabilidade jornalística. Nada pode ser mais importante do que a responsabilidade, o compromisso firmado com a sociedade que é o de informar com precisão e idoneidade. Parece meio incoerente, mas a realidade pode, sem dúvidas, ser manipulada, e essa ideia não pode nem passar perto dos sonhos de um jornalista. Pena que nem todos pensam assim. Há jornalistas e jornalistas. Aqueles fielmente determinados a comunicar o fato e analisá-lo criticamente com total imparcialidade, e os outros que seguem o que seus superiores impõem, e que se dane a tal ética profissional. Na tv, um caso recente entre dois grupos de comunicação megainfluentes – sem nomes, em prol da ética – transformou os telejornais em rinha de galos grandes. As notícias eram munição de armas que pouco atingiram os principais envolvidos, o povo saiu perdendo em qualidade.

O jornalismo ganhou demais com muita gente boa no que faz e fez. Credibilidade é tudo pra quem se encarrega de informar, e exemplos não faltam. De Carlos Nascimento a Heródoto Barbeiro – ainda no rádio e na mídia impressa –, de Boni a Alice-Maria... Falando em Alice-Maria... uma mulher de fibra que, muito jovem, integrou a equipe gênese do maior telejornal desse país. Se algum leitor desse post dicordar da minha opinião e/ou achar que esse é um momento de pura rasgação de seda, que seja! William Bonner é ícone. Comandar o JN é coisa que poucos honrados conseguem. Talvez essa citação tenha sido fruto da minha ambição de chegar ao seu lugar um dia, quem sabe. Outros já nos deixaram, órfãos de seus talentos, herdeiros das suas obras. Salve salve Armando Nogueira!

Se for o seu sonho, assim como é o meu, se firmar nessa carreira, persista. Eu imagino o trabalho que dá fazer serão e não poder cochilar durante uma megacobertura. Entretanto, sem nenhuma hipocrisia, eu, mesmo esgotado, o faria com muito prazer. Prazer que só sente aquele que nunca se imaginou fazendo outra coisa na vida que não fosse trabalhando em uma redação ou nas ruas caçando notícia. Antes eu chegava a me achar audacioso, mas hoje eu estou legalmente amparado pra dizer que, por esse singelo blog, eu já posso me considerar parte do jornalismo. Culpa das estrelas, quem mandou nascer geminiano?! Maktub.

O jornalismo é uma profissão vocação fascinante não apenas por ser meu sonho desde feto. O fascínio vem do que ele proporciona para as pessoas. A função social do jornalismo, quando exercida com dignidade, é fundamental para munir as pessoas de informação de qualidade e para formar cidadãos cada vez mais cientes do que ouvem, do que leem, do que falam. Esse é o poder da comuniação, uma verdadeira arte. A arte de informar.

Um comentário:

Postado por Renata Paes disse...

Ser jornalista realmente é uma vocação. Jornalista precisa ter todos os sentidos apurados, ser e conhecer no mínimo o máximo de informações que poder captar. : ) Parabéns