terça-feira, 30 de março de 2010

O motor

Hoje, 30 de março, é o Dia Mundial da Juventude. E falar de juventude é falar de luta, falar de transformação, falar de motor. Motor da sociedade. Como eu tenho sorte de me encaixar nesse termo! Os jovens são sim os termômetros de um povo, de um sistema, de um lugar. Afinal de contas, nós somos aqueles que podemos, mais do que qualquer um, mudar uma situação, somos a cara da mudança. Quando falamos de dezembro de 1992 no Brasil, não vemos um grupo de engravatados cheios de pastas e documentos, correndo pelos saguões do Planalto pra tentar depor o presidente. Vemos sim uma garotada que, percebendo que o presente podre sujaria um futuro que seria deles, foi às ruas, pintados de verde e amarelo, gritando “Fora, Presidente!”, sem medo nenhum de uma represália autoritária, digna de uma ditadura que havia terminado poucos anos antes.




No mundo, os jovens foram responsáveis por momentos históricos, como Maio de 68, onde os estudantes franceses tomaram as universidades, picharam os muros da Sorbonne, enfrentaram a polícia, contra a política educacional do governo Charles de Gaulle, mas que cresceu baseado no Marxismo e se tornou uma resposta a quaisquer modos de repressão humana. A revolução que os jovens propunham deveria ser diferente: não bastava mudar a política ou a economia, era preciso também mudar o humor, as mentes e os corações. As frases grafitadas nos muros das universidades deixavam claras suas intenções: "É proibido proibir", "Esta noite, a imaginação tomou o poder", "Sejamos realistas, exijamos o impossível".



Ainda nos anos 60, auge da efervescência de movimentos que defendiam um mundo melhor sob a ótica juvenil, a música se mostrou um campo fértil. Woodstock, a libertação! Jimi, Janis, The Who, 3 dias onde as idéias, as vontades e os desejos de uma geração voaram de um sítio para o mundo. A Era de Aquário de que tanto se falava, o paraíso prometido! Pena que eles erraram. Estamos vivendo a Era de Aquário, mas a paz nos parece cada vez mais longe, e o tal paraíso se torna cada dia mais um sonho, uma esperança. E nada mais. Olhando pro nosso umbigo, nos anos 60 surgiu uma Guarda muito Jovem, transformando completamente a imagem de nossos adolescentes. Os topetes se tornavam cada vez menos rebeldes. Tropicália, Canções de Protesto... mesmo reprimidos, fizeram sua parte. Chocaram!

Mas, acho que estamos perdendo nossa força como grupo, como raça jovem. Pode ser um certo ceticismo, mas eu vejo nos garotos e garotas de hoje uma alienação que bloqueia, de certa forma, o senso crítico deles. Sou um garoto ainda, sou completamente ciente disso, mas não consigo enxergar o brilho nos olhos, a sede de mudanças, que eu tenho certeza que existiam nas gerações anteriores, mesmo não as tendo vivido. Cada vez mais parece que estamos nos acomodando, como se tivéssemos outras coisas mais importantes pra nos preocupar. E quais são essas coisas, essas causas? Temos alguma causa?

É uma pena constatar que a internet, revistas sem nenhum conteúdo e novelinhas vazias sejam as novas paixões da moçada,e que a causa mor dos últimos meses seja eliminar o Dourado do BBB. E eu também sou moçada, não to sendo hipócrita ou me eximindo de culpa, pois eu confesso que o marxismo não corre com tanta força em minhas veias. Se parecer crítica, que seja, mas o mundo pode acabar, mas não antes de estrear o 4º filme da saga Crepúsculo. Pode? Nossos pais lutavam por democracia, por eleições diretas, e hoje, nós, filhos, lutamos pelo quê? Lutamos? Deixamos o computador fazer isso por nós.

Mesmo depois desse surto de incredulidade, ainda acredito, há esperança sempre. Como todo bom jovem, não deixo de ver um futuro melhor pela frente, nem que seja pros meus descendentes. Com gás e muita disposição, como já disse, nós somos a cara da mudança, e temos que fazer valer essa alcunha. Pra nós não há limites. Nem tempo perdido.

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