sábado, 24 de abril de 2010

Capital do Brasil e dos brasileiros






Na última quarta o sol nasceu mais bonito no Planalto Central. Não, nenhum politico corrupto foi cassado nem a lei da Ficha Limpa foi aprovada e sancionada pelo presidente não. Aliás, não teve nada de político, nem deveria ter. O dia era de festa, da comprovação de que Brasília deu certo. 50 anos de uma terra que nasceu de um sonho e vingou. No meio do meio do nada, uma cidade diferente de qualquer outra, bonita como nenhuma outra, feita por gente de verdade, como qualquer outra.

A capital federal sofre uma injustiça de certa forma justificada por senhores de terno, gravata e colarinho branco que, sem um pingo de vergonha, fazem de Brasília os seus grandes caixas eletrônicos. Alguns sinônimos de Brasília: falcatrua, roubalheira, pizza, corupção. Decepção. O povo brasiliense merece mais, assim como todos os brasileiros que olham pros prédios públicos, com os desenhos inconfundivelmente "niemeyerianos", com desconfiança e certa resignação. O que esperar dos nossos governantes supremos? Mas isso não pode, nem deve justificar a má impressão que a maioria dos brasileiros tem da cidade candanga. Brasília é bem mais do que isso.

Seria incorente com todo o passado dessa terra reduzi-la a adjetivos pejorativos. Desde que Juscelino viu a necessidade de integrar o país tirando a capital do litoral, Brasília já seria uma obra histórica. Fazer brotar um distrito federal da aridez do cerrado, a lá Vegas, não era - e ainda não se tornou - tarefa simples. Pra passar pro papel o faraonismo de JK, Oscar Niemeyer. Simplesmente um gênio das linhas. Retas, curvas, não importa. Lúcio Costa, o concretizador da genialidde. Sem ele, a capital não sairia do papel. Sem ele e sem muita, mas muita gente mesmo, de todas as partes desse Brasilzão. Todos se encontrando pra, debaixo de sol e chuva, botarem de pé aquela loucura planejada. Candangos que fizeram a história. daí pra frente, o povo se encarregou de dar cara de cidade àquela nova terra,cheia de esperança.

O povo de Brasília é cosmopolita como poucos por aqui. Cearenses, gaúchos, cariocas, amazonenses, goianos, todos juntos numa cidade mais que plural. A cultura brasiliense é uma síntese de todas as culturas brasileiras, cada forasteiro que se encaixou perfeitamente nesse quebra-cabeças humano trouxe de sua terra natal um ingrediente pra formação da identidade do lugar. Assim como hoje ainda o fazem. Culinária de dar água na boca, música de todos os tipos, pra todos os gostos. O rock que retratou o Brasil de verdade nasceu lá. Um Aborto do medo em meio aos tempos de ferro da ditadura, que contagiou um Legião de legiões. O sertanejo, a febre nacional. Nada mais justo, afinal Brasília é Centro Oeste. Sem preconceitos, nem preferências. E pra quem pensa que a noite de Brasília não existe, existe muito. Vários pontos muito interessantes pra curtir, pra viver. O Paranoá é mais que um lago, é um reduto de gente que gosta de viver bem. Uma das melhores cidades pra se viver, quem diria, há pouco mais de meio século era um nada.

E esse nada nasceu da vontade e da esperança de um povo guerreiro e lutador, que nunca desistiu de buscar o melhor pra si e pros seus próximos. Hoje a luta dos cidadãos brasilienses é para que o resto do país deixe de enxergar a sua cidade como antro de desonestidade. A maioria não merece pagar pelos erros - muitos erros, por sinal - de meia dúzia de ratos. Brasília é a capital do Brasil, mas, acima de tudo, é a capital dos brasileiros.




sexta-feira, 23 de abril de 2010

Muito além do Monte Pascoal

22 de abril de 1500. Um maluco português veio com a cara, a coragem e 13 barcos, atravessaram um oceano sem saber (?) e, pimba, avistaram um Monte. Monte de gente nua, monte de bichos estranhos e árvores monumentais, monte de surpresas. Não é de hoje que o Brasil surpreende.


