terça-feira, 23 de março de 2010

Faz bem não fazer nada


Não que seja um hábito meu, mas, tem dias em que o mundo não parece nada convidativo pra mim. Acredito que não seja só comigo. Nossas camas nos prendem, é mais forte do que nós, as tarefas do dia sempre parecem mais chatas, as obrigações mais obrigatórias. Nós cansamos até de pensar, inclusive em pensar em não fazer absolutamente nada. São nesses dias que temos a noção exata daquele que é o mais prazeroso e o menos cheio de culpa dos pecados capitais: a preguiça.


Ah, é bom de vez em quando acordar num dia como esses, isso serve de escape pra pressão da panela em que vivemos, antes que ela exploda. Que nós explodamos. E quando a vontade de não fazer nada aparece, nos tornamos reféns – voluntários, de certa forma – do ócio. Tempo livre hoje é um luxo. E os dias não correm mais, eles voam, com a velocidade de uma tartaruga, na sexta-feira somos restos de uma semana do cão. E esse cansaço pode justificar o nosso desinteresse momentâneo em qualquer coisa que exija o mínimo de esforço físico. Não que a semana estafante seja a desculpa perfeita pros preguiçosos, mais que em alguns casos é a resposta, ah, é sim.

E se o ócio é luxo nessa sociedade extrapolada e extrapolante, quem o tem deve sim aproveita-lo com muito prazer. Muitos, inclusive, estranham quando essa folga é forçada, ficam sem saber o que fazer por não terem o que fazer, buscam uma ocupação a qualquer custo. Estranho? Mais que normal. Pelo menos comigo acontece isso depois de três semanas de férias (mas admito que isso já foi mais freqüente). Porém a chatice de estar desocupado acaba ao lembrar que, em pouco tempo, voltaremos a estar ocupados, bem ocupados. Mesmo assim não critico aqueles que podem gozar de um dia, uma semana, um mês de puro descanso, admiro – e até invejo – quem pode tirar um tempinho pra deitar e dormir, aproveitar a preguiça válida e necessária. Agora quando a preguiça se torna defeito...

...ela vira acomodação. Aí o buraco é mais embaixo, porque uma pessoa preguiçosa não é, por tabela, um resignado, sempre uma pessoa que vive aquilo que dão pra ela viver, e dane-se o resto. Pessoas acomodadas não encontram problemas, na verdade nem se dão o trabalho de procurá-los, de formular críticas, e mesmo que encontrem, acabam se debruçando na velha certeza de que tem alguém mais hábil pra tentar consertar esses defeitos. Nesse caso, a culpa sempre é do tal do “governo” – não estou defendendo nenhuma situação, esse blog não tem nenhuma intenção partidária, que fique claro. Mas esperar que façam aquilo que somos capazes de fazer não apenas parece, É um dos piores defeitos do ser humano. Desse jeito as esperanças se desgastam, e o pior, se perpetuam, não passam disso, esperanças. Já que fazer com que elas se concretizem cansa demais... alguns só esperam. Esperam. Esperam.

Um comentário:

Maila disse...

você está expondo de mais as características dos preguiçosos, como fica nossa imagem agora? kkk.-brincando.

merchandagem,http://trashnohorarionobre.blogs.sapo.pt/ visita la guga ^-^ shuashs.