terça-feira, 30 de março de 2010

O motor

Hoje, 30 de março, é o Dia Mundial da Juventude. E falar de juventude é falar de luta, falar de transformação, falar de motor. Motor da sociedade. Como eu tenho sorte de me encaixar nesse termo! Os jovens são sim os termômetros de um povo, de um sistema, de um lugar. Afinal de contas, nós somos aqueles que podemos, mais do que qualquer um, mudar uma situação, somos a cara da mudança. Quando falamos de dezembro de 1992 no Brasil, não vemos um grupo de engravatados cheios de pastas e documentos, correndo pelos saguões do Planalto pra tentar depor o presidente. Vemos sim uma garotada que, percebendo que o presente podre sujaria um futuro que seria deles, foi às ruas, pintados de verde e amarelo, gritando “Fora, Presidente!”, sem medo nenhum de uma represália autoritária, digna de uma ditadura que havia terminado poucos anos antes.




No mundo, os jovens foram responsáveis por momentos históricos, como Maio de 68, onde os estudantes franceses tomaram as universidades, picharam os muros da Sorbonne, enfrentaram a polícia, contra a política educacional do governo Charles de Gaulle, mas que cresceu baseado no Marxismo e se tornou uma resposta a quaisquer modos de repressão humana. A revolução que os jovens propunham deveria ser diferente: não bastava mudar a política ou a economia, era preciso também mudar o humor, as mentes e os corações. As frases grafitadas nos muros das universidades deixavam claras suas intenções: "É proibido proibir", "Esta noite, a imaginação tomou o poder", "Sejamos realistas, exijamos o impossível".



Ainda nos anos 60, auge da efervescência de movimentos que defendiam um mundo melhor sob a ótica juvenil, a música se mostrou um campo fértil. Woodstock, a libertação! Jimi, Janis, The Who, 3 dias onde as idéias, as vontades e os desejos de uma geração voaram de um sítio para o mundo. A Era de Aquário de que tanto se falava, o paraíso prometido! Pena que eles erraram. Estamos vivendo a Era de Aquário, mas a paz nos parece cada vez mais longe, e o tal paraíso se torna cada dia mais um sonho, uma esperança. E nada mais. Olhando pro nosso umbigo, nos anos 60 surgiu uma Guarda muito Jovem, transformando completamente a imagem de nossos adolescentes. Os topetes se tornavam cada vez menos rebeldes. Tropicália, Canções de Protesto... mesmo reprimidos, fizeram sua parte. Chocaram!

Mas, acho que estamos perdendo nossa força como grupo, como raça jovem. Pode ser um certo ceticismo, mas eu vejo nos garotos e garotas de hoje uma alienação que bloqueia, de certa forma, o senso crítico deles. Sou um garoto ainda, sou completamente ciente disso, mas não consigo enxergar o brilho nos olhos, a sede de mudanças, que eu tenho certeza que existiam nas gerações anteriores, mesmo não as tendo vivido. Cada vez mais parece que estamos nos acomodando, como se tivéssemos outras coisas mais importantes pra nos preocupar. E quais são essas coisas, essas causas? Temos alguma causa?

É uma pena constatar que a internet, revistas sem nenhum conteúdo e novelinhas vazias sejam as novas paixões da moçada,e que a causa mor dos últimos meses seja eliminar o Dourado do BBB. E eu também sou moçada, não to sendo hipócrita ou me eximindo de culpa, pois eu confesso que o marxismo não corre com tanta força em minhas veias. Se parecer crítica, que seja, mas o mundo pode acabar, mas não antes de estrear o 4º filme da saga Crepúsculo. Pode? Nossos pais lutavam por democracia, por eleições diretas, e hoje, nós, filhos, lutamos pelo quê? Lutamos? Deixamos o computador fazer isso por nós.