Quando Cabral chegou com sua comitiva, descobrindo (?) essa terra tupiniquim, povoada por pessoas coradas e desnudas, andando livremente por entre cobras e macacos, mal ele sabia onde chegaríamos. Talvez nem nós mesmos. Nesses séculos, experimentamos diversas vidas. Colônia, a culpa, para muitos, da nossa eterna dependência e que nos deixou por muito tempo reduzidos a simples fornecedores de riquezas aos portugas. Mas já fomos um império, ó pá! Bem melhor pra sobrevivência do nosso patriotismo acreditar que o império foi mais do que uma hospedagem de luxo aos Reais de além-mar. Até que nos tornamos independentes. Será mesmo? Tudo bem, por mais que hoje o Brasil viva o que pode ser o seu melhor momento internacional, é ingenuidade demais pensar que aquele 7 de setembro representou algo mais do que uma encenação histórica que resultou em belo quadro.

Viva a República! Civis, militares, civis, enfim. Passamos por bons e maus bocados nos últimos tempos. Sofremos com censuras e AI’s prendendo nossos pés, nossos braços, nossas vozes. Vozes que até chutaram um presidente pela porta da frente do Planalto. Sim, nossos jovens fizeram sua parte na história, por mais que hoje as coisas sejam bem mais diferentes. Falando nos jovens, os nossos tem um futuro privilegiado pela frente – ao menos aqueles que sobrevivem aos vícios do século 21, a violência e a eles mesmos. Daqui a pouco estaremos sediando uma Copa do Mundo, vejam só. Depois, Olimpíadas. Parece que o país do futuro de JK começa a virar o país do presente, 50 anos depois. Parece. Estamos no top 10 da economia global, somos a grande estrela pop dos anos 2000, o patinho feio de ontem que virou um belo e vistoso cisne, porém... Para aqueles que se acham no direito de voar num céu nunca dantes tão azul como o brasileiro, cuidado. A queda ainda pode ser feia.

Há 10 anos passamos por uma crise sem precedentes, nossa moeda virou mero papel, e eu nem falei do crash de dois anos atrás – dessa o Brasil aparentemente saiu com escoriações e nada mais. Ainda somos um país que não reconhece o devido valor dos seus. Nossos índios não são respeitados como devem, estão cada vez mais sem espaço, perdendo pro capitalismo e pro preconceito dos tempos modernos. Os negros precisam de cotas pra entrar nas universidades públicas, ditas “pra todos”. Um país que não sabe lidar com a educação. Nem com a saúde, com o trânsito, sistema penal, etc e tal. Meu desejo é que, percebendo tudo isso, eu não tenha que olhar pra esse início de século daqui a uns 50 anos e chamá-lo de “mais um milagre econômico”. Não é desse tipo de milagre que nós precisamos. O fim da corrupção nos corredores da política, por exemplo, é mais urgente. E mais inatingível.

Cabral não imaginaria tudo isso, entretanto ele não viveu o suficiente pra conhecer o que de lindo o Brasil que ele “achou” tinha de fato, aquilo que ia além do Monte Pascoal. Somos um poço bem fundo de culturaS. No plural. Aliás, esse é o adjetivo mais correto ao se falar de Brasil. O que seriamos se não fossemos plurais? Juntando o nosso carimbó com o forró das bandas do sertão, mais o rock brasiliense, o pop do sudeste e o sertanejo, com axé a gosto, dá pra fazer uma boa festa. Uma só não, várias festas. Festa da Uva, de Aparecida, o Círio de Nazaré, além das Juninas e Natalinas. Isso sem falar do carnaval, ou melhor, dos carnavais. Terra onde se com muito bem, obrigado. Banquetes de alegria e perseverança. Ser brasileiro é não desistir nunca. A garra de um povo que luta, acorda cedo e dorme tarde, enfrenta viagens diárias – e cansativas – de casa pro trabalho, aqueles que lutam pelo direito da educação, acreditando que ela pode ser não o único, porém o mais digno e recompensador caminho para o sucesso. Essa país é feito por gente que rala. Ainda existem pessoas honestas, integras, direitas nesse país, por mais que soe como surpresa, como uma luz no fim de um túnel que pode escurecer mais, mas nunca se fecha. Essa é a luz que guia esse povo de bem. Se há quem arranhe a nossa imagem, há mais gente ainda disposta a limpá-la.

