terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Um ano, muita vida








Você já parou pra pensar em como um ano faz e/ou fez a diferença na sua vida ou na vida do mundo? Quando parar, vai descobrir que um ano é muito tempo. Muito tempo pra ser feliz, muito tempo pra se decepcionar, muito tempo pra mudar, muito tempo pra ser desperdiçado. Nesse período, as coisas acontecem e muitas vezes nós não as percebemos direito, deixamos passar aqueles meses que, mesmo sem querer, farão falta. Há algo mais derrotante do que perceber que a vida passou...e nós ficamos? Tem sim. É perceber que nós ficamos, mesmo a vida nos dando todas as chances de irmos com ela, tentando nos puxar com todas as mãos e os braços que a felicidade nos oferece.
E como era a sua vida há um ano atrás? Melhor do que hoje? Pior? Diferente. Aquele bebê que hoje anda, engatinhava. Aquele universitário de hoje, era mais um vestibulando ontem. Aquela namorada de hoje não passava de uma grande amiga, ou colega, ou até mesmo uma desconhecida. Hoje nós conhecemos o IPad, já há 12 meses atrás... Ah, a tecnologia, que campo fértil. Efêmero, eu me arrisco a dizer. A cada ano, ao menos uma grande novidade. Em um ano, quanta concorrência ao IPhone. Passamos do analógico ao digital, da gasolina ao biodiesel, da crise ao sucesso. Somos até país olímpico, acredita? É, nosso país vem, ano a ano, nos fazendo acreditar mais e mais. E o mundo, então? Quanta coisa acontece em um ano! Fracasso, esperança, fracasso. Parece que a armadura de super-herói construída sobre (e por) Obama não é tão forte assim. Quem mandou o povo ser tão esperançoso?! Bush, talvez.
Historiadores dizem que um ano é pouquíssimo tempo, e não estão errados. Comparando com os dez séculos de Idade Média, um ano vira um minuto. Um minuto. Às vezes é o bastante pra que os geógrafos tenham que alterar suas literaturas. Nova York, 11 de setembro de 2001, 08:45. Tudo normal, como qualquer outra terça-feira na cidade, muitos carros, muitos prédios, as imponentes torres do WTC... Que torres? Nova York, 11 de setembro de 2001, 08:46. O planeta acorda para o século 21. Guerras começam em um ano, guerras terminam em um ano. Muros caem, muros se erguem. Pessoas morrem, pessoas nascem. A natureza é ciclicamente perfeita. Mas ainda não se tornou indestrutível. Nem daqui a vários anos. Assim como antes, continuamos de mãos atadas. Certas coisas não mudam.
Exploradores, como há um ano atrás, consumistas como há um ano atrás, hipócritas como há um ano atrás, sonhadores como há um ano atrás. Não perdemos algumas características, que com o tempo se tornaram identidades, traços inerentes à nossa própria vontade. O sistema continua ali, aqui, em todo lugar. Até mesmo em Brasília. Mas, parando pra pensar, as coisas ruins que sujam a imagem do nosso cacicado não vem de Brasília, elas vão a Brasília. No ano que vem o Brasil lá fora não vai mais ser um ex-metalúrgico simpático, “the man” para os íntimos. E agora? Essa não é a pergunta. O certo seria: E amanhã?
Em um ano vimos nascer das piscinas um herói nacional, sofremos com o risco de perder outro nas pistas pra um parafuso, colocamos mais uma estrela no peito, conhecemos Zidanes e Henrys, assistimos de camarote e bandeirinhas a derrocada de grandes ídolos. Aviões caíram, presidentes se mataram, milagres viram pesadelos, as telas vão diminuindo até caber no bolso. Hoje o topo do mundo é o Everest, como era desde muitos séculos atrás. Nada que Dubai e seus vergalhões de petróleo não superem. Aliás, quanto petróleo nos restará daqui a um ano? Quanta água? Quanta Amazônia?
Muitas palavras novas em nosso vocabulário em um ano. Universidade, maturidade, responsabilidade, contas, filhos, casamento. Temos que lidar com situações antes impensáveis – ou bem distantes. Dirigir, por exemplo. Você guia não somente a sua vida, mas a de outros que nada tem a ver com sua vontade de passear dentro de uma lata. A infância acaba, a adolescência acaba. Os hoje adultos, há um ano, eram só crianças levadas que quebravam janelas jogando bola e nem sabiam o que era beijo na boca. Se bem que os anos ultimamente passam tão rápido pra essa moçada.
Sonhos se realizam, histórias são contadas, começam e terminam. As nossas histórias. Mesmo sem perceber, o tempo passa, pra quem quer que seja, em qualquer época. E ganhamos o livre arbítrio pra aproveitarmos esse tempo do jeito que quisermos, por nossas contas em risco. Um ano. Muito tempo? Pouco tempo? Talvez o suficiente. Depende somente de nós.



Hoje esse blog faz 1 ANO, quem diria. Pra quem, no início, não tinha grandes pretensões neste blog, eu cheguei bem longe. De amizade  a Rebolations, de lutos  a críticas, creio que fiz um bom papel. Obrigado a quem leu, a quem opinou, a quem comentou, por terem me feito acreditar que o que eu escrevo não é tão ruim!
 

Nenhum comentário: