quinta-feira, 11 de março de 2010

Passados bem passados



Ontem eu resolvi procurar fotos antigas, bem antigas, pra postar no meu Orkut, só por postar mesmo. E, vendo nos álbuns tantas partes da minha vida, todas as fases que eu superei até chegar no que eu sou agora, bateu uma emoção, uma nostalgia que machuca, mas ao mesmo tempo conforta. Veio uma saudade necessária, pois a saudade nada mais é do que aquilo que resta dos melhores momentos, das melhores coisas, das melhores pessoas que já cruzaram com você. E junto com essa saudade veio também uma sensação de que o passado é a nossa marca, a nossa contribuição pro mundo, da nossa passagem por ele. Cada expressão, cada sorriso, em cada fotografia, nos faz voltar a momentos inesquecíveis.

Não posso ir muito longe, é verdade – nem cheguei aos 18 -, mas eu já me considero feliz por ter um passado e de ter participado de muitos outros. É bastante recompensador constatar que fomos felizes e não sabíamos. Por mais que isso nos doa um pouquinho, é normal. E nossas vidas pretéritas, registradas ou não em fotos, vídeos, livros, ficam guardadas em nós, o que é mais valioso. Mas ainda sim a saudade que bate ao ver fotos antigas é insuperável, é como ouvir sua aprovação no vestibular pela rádio. As sensações são diferentes, é mais intenso, mais saudoso. Até as auto-críticas são mais gostosas. Afinal de contas, é muito bom ver fotos suas de suspensório, de vestidinho cor-de-rosa e com sunguinhas de super-heróis. Sentir vergonha? De que? Vai dizer que você aí usava terno e gravata com 2 anos?!

E se tem outro barato em relembrar fotos da infância, esse barato é ver como seus amigos eram há anos atrás. Sua amiga “paty” de hoje se lambuzando de brigadeiro com 5 anos, seu amigo “emo” que jogou bola com você, ou até mesmo aquele moleque que hoje é muito legal longe de você, com quem você subia em árvores, pulava muros, andava de bicicleta. Momentos que não voltam, pois a magia da infância fica na infância, as pessoas desistem de não crescer um dia, mudamos. Só não mudam as lembranças que ficam desse tempo. A primeira namoradinha, o primeiro amor platônico, quem nunca teve? Quem nunca ficou “de mal” e depois esqueceu? Se existe um Manual da Vida Ideal, nele está escrito: “Todo ser humano que se preze DEVE passar por fases da vida, tais como FAZER XIXI NA CAMA, GRUDAR CHICLETE EMBAIXO DA CARTEIRA, FICAR DE CASTIGO NA AULA, TER UMA PAIXÃO, etc e tal”.

Ver como crescemos, como nossa família cresceu, nada pode pagar. Constatações do tipo: “Caramba, não é que eu pareço mesmo com meu pai” são totalmente normais, involuntárias. Perceber que um dia você não teve barba na cara, que podia jogar bola sem se cansar (e ainda pedir mais), que você ainda usava diários cheios do nome do “príncipe encantado”, que você um dia acreditou nisso, é muito legal. É muito legal ter noção dos nossos passados e, mais legal ainda é perceber que nós vivemos, que nós aproveitamos e que fomos felizes. Ter um passado todos podem. Agradecer por ele existir e ser tão marcante, isso infelizmente não é sorte pra todos. Pra mim, com toda a certeza, É!




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