A nossa Terra de Santa Cruz é muito mais do que imaginavam aqueles desbravadores portugueses. Não somos explorados como antes e somos reconhecidos como nunca. Nação perfeita? Quanta utopia. Prefiro acreditar que as adversidades existem pra serem corrigidas, sanadas. E é isso que nós, brasileiros de bem, fazemos muito. Até porque o Brasil não combina com moleza, nunca combinou. Crescemos pelo nosso trabalho, pela nossa vontade de mostrar pro mundo que crescemos, que chegamos, que somos capazes. E ai de quem duvidar. E, se a humanidade deixar, que venham mais 5 séculos, a gente encara.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Santo remédio

Se você acordou de mau humor, atrasado, perdeu o busão do colégio, está cada vez mais descrente dos rumos do país, do mundo e da sua vida, e acha que o dia não foi nada legal, aqui vai uma solução muito oportuna. Beije. Beije muito. Beije mesmo. Hoje pode.


Nesse Dia do Beijo não há remédio melhor pra tudo aquilo que lhe incomoda, lhe aflige ou lhe enche o saco. Aliás, não só hoje. Ontem era assim, anteontem idem, e amanhã vai continuar sendo, um beijo tem poderes que muitas palavras não conseguem exercer sobre as pessoas. E eu não falo dos benefícios físicos – os 87168095184 músculos que trabalham na hora de um beijo daqueles –, eu falo dos benefícios interiores. A gente sai revigorado, feliz, pronto pra qualquer trabalho da faculdade, é quase milagroso. Fôlego? Ah, sempre sobra, sempre. Por mais que eu recomende os mais demorados, a duração é o de menos, o beijo tem que ser bom. Seja como for. Beijo bonito a gente vê em novela, vamos combinar!

Em qualquer situação, o que vale não é o ato em si, mas o que leva a ele. Um beijo bem dado é aquele onde rola entrega dos dois lados, com a alma. Pode ser roubado, planejado, o que vale é que seja com muita vontade e, rolando a química, amigo, beija. Quer apimentar? Uma trilha sonora boa sempre cai muito bem. Depois, uns carinh... Melhor parar, hoje o assunto é BEIJO. Quantas lembranças ele nos traz. Nem as ruins são tão ruins, é bom perceber que a prática só ajuda, desde o primeiro acredito que melhoramos muito. Experiência. Até as piores lembranças se amenizam, só pelo fato de ter rolado beijoca. Pode ter sido a última, um flagra, um mico. Foi beijo, pra quê lembrar do lado chato?

Mas o beijo não é exclusividade de casais. Apesar de ser o mais, digamos, hormonal, este é um sinal universal de carinho, afeto e respeito. Ganhar um beijo da mãe que vem, no meio da noite, te cobrir na cama, pra proteger do frio, não há sinal de amor materno mais lindo. Beijinho da vovó, das tias, das amigas – sim, por que não? -, do irmão, do pai. Posso ter certa aversão a esse tipo de carinho com alguém de barba na cara, mas pai é pai. Amor de pai e mãe não tem medida, nem não-me-toques. Faz bem do mesmo jeito.

Sabe, tento imaginar o tempo em que os beijos eram dados a conta-gotas. Não que eu quisesse vivê-lo, mas, a sensação de um beijo dado e, acima de tudo, esperado, deveria ser potencialmente maior do que hoje. Meus pais viveram a juventude dos anos 70, o boom da liberação, devem ter beijado muito. E com razão. As oportunidades não chegam a ser raras, mas encontrar um beijo bem dado e oferecido continua complicado. Acredito que mais do que no tempo dos meus pais. A situação chegou a um ponto de banalidade pouco comum. Tudo hoje virou banal. Não reclamo, longe de mim, fã de carteirinha inveterado, necessitado. Ô vício bom! Isso é apenas uma constatação. Nossos pais viveram um tempo muito bom.