Mesmo depois desse surto de incredulidade, ainda acredito, há esperança sempre. Como todo bom jovem, não deixo de ver um futuro melhor pela frente, nem que seja pros meus descendentes. Com gás e muita disposição, como já disse, nós somos a cara da mudança, e temos que fazer valer essa alcunha. Pra nós não há limites. Nem tempo perdido.

sábado, 27 de março de 2010

O homem que cospe fogo

Lembro como se fosse ontem. Aquele domingo foi especial, tinha 6 anos e um sonho: conhecer o circo. Eu me lembro claramente de ter visto na tv um programa sobre o circo, e todo aquele universo me fascinou, como toda criança merece ser fascinada. Aquelas luzes, aqueles homens engraçados de caras pintadas que conseguiam fazer algo de beleza ímpar, como arrancar os mais sinceros sorrisos, que são os de uma criança. Ficava absurdamente espantado com aquelas pessoas voando, voando... mas não caindo. Porém, o que mais me chamou atenção foram uns caras que cuspiam fogo. Fogo. Curiosidade infantil, foi inevitável. Essa foi a deixa pros meus pais me levarem ao circo pela primeira vez.
Por sorte havia um circo na cidade, um circo famoso, desses conhecidos no país inteiro. Ali haveria de ter o homem que cospe fogo. No caminho, abelhudo como só eu, perguntava insistentemente ao meu pai:

- Como o homem consegue cuspir fogo, pai?

- Ah, filho, eles nasceram sabendo, respondeu dirigindo, dando pouca atenção.

Na minha mente de recém saído das fraldas, pensei um pouco e, meio triste por não ter o mesmo dom, confesso, pensei logo naquilo como um super-poder. A vontade de chegar aumentava, enquanto o circo se aproximava.

E abriram-se as cortinas, o espetáculo começou. Aquilo tudo era mágico, era como estar na Terra do Nunca ou algo assim. As cores pareciam mais coloridas do que pela televisão, a música soava melhor, os palhaços eram mais engraçados. Aquelas trapalhadas, quanto riso, quanta alegria!

Homens ou pássaros? Aquele balé nos ares, perfeição celestial, beleza especial. Voavam dançando, dançavam voando, era realmente impressionante. Mas nem tudo isso nem a grandeza dos leões e dos elefantes tiravam o meu foco dos cuspidores de fogo. Nem eu sabia o por que, nem me importava em saber. Só queria mesmo ver aqueles super-heróis que domavam o que pra mim era indomável. Enfim, eles apareceram.

Meus olhos pareciam não acreditar ainda no que viam. Embaçados, meio embargados, mas suficientemente claros pra me permitir guardar lindas lembranças daquele sonho realizado. Não lembro se aquele era o último número do espetáculo, se não era, não consegui ver nada depois. Saí paralisado, vidrado, extasiado. No caminho de volta pra casa, porém, algo me chamou a atenção, me trouxe de volta ao mundo real.

Quando o carro parou, em um sinal qualquer da cidade, vi dois meninos, crianças, pararem na frente do carro. Uma delas jogava bolinhas para o ar, sem deixar nenhuma cair – ainda não tinha uma noção decente sobre malabarismo. Já o outro... cuspia fogo. Colei meu rosto na janela ao lado da minha mãe, que se assustou. Era um super-herói fora do circo. Nossa! Mas de repente, ele parou e veio em direção ao nosso carro. Aí notei algo curioso. O menino se vestia mal, estava sujo e sofria, cansado, dava pra ver no seu olhar. Ele bateu na janela do meu pai e estendeu a mão, assim como o outro garoto, em outro carro. Mas meu pai não deu atenção. Eu dei.

O sinal abriu, o carro seguiu, e eu via os meninos, em especial o menino que cuspia fogo, se distanciando. Perguntei ao meu pai:

- Pai, ele cospe fogo, ele trabalha no circo?

- Não, meu filho.

- E por quê ele não ta no circo, pai?

- Porque nem todos tem essa sorte, querido, interferiu a minha mãe.

Naquela hora eu não entendi o que minha mãe quis dizer com “essa sorte”, apenas fiquei pensando naquele garoto, vestido tão diferente daqueles homens do circo. Sem brilho, sem maquiagem, sem máscaras.

Alguns anos e certa experiência depois, começava a assimilar as idéias. Já tinha 18 anos, namorava, era universitário, e resolvi sair. Era sábado, e havia um circo na cidade. Ali era uma oportunidade de voltar ao mundo circense depois de muitos anos. Porém, o espetáculo não me parecia tão espetaculoso. Os palhaços não eram mais tão engraçados, os leões não eram mais tão grandes. Era inevitável, o brilho dos meus olhos não chegavam perto daquele de 12 anos atrás. Até que um número me levou de volta à infância. Os cuspidores de fogo.

