terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Espiadinhas





Não adianta se esconder. Você QUER mesmo se esconder? Muita gente não.

Aparecer. É bom pro ego, pra imagem, vicia. Todos temos dentro de nós um pouquinho que seja de vontade de ser o centro das atenções. É válido, claro. O problema é que essa nossa parcela exibida está ganhando cada vez mais espaço nesse nosso mundo tão cheio de holofotes. Afinal, cada vez mais somos o que aparentamos, ao invés de sermos o que somos. Tão óbvio!
E toda essa onda vem durando bem mais do que 15 minutos. A década passada foi a década escancarada. Nada de portas fechadas, nada de escondido, nada de pudor. Pra que? O legal, o mais fácil, o mais divertido, a partir dos anos 2000, foi bisbilhotar as vidas alheias. Brigas, separações, gravidez, reconciliações, fofoca. Ah, essa palavrinha nunca foi tão usada! Muitos de nós até esquecemos das nossas próprias vidinhas pacatas e nos envolvemos em dramas realmente relevantes, como o casamento do Kaká ou a separação do Gianechinni e da Marília Gabriela. Sem perceber, alguns começaram a achar Benícios, Joaquins e Sashas mais fofos que seus próprios sobrinhos, filhos, enfim. E os badalados eventos da elite, estampando as páginas das revistas de famosos, as caras de Caras. Amaury Jr fez crias. TV Fama, conhecem? Pois é, esse programa cobre festas menos, digamos, chiques e famosas. Se bem que, hoje em dia, fica difícil diferenciar festa rica de festa pobre. "Tá cada vez mais down o high society", como dizia Elis.

Xis!


Mas nada foi tão maltratado nos últimos tempos do que aquela que tanto tentamos preservar e, mesmo sem querer, escorre por nossos dedos...num teclado: privacidade. Quanto vale a privacidade? 500 mil? 1 milhão? 1 milhão e meio? Depende do cachê ou do prêmio que o Reality Show da vez oferece. E há quem diga que é difícil ganhar uma bolada se expondo tanto pra milhões de pessoas pela tv e pela internet. Bom, ainda não descobri meio mais difícil de ganhar tanta grana do que a Loteria, concorda?! Quando se trata de exposição, de imagem, nada é difícil, até porque os atrativos são inúmeros. Participe de um Reality, ganhe um contratinho de 6 meses e, com muito esforço, você até pode conseguir um trabalho na tv. Qualidade? Quem liga pra isso?! Fotos, capas de revistas, apoio (ou não) do público. Estar lá, fazer parte do maravilhoso - e cruel - mundo dos famosos, esse é o objetivo. Cruel, sim, por que não? Contamos nos dedos quantos ex-BBB's lembramos de cabeça, e menos ainda são aqueles que se firmaram na mídia. Talvez os tais 15 minutos sejam somente 15 minutos que duram mais. Um pouco mais. E só.
E a moda da vez é: ressucitar (ou mesmo fazer nascer) novos famosos! Como se precisassemos. Atores quase sumidos, cantores exilados das rádios, modelos, modelos, modelos, concorrem a premios milionários por...cortar capim, ordenhar vacas, limpar chiqueiros. A cargo de comparação, pura e simplesmente, no Reality mais famoso - e maior produtor de one-hit-wonders dos últimos tempos - os participantes são pessoas comuns (???), já que, do outro lado da cerca, muitos atores. Alguma diferença? Sim. A emissora.


Porém, hoje em dia a nossa privacidade vai se tornando cada vez menos privada. E a culpa de grande parte disso é nossa mesmo. Fazemos questão de escancarar nossas vidinhas em Orkuts, Facebooks, twitando por aí. Sim, hoje em dia tudo que você faz pode ser de domínio público em minutos. Basta um celular na mão, uma pessoa despudorada na frente e uma pitadinha de maldade na cabeça. Pronto! Tá aí a receita infalível da webdifamação. Hoje é quase imbecil alguém tentar se proteger, qualquer um pode ser alvo, e o medo não vem de hackers somente. Vem da nossa própria mente insana. Tudo que chega à internet, como fotos, vídeos - a mais recente febre da internet, os videozinhos de sacanagem que povoam celulares por aí -, inclusive textos, como esse, conscientemente ou não, vem carregados consequências. A globalização nos trouxe consequências. Ou será que, há 20 anos atrás o mundo inteiro podia saber do seu porre homérico em 3 horas? Toda a tecnologia que nos é oferecida deve ser muito bem manuseada, pois vidas são estragadas por ela. Basta um clique.


                             
Vamos dar uma espiadinha? Porque hoje o bicho vai pegar!

Espiadinhas fazem cada vez mais parte do nosso cotidiano. Não, não falo só dos brothers, dos peões ou dos solitários. Falo das nossas proprias vidas mesmo. Com tanta insegurança, com tanto medo, vivemos cercados de câmeras. De segurança. Nossas ruas, nossas casas, verdadeiros Big Brother's. É, pessoal, mesmo querendo não conseguimos fugir das lentes que nos vigiam. E, ultimamente, as pessoas não querem muito fugir delas não. Hoje o legal mesmo é aparecer!





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