Portanto, se você passou por tudo aquilo que eu citei no início do post, não desista, ainda há tempo. Um parente, uma prima, o(a) namorado(a) ou algo parecido, o espelho, tanto faz. Contanto que te faça sentir bem, beije! Não importa quando, nem onde. Hoje é o dia de ser sem-vergonha mesmo. Beije como se fosse o último... mas não se esqueça de que não é. Mantenha a outra pessoa viva pro próximo Dia do Beijo: amanhã. E pra todos os outros.

Músicas pra Pensar VI - Hino Nacional Brasileiro

No dia do Hino Nacional Brasileiro, o mais lindo do planeta, sem nenhuma modéstia, seria arrogante tentar escrever qualquer coisa sobre. Então, sem ocupar mais espaço, separem 3 minutos dos seus preciosos tempos e, nem precisam cantar. Apenas leiam e se orgulhem de ser musicalmente representados por uma obra prima. Três, dois, um...





OUVIRAM DO IPIRANGA AS MARGENS PLÁCIDAS

DE UM POVO HERÓICO O BRADO RETUMBANTE,

E O SOL DA LIBERDADE, EM RAIOS FÚLGIDOS,,

BRILHOU NO CÉU DA PÁTRIA NESSE INSTANTE.

SE O PENHOR DESSA IGUALDADE

CONSEGUIMOS CONQUISTAR COM BRAÇO FORTE,

EM TEU SEIO, Ó LIBERDADE,

DESAFIA O NOSSO PEITO A PRÓPRIA MORTE!



Ó PÁTRIA AMADA,

IDOLATRADA,

SALVE! SALVE!



BRASIL, UM SONHO INTENSO, UM RAIO VÍVIDO

DE AMOR E DE ESPERANÇA À TERRA DESCE,

SE EM TEU FORMOSO CÉU, RISONHO E LÍMPIDO,

A IMAGEM DO CRUZEIRO RESPLANDECE.

GIGANTE PELA PRÓPRIA NATUREZA,

ÉS BELO, ÉS FORTE, IMPÁVIDO COLOSSO,

E O TEU FUTURO ESPELHA ESSA GRANDEZA.



TERRA ADORADA,

ENTRE OUTRAS MIL,

ÉS TU,BRASIL,

Ó PÁTRIA AMADA!

DOS FILHOS DESTE SOLO ÉS MÃE GENTIL,

PÁTRIA AMADA,

BRASIL!



II

DEITADO ETERNAMENTE EM BERÇO ESPLÊNDIDO,

AO SOM DO MAR E À LUZ DO CÉU PROFUNDO,

FULGURAS, Ó BRASIL, FLORÃO DA AMÉRICA,

ILUMINADO AO SOL DO NOVO MUNDO!

DO QUE A TERRA MAIS GARRIDA,

TEUS RISONHOS, LINDOS CAMPOS TÊM MAIS FLORES;

"NOSSOS BOSQUES TEM MAIS VIDA,"

"NOSSA VIDA" NO TEU SEIO "MAIS AMORES".



Ó PÁTRIA AMADA,

IDOLATRADA,

SALVE! SALVE!.



BRASIL, DE AMOR ETERNO SEJA SÍMBOLO

O LÁBARO QUE OSTENTAS ESTRELADO,

E DIGA O VERDE-LOURO DESSA FLÂMULA

-PAZ NO FUTURO E GLÓRIA NO PASSADO.

MAS, SE ERGUES DA JUSTIÇA A CLAVA FORTE,

VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA,

NEM TEME, QUEM TE ADORA, A PRÓPRIA MORTE.



TERRA ADORADA,

ENTRE OUTRAS MIL,

ÉS TU, BRASIL,

Ó PÁTRIA AMADA!