Poucas coisas me inebriaram tanto quanto aqueles homens. Minha idade não me permitia mais acreditar em um super-poder, mas ali a minha idade não era 18. Era 6. Foi tão mágico quanto da primeira vez. Voltei impressionado, até mais que meu sobrinho de 7 anos que foi ao circo comigo. Voltando pra casa, a história se repetiu. Dessa vez era um só rapaz, devia ter uns 13, que parou em frente ao meu carro, cuspindo fogo. Tudo parou. Ali eu era o meu pai, e me vi no meu sobrinho. O garoto foi chegando... e bateu na minha janela. O quê eu iria fazer? Meu sobrinho perguntou:

- Tio, por quê ele ta batendo na sua janela? O que ele quer?

Não consegui responder. Mas pensei. Ele quer só dinheiro? Não, ele quer mais. Ele quer um almoço, um jantar, uma roupa limpa. Ele quer um futuro. Direito dele, dever nosso, é só uma criança, não merecia estar ali. Baixei o vidro do carro e dei algumas moedas, nem contei quantas. Era pouco. Depois que o sinal abriu, parti com o carro, quando olhei pelo retrovisor nos olhos do meu sobrinho. Outra criança. Espantado, meio triste, ele indagou, não pra mim diretamente, mas pra ele mesmo, que não tinha condições de responder:

- Por quê ele não ta no circo?

Sussurrei pra mim mesmo:

- Nem todos tem essa sorte.

Hoje eu consigo entender o por quê. Mas preferia não entender.


terça-feira, 23 de março de 2010

Faz bem não fazer nada


Não que seja um hábito meu, mas, tem dias em que o mundo não parece nada convidativo pra mim. Acredito que não seja só comigo. Nossas camas nos prendem, é mais forte do que nós, as tarefas do dia sempre parecem mais chatas, as obrigações mais obrigatórias. Nós cansamos até de pensar, inclusive em pensar em não fazer absolutamente nada. São nesses dias que temos a noção exata daquele que é o mais prazeroso e o menos cheio de culpa dos pecados capitais: a preguiça.


Ah, é bom de vez em quando acordar num dia como esses, isso serve de escape pra pressão da panela em que vivemos, antes que ela exploda. Que nós explodamos. E quando a vontade de não fazer nada aparece, nos tornamos reféns – voluntários, de certa forma – do ócio. Tempo livre hoje é um luxo. E os dias não correm mais, eles voam, com a velocidade de uma tartaruga, na sexta-feira somos restos de uma semana do cão. E esse cansaço pode justificar o nosso desinteresse momentâneo em qualquer coisa que exija o mínimo de esforço físico. Não que a semana estafante seja a desculpa perfeita pros preguiçosos, mais que em alguns casos é a resposta, ah, é sim.

E se o ócio é luxo nessa sociedade extrapolada e extrapolante, quem o tem deve sim aproveita-lo com muito prazer. Muitos, inclusive, estranham quando essa folga é forçada, ficam sem saber o que fazer por não terem o que fazer, buscam uma ocupação a qualquer custo. Estranho? Mais que normal. Pelo menos comigo acontece isso depois de três semanas de férias (mas admito que isso já foi mais freqüente). Porém a chatice de estar desocupado acaba ao lembrar que, em pouco tempo, voltaremos a estar ocupados, bem ocupados. Mesmo assim não critico aqueles que podem gozar de um dia, uma semana, um mês de puro descanso, admiro – e até invejo – quem pode tirar um tempinho pra deitar e dormir, aproveitar a preguiça válida e necessária. Agora quando a preguiça se torna defeito...

...ela vira acomodação. Aí o buraco é mais embaixo, porque uma pessoa preguiçosa não é, por tabela, um resignado, sempre uma pessoa que vive aquilo que dão pra ela viver, e dane-se o resto. Pessoas acomodadas não encontram problemas, na verdade nem se dão o trabalho de procurá-los, de formular críticas, e mesmo que encontrem, acabam se debruçando na velha certeza de que tem alguém mais hábil pra tentar consertar esses defeitos. Nesse caso, a culpa sempre é do tal do “governo” – não estou defendendo nenhuma situação, esse blog não tem nenhuma intenção partidária, que fique claro. Mas esperar que façam aquilo que somos capazes de fazer não apenas parece, É um dos piores defeitos do ser humano. Desse jeito as esperanças se desgastam, e o pior, se perpetuam, não passam disso, esperanças. Já que fazer com que elas se concretizem cansa demais... alguns só esperam. Esperam. Esperam.

terça-feira, 16 de março de 2010

Mesmo que seja estranho



Ao se olhar no espelho, o que você vê? Você se vê? Papinho de crise de personalidade, admito, mas encurrala muita gente, às vezes. Não sei se é paranóia típica de geminiano – astrologia foi o assunto da minha semana -, mas se for, é necessária. Construir a nossa própria imagem é uma tarefa que tem tudo pra ser fácil, e por ser fácil demais, acaba se tornando difícil, trabalhoso. Entende? Não, né? Nem eu. Será que somos presunçosos demais ao por nossas melhores qualidades, ou somos extremamente humildes na hora de listar os defeitos mais tenebrosos? Vai saber! O fato é que nossa identidade muda, tanto quanto nossas fotos 3x4, ao longo da vida. O problema é que algumas mudam tanto, mas tanto... que não existe mais identidade alguma. Identidade, construída por nós, destrutível por nós (e pelos outros).


É normal do ser humano deixar pros outros a função de determinar quem ele é de fato, a melhor imagem não é a refletida num espelho. Por mais que pareça uma certa covardia, lavar as mãos nesse caso parece ser uma alternativa válida. Como vivemos cada vez menos no universo do “parecer”, o ser acaba se confundindo com ele, é fatal. Acabamos absorvendo pra nós não características originais, mas as opiniões que constroem sobre nós, acabamos fazendo de nós mesmos um bolo que não sabemos quais ingredientes tem nele. Uma colcha de retalhos, um tablóide sobre nós. Estranho, somos cada vez menos donos das nossas próprias identidades.

Mas ainda existe quem faz a própria vida, bem mais criativo e original. Ah, a liberdade de escolhas, de expressão, de vida. Gratificante demais construir sua própria 3x4 pro mundo, mas mesmo essas pessoas desligadas são, de certa forma, ligadas nas opiniões alheias. Eu acho fundamental saber escutar, e extrair o que de mais construtivo existir nelas. E não dá pra fugir disso hoje em dia, basta sair de casa pra pessoa começar a ser alvo de criticas, cochichos, opiniões. Pode ser punk, pode ser emo, hippie ou beata. Contanto que saibamos os nossos limites – tarefa difícil pra muitos -, podemos ser o que quisermos. Mesmo que seja bizarro, bizarro, bizarro.

 
 

quinta-feira, 11 de março de 2010

Passados bem passados



Ontem eu resolvi procurar fotos antigas, bem antigas, pra postar no meu Orkut, só por postar mesmo. E, vendo nos álbuns tantas partes da minha vida, todas as fases que eu superei até chegar no que eu sou agora, bateu uma emoção, uma nostalgia que machuca, mas ao mesmo tempo conforta. Veio uma saudade necessária, pois a saudade nada mais é do que aquilo que resta dos melhores momentos, das melhores coisas, das melhores pessoas que já cruzaram com você. E junto com essa saudade veio também uma sensação de que o passado é a nossa marca, a nossa contribuição pro mundo, da nossa passagem por ele. Cada expressão, cada sorriso, em cada fotografia, nos faz voltar a momentos inesquecíveis.

Não posso ir muito longe, é verdade – nem cheguei aos 18 -, mas eu já me considero feliz por ter um passado e de ter participado de muitos outros. É bastante recompensador constatar que fomos felizes e não sabíamos. Por mais que isso nos doa um pouquinho, é normal. E nossas vidas pretéritas, registradas ou não em fotos, vídeos, livros, ficam guardadas em nós, o que é mais valioso. Mas ainda sim a saudade que bate ao ver fotos antigas é insuperável, é como ouvir sua aprovação no vestibular pela rádio. As sensações são diferentes, é mais intenso, mais saudoso. Até as auto-críticas são mais gostosas. Afinal de contas, é muito bom ver fotos suas de suspensório, de vestidinho cor-de-rosa e com sunguinhas de super-heróis. Sentir vergonha? De que? Vai dizer que você aí usava terno e gravata com 2 anos?!