DOS FILHOS DESTE SOLO ÉS MÃE GENTIL,

PÁTRIA AMADA,

BRASIL!

domingo, 11 de abril de 2010

Televazio

Hoje é um belo sábado a noite, perfeito pra sair, se jogar na noite, ser feliz, etc & tal. Agora, pra quem, por algum acaso - ou não - do destino, não pode aproveitar todas essas regalias, como eu, infelizmente, o jeito é dormir. E se o sono não vem... A falta de opções me levou até o controle remoto, o que me fez dar conta de uma coisa desastrosa: a tv brasileira não tem mais pra onde descer.

Qual o cardápio que as emissoras oferecem aos afortunados que estão a um passo da depressão por ver uma noite sabatina passar pela janela? Um programa sobre a vida animal - que passa longe de um Discovery e de um NatGeo, e qualitativamente, o que é pior -, um filme repetido depois de um desgastado programa de "humor", mais um filme repetido, festas de famosos, outro filme repetido. Hoje, por exemplo, estrearia uma "revolução" na televisão brasileira, mas, pera lá... ainda dá pra revolucionar a nossa tv? Creio que não! Desde Chacrinha, nada se cria. Até ele copiava, de certa forma. Resultado: decepção. E não foi a primeira e nem será a última. Que revolução, que nada, é um pouco mais do mesmo.

E essa falta de tudo é crônica. Ligar a tv hoje em dia é um risco altíssimo. Não podemos admitir que o declive da programação é apenas noturno e de fim de semana, por que, definitivamente, não é. Nos perdemos no meio de tanta besteira, entre novelas vazias - pleonasmo?! - e filmes inéditos... há 10 anos atrás, realities e programas de vendas, séries enlatadas e humor sem graça. O nível chega ao ponto de pura baixaria, no limiar da escatologia, até. Ratinhos, Márcias e Cristinas, que nos trazem todas as tardes aquilo que o povo gosta. Aliás, esses programas vespertinos que buscam o popular constroem essa imagem, a imagem do "povão". Constroem ou são construídos por ela. Não sei ao certo o que vem primeiro: os Casos de Família ou a massa alienada que se deixa levar pelo entretenimento fácil. Fácil, inversamente proporcional a bom.

Entretanto, há o que se salve dessa barca furada que é a nossa tv aberta. Nesse pântano de cópias e recópias, alguns programas conseguem fazer sucesso sem apelação, e os exemplos são bem restritos. Nesse momento difícil pros cariocas, o jornalismo mostra que vale muito o clic, por mais que, em alguns casos, seja usado pra fins pouco - ou nada - informativos. Além deles, algumas séries, talvez. Programas de aufitório? Hoje se tornaram um balaio de formatos pré-produzidos estrangeiros. Programas de entrevistas? Nada de bom grado que não seja na tv paga.

No humor, a opção das segundas é de primeira. Já que falta criatividade, que ao menos exista inteligência. Inteligência de quem faz e, principalmente, de quem assiste. Como um telespectador crítico e quase descrente, tenho a certeza de que eu, e todos nós, aqui do outro lado da tela, merecemos mais, precisamos de mais. Se a tv, com o seu alcance quase interplanetário, é uma das grandes responsáveis pela construção de toda a humanidade, chegou ao traço, assusta o que o futuro reserva. E, enquanto não aparece um campeão de qualidade, conforme-se com mais um campeão de audiência - o que não é, necessariamente, a mesma coisa.

Ainda tá sem sono? Deixa a tv ligada. A essa hora, não há sonífero melhor do que o Amaury Jr.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A arte de informar



Toda profissão, quando digna, merece ser louvada e respeitada. Pode ser um médico competente, um advogado inteligente ou um policial destemido, não importa o quanto ganha ou onde trabalha. Porém, uma profissão em especial – ao menos pra mim – merece um destaque especial. Perdão, errei a palavra. O jornalismo não é profissão, é vocação. E não babo ovo pro jornalismo por ele correr nas minhas veias desde moleque, mas por ser uma função das mais completas. A competência do médico,a inteligência do advogado, a destreza do policial, com mais umas doses de cara de pau e, pronto, está feito um autêntico jornalista. Feito não, quem galga um lugar nesse meio já nasce o querendo.

E tem que querer muito. Visceralmente. Um bom jornalista deve se entregar de corpo e alma no que se dispõe a fazer, correndo o inevitável – e prazeroso – risco de passar o resto dos seus dias cercado de, celulares, computadores e jornais. Não há dia, não há noite, nem sono tranquilo, muito menos horários definidos. A notícia não pode esperar, muito menos sair de férias. O jornalista se transforma em um refém do mundo, todavia o próprio mundo de hoje não é tão malvado com a classe. As informações brotam das paredes, do asfalto, das pessoas. Não se pode reclamar quanto a disponibilidade de captar informações. Agora, repassá-las... Aí entra a questão da vocação. Vocação pela comunicação, ação – ou arte – de comunicar, um dom que pode ser aprimorado com a experiência, não cai como manga verde na cabeça de qualquer um.

Ah, ia esquecendo do item cara de pau. Poucas profissões exigem tanto essa chatice necessária quanto o jornalismo. O que um repórter faz não é simplesmente pegar no ar aquilo que facilmente se percebe. Ele deve sempre correr atrás do novo, daquilo que pode ser relevante o suficiente pra se tornar domínio público. E isto é como o dom da comunicação, não cai feito manga. Correr atrás, um dos principais lemas dessa carreira. Daí a destreza, espécie de eufemismo declarado, cara de pau soa meio forte. Pensando bem, acho que essa expressão se encaixa muito bem. Haja peroba!

Que fique bem claro que isso não justifica, de maneira nenhuma, qualquer falha no serviço, qualquer irresponsabilidade jornalística. Nada pode ser mais importante do que a responsabilidade, o compromisso firmado com a sociedade que é o de informar com precisão e idoneidade. Parece meio incoerente, mas a realidade pode, sem dúvidas, ser manipulada, e essa ideia não pode nem passar perto dos sonhos de um jornalista. Pena que nem todos pensam assim. Há jornalistas e jornalistas. Aqueles fielmente determinados a comunicar o fato e analisá-lo criticamente com total imparcialidade, e os outros que seguem o que seus superiores impõem, e que se dane a tal ética profissional. Na tv, um caso recente entre dois grupos de comunicação megainfluentes – sem nomes, em prol da ética – transformou os telejornais em rinha de galos grandes. As notícias eram munição de armas que pouco atingiram os principais envolvidos, o povo saiu perdendo em qualidade.

O jornalismo ganhou demais com muita gente boa no que faz e fez. Credibilidade é tudo pra quem se encarrega de informar, e exemplos não faltam. De Carlos Nascimento a Heródoto Barbeiro – ainda no rádio e na mídia impressa –, de Boni a Alice-Maria... Falando em Alice-Maria... uma mulher de fibra que, muito jovem, integrou a equipe gênese do maior telejornal desse país. Se algum leitor desse post dicordar da minha opinião e/ou achar que esse é um momento de pura rasgação de seda, que seja! William Bonner é ícone. Comandar o JN é coisa que poucos honrados conseguem. Talvez essa citação tenha sido fruto da minha ambição de chegar ao seu lugar um dia, quem sabe. Outros já nos deixaram, órfãos de seus talentos, herdeiros das suas obras. Salve salve Armando Nogueira!

Se for o seu sonho, assim como é o meu, se firmar nessa carreira, persista. Eu imagino o trabalho que dá fazer serão e não poder cochilar durante uma megacobertura. Entretanto, sem nenhuma hipocrisia, eu, mesmo esgotado, o faria com muito prazer. Prazer que só sente aquele que nunca se imaginou fazendo outra coisa na vida que não fosse trabalhando em uma redação ou nas ruas caçando notícia. Antes eu chegava a me achar audacioso, mas hoje eu estou legalmente amparado pra dizer que, por esse singelo blog, eu já posso me considerar parte do jornalismo. Culpa das estrelas, quem mandou nascer geminiano?! Maktub.