E se tem outro barato em relembrar fotos da infância, esse barato é ver como seus amigos eram há anos atrás. Sua amiga “paty” de hoje se lambuzando de brigadeiro com 5 anos, seu amigo “emo” que jogou bola com você, ou até mesmo aquele moleque que hoje é muito legal longe de você, com quem você subia em árvores, pulava muros, andava de bicicleta. Momentos que não voltam, pois a magia da infância fica na infância, as pessoas desistem de não crescer um dia, mudamos. Só não mudam as lembranças que ficam desse tempo. A primeira namoradinha, o primeiro amor platônico, quem nunca teve? Quem nunca ficou “de mal” e depois esqueceu? Se existe um Manual da Vida Ideal, nele está escrito: “Todo ser humano que se preze DEVE passar por fases da vida, tais como FAZER XIXI NA CAMA, GRUDAR CHICLETE EMBAIXO DA CARTEIRA, FICAR DE CASTIGO NA AULA, TER UMA PAIXÃO, etc e tal”.

Ver como crescemos, como nossa família cresceu, nada pode pagar. Constatações do tipo: “Caramba, não é que eu pareço mesmo com meu pai” são totalmente normais, involuntárias. Perceber que um dia você não teve barba na cara, que podia jogar bola sem se cansar (e ainda pedir mais), que você ainda usava diários cheios do nome do “príncipe encantado”, que você um dia acreditou nisso, é muito legal. É muito legal ter noção dos nossos passados e, mais legal ainda é perceber que nós vivemos, que nós aproveitamos e que fomos felizes. Ter um passado todos podem. Agradecer por ele existir e ser tão marcante, isso infelizmente não é sorte pra todos. Pra mim, com toda a certeza, É!




quarta-feira, 10 de março de 2010

Super-humanos




Velocidade, visão de raio-X, invisibilidade, saber voar. Quem nunca pensou em ser um super-herói? Eu, pelo menos, pensei muito. Os heróis dos quadrinhos permearam as mentes de muitas gerações, e definitivamente hoje não é diferente. A magia daqueles poderes que nos faziam sonhar ao ler cada página, ao assistir cada episódio, cada filme... Afinal de contas, ser um justiceiro, “O” justiceiro, que combate e vence vilões e monstros malvados são um resumo do ímpeto aflorado da juventude, que ainda acredita que pode salvar o mundo. Ou pelo menos parte dele. Batman, Superhomem, Homem Aranha, os típicos exemplos de heroísmo e coragem, puramente heróis, que mesmo com suas Kriptonitas e humanidades, se arriscam em aventuras homéricas pra proteger seus próximos e, lógico, as suas amadas. Herói que é herói tem que ter um grande amor. Assim como não pode faltar um grande vilão. Sim, os vilões, motores de todas as grandes histórias de super-heróis. Sem eles nenhum grande poder valeria a pena.


Mesmo sem fantasias, há muitos outros personagens mundialmente conhecidos por salvarem o mundo. Rambo e seu canivete que vence uma guerra, típica propaganda da América capitalistamente forte em plena Guerra Fria, qualquer personagem do impagável Jackie Chan e, claro, James Bond. God save the spy! Com ou sem canetas-bomba, carros de gelo e Aston Martin’s, o agente livrou o planeta de vários malfeitores. E sempre muito bem acompanhado, vamos concordar!

Agora, e os nossos verdadeiros heróis? Aqueles de carne, osso e coragem, que fazem o que poucos fariam pelo próximo, sem cobrar nada? Pra nossa sorte, não são poucos. Ainda se pode acreditar no ser humano. E, por mais bravos que sejam, os nossos protetores não são devidamente reconhecidos ainda, aliás, nunca será suficiente o nosso “obrigado” àqueles que dão as vidas pra salvar as nossas. Muitos se perderam nas ruínas do World Trade Center, outros nos deixaram em incêndios, mais alguns nos deixam em enchentes, assaltos, etc. Perdemos e nem sequer lembramos. E tem aqueles que zelam por vidas tão mais necessitadas, com um prato de comida, com agasalhos ou com um simples sorriso. D. Zilda Arns, que com isso e muito mais, fez milagres. Madre Teresa, João Paulo II. Bondade também é um super-poder. Quem diria, hoje ser íntegro é exceção. Pensando bem, qualquer ato de educação hoje é uma grande habilidade.