O jornalismo é uma profissão vocação fascinante não apenas por ser meu sonho desde feto. O fascínio vem do que ele proporciona para as pessoas. A função social do jornalismo, quando exercida com dignidade, é fundamental para munir as pessoas de informação de qualidade e para formar cidadãos cada vez mais cientes do que ouvem, do que leem, do que falam. Esse é o poder da comuniação, uma verdadeira arte. A arte de informar.

sábado, 3 de abril de 2010

Ressuscitar

Estamos vivendo aquele que parece ser o período mais importante não somente para a Igreja Católica, mas para o cristianismo como um todo. Todos nascem, isso é fato, porém, morrer por um povo inteiro e voltar, ainda por cima, não é pra qualquer um. É pra apenas Um. Vivemos a Páscoa, que antes de ser entendida como apenas o domingo onde nos empaturramos de chocolate e falsos valores, é – ou pelo menos deveria ser – a semana ideal para podermos parar um pouco e refletir sobre o que somos, onde estamos, o que fazemos e o que deixamos de fazer. Nosso tempo fez tudo isso se transformar em idealismo, utopia, missão impossível. Pra muitos esse é apenas o feriadão onde se come chocolate, mas há exceções. Deve haver.


O significado maior desses dias foi se perdendo por difusão. Difusão de novas mídias, difusão de novos costumes, difusão da alienação. Quem liga que na Páscoa é comemorada a ressurreição de Cristo?! Quem liga pras Sete Palavras?! O que importa mesmo é o feriadão, claro.Dois dias de folga, que beleza! Eu mesmo comemoro, não por falta de dias facultativos – no Brasil chega a ser ingratidão reclamar do calendário – mas por falta de tempo livremesmo. Entendo perfeitamente o espanto nos rostos da mminha mãe, da minha vó e das outras pessoas que são do tempoem que não se admitia um sussurro durante as 3 horas da agonia. Agonia das famílias que, por falta de esforço ou dequalquer outra coisa, não consegue aproveitar o que de mais útil esse fim de semana oferece: a oportunidade de reunião, de reflexão, de acertos. A família deixou de ser prioridade pra grande parte das pessoas, majoritariamente dos jovens, que não veem razão nenhuma para ficar presos em casa, numa obrigação “penosa” de de rezar ou, simplesmente, estar com seus parentes. Com internet e amigos com casa na praia, realmente a família vira obrigação. Quem diria!

Hoje é, de certa forma, perigoso – eu diria – a recomendada reflexão familiar. A intenção d e se entender como pessoas e como instituição que ainda tenta se manter forte cai por terra, em alguns casos se tornando pura e banal lavagem de roupa suja. Mas isto não deixa de ser necessário. Acredito que não somente se tratando de família, e sim de mundo como um todo. Todos nós precisamos rever nossos valores, descobri-los, reconstrui-los, mudá-los. Hoje pode começar em casa e, se os resultados forem positivos, por quê não continuar esta tarefa fora dela? A sociedade precisa de uma análise. Princípios como solidariedade, confiança, respeito, honestidade, tão esquecidos e afastados – infelizmente – da lista de prioridades dos homens (homem = raça), precisam ser lembrados e, mais que isso, praticados. Só lembrando que o Dia da Mentira acabou faz tempo.