Fictícios ou reais, nos quadrinhos ou no nosso cotidiano, eles sempre existem, pra nos inspirar, nos encorajar, de certa forma, a fazer o bem e acreditar que podemos ser os super-heróis da vida de muitas pessoas. Às vezes basta um pequeno gesto de atenção, uma simples mão estendida, um singelo abraço. E valorizar um pouco mais os que tanto fazem pra tentar nos manter bem. Bombeiros, policiais, filantropos, pessoas de bem, que ainda existem e resistem a esse mundo tão cão. Saber voar? Não precisam. O que eles fazem é muito mais fantástico.

 
 
 

sexta-feira, 5 de março de 2010

Etc&Tal SERVIÇO



Bom, esse blog cresceu inesperadamente rápido, e mais pessoas começaram a ler e a se importar com ele além de mim. Então, hoje o Etc&Tal tem até comunidade no Orkut, graças a uma assídua leitora e, acima de tudo, uma grande pessoa. Agradecendo e convidando a vocês, leitores, a entrarem na comunidade e, se quiserem, participem. Enfim, até o próximo post!

(Ainda tem meu twitter também.)

quarta-feira, 3 de março de 2010

A Copa de um mundo

Desde 9 de julho de 2006, quando a Copa da Alemanha acabou, muito foi falado sobre o próximo Mundial. Críticas técnicas ou preconceito mascarado de precaução? Talvez os dois, romanticamente pensando. Mas é inevitável não falar em preconceitos ao se falar de África.
Os sul-africanos, sobretudo os negros, vítimas históricas, inclusive em seu próprio país, os "Apartheideados", conseguiram a honra que poucas nações receberam, são sede de Copa do Mundo. Mas, é muito hipócrita não achar que não há pés atrás em relação ao evento inédito no continente. Mais hipócrita seria se não encontrássemos motivos para tal. Por mais que seja o mais desenvolvido da África negra, a África do Sul é um país de Terceiro Mundo, e as disparidades infraestruturais são gritantes em relação à Alemanha, sede da última Copa, que pode ter sido um fracasso como espetáculo - os destaques ficaram do meio pra trás -, mas foi considerada exemplo de organização e estrutura. Nada além do esperado pra maior potência europeia.
E, passados 6 anos desde a escolha, hoje os problemas são visíveis. O Soccer City, palco principal da competição, ainda não está pronto, outros estadios, idem. Pra nós, brasileiros inclusive, sedes da próxima edição, a África do Sul não vai conseguir repetir o feito dos europeus, muito menos o dos asiáticos em 2002. Mas, pra eles, que esperaram uma vida pra poder dizer que vivem em uma sede de Copa do Mundo, isso é o de menos. Mesmo com dificuldades de conseguir ingressos, nada vai impedir que esse povo se liberte, pelo menos por 30 dias, das desoladoras imagens que foram construídas sobre eles. Não precisam de ingressos, não precisam de cadeiras cativas, pois os africanos vão assistir de camarote o maior momento cosmopolita dessa nação, desse continente, dessa gente. Nas ruas, nas esquinas, nas casas simples, a Copa é de todos os africanos, em qualquer lugar.
Faltam 100 dias pro início do Mundial. Daqui até o dia 11 de junho, quando os Bafana Bafana entrarão em campo contra os mexicanos, muito ainda precisa ser feito, o país ainda é um canteiro de obras. Porém, quem liga pra isso além dos dirigentes da Fifa? Os donos da casa já esperaram tanto, e hoje está tão perto, tão real. Tanto quanto Mandela encerrando o Apartheid, o pontapé inicial desse Mundial vai ser uma libertação. Libertação emocional, com a explosão dos gritos e das vuvuzelas; libertação perante o mundo e perante os próprios africanos, que mostraram que são igualmente capazes de cumprir um dever tão árduo. Igualdade. Certa superioridade, eu diria, já que, durante o mês da Copa, os olhos do mundo se voltarão para um lugar onde muitas vezes ninguém foi olhado. A realidade vai continuar dura nos outros países, até mesmo na própria África do Sul, ao final da Copa. Que seja um sonho, então! Os africanos, apesar de tudo, não perderam o dom de sonhar. Daqui a 100 dias, vamos redescobrir o mundo, vamos descobrir um mundo, que vai aparecer, muito merecidamente, nas páginas belas da história.