Quanto mais a humanidade me espanta, mais eu acredito com força que nós precisamos de uma ressurreição. Não só a essência do período pascal, mas as essências da vida estão sendo perdidas, preteridas pela nossa geração 3D e, cada vez mais, nós estamos precisando nos reciclar, renascer. Renascer mentalmente, renascer sentimentalmente, renascer na família, no trabalho, na escola, universidade, enfim. Renascer espiritualmente. E se ainda achamos que precisamos de exemplos, o maior de todos está sempre perto – nesses dias ele é mais evidente. Nada de discursinho religioso, é apenas uma constatação. De que a sociedade deve seguir exemplos, precisamos deles, de estímulos de algum lugar. Aproveite esse domingo não só pra aumentar a sua massa corpporal mas, principalmente, pra aumentar sua massa essencial. Reveja seus valores, aproveite sua família, peça, agradeça, renasça. Ressuscite.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Efeito Pinóquio

Primeiro de abril. Ô dia! Até você ler esse post tanta coisa já “aconteceu” hoje, né? A passagem do ônibus caiu pela metade, o Vasco foi campeão, sua roupa está suja, a Hebe morreu, o Faustão morreu, a Xuxa morreu. Meio mundo morreu. Se você não gosta de ser tapeado, amigo, nem saia do quarto. Do quarto, pois até mesmo em casa você pode ser alvo das inevitáveis. É normal, quem nunca caiu nas armadilhas prontas do Dia da Mentira?


Hoje pode ser um dos dias mais divertidos do ano, pra quem tem o dom divino de mentir por esporte. Quem não tem, sofre muito. Ao acordar, temos que nos despir totalmente de inocência e incorporar um Serginho Mallandro, antes que algum incorporado lhe faça de vítima. E se depois de ler todo isso você estiver pensando em se isolar das pessoas e ficar o dia inteiro em frente ao computador pra escapar das peças pregadas, eu sinceramente não aconselho. Na verdade já passei por vários sustos on-line. Lembram do Youtube no ano passado? E o pior é que as mentiras da internet parecem menos mentirosas, e nós, por tabela, parecemos mais enganáveis.



Se não podemos confiar na internet, imagina nas pessoas? Confesso que esse post é, de certa forma, um escudo contra qualquer gracinha, como as do ano passado que me traumatizaram, mas isso não vem o caso... Mas muitos escudos se tornam inúteis quando uma amiga sua chega chorando e dizendo que perdeu uma tia querida ou um ídolo pop. Quantas vezes você já ouviu o boato sobre a morte de alguém bem famoso? Mas alguns boatos podem ser quase infartantes. Imagino alguém, nos anos 70, correndo desesperadamente, aos berros, perguntando se as pessoas já sabem que os soviéticos autorizaram o lançamento de mísseis contra os Estados Unidos.

E quem pensa que o Dia da Mentira é apenas uma grande palhaçada corre o risco de estar enganado. Os militares golpistas de 64 não aceitariam que esse evento tão importante pra eles chegasse ao povo como mais uma grande chacota, e mesmo sendo efetivado na madrugada do dia 1º, a história registra o dia 31 de março como o pontapé inicial da fase mais negra da nossa história. Antes fosse só mais uma chacota. E as mentiras que esperamos tanto que sejam verdade que acreditamos nisso? “Universidades públicas dão vagas pra todos”, “Belém vai receber a Copa do Mundo”, “Pílula da Honestidade reduz drasticamente a corrupção no Brasil”. Antes fossem verdade.

Mas daqui a pouco o Primeiro de Abril vira Dois, acaba. Mas não pra todo mundo. Alguns tomam pra suas vidas o espírito de Pinóquio de hoje, e eu não falo dos atores, que fazem isso por profissão. Falo dos excelentíssimos, que fazem isso na profissão, o que é diferente. Mas eu não quero ficar enfadonho falando da nossa corrupção, que já virou rotina. A corrupção em si e o ato de falar mal dela viraram rotina. Mas não posso vir aqui com um discurso hipocritamente moralista contra o maléfico ato da mentira. Quem nunca mentiu? Quem nunca precisou mentir? O mundo nos obriga a isso. Não precisamos generalizar, é claro. Então, se você não devolveu o troco do lanche do seu amigo, não precisa se martirizar, você não é necessariamente desonesto. Aliás, penso que a desonestidade é conseqüência da compulsão pelo fingimento. Basta não fazer como o Úmero, que viveu uma mentira e até morreu uma mentira. Mas se o dia ainda não acabou, corra! Aproveite e minta, sem compromisso. Hoje pode.