terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Até quando?

Imagina você, sendo acordado por um irmão, no fim da madrugada, te avisando que sua casa foi invadida, que seu quarto foi invadido, e que você foi roubado. Em casa. Poderia parecer, por mais que totalmente possível, uma situação bem distante da sua realidade. Pra mim, parecia. Até ontem.
Nessa manhã, essa tal realidade (utopicamente) distante nunca se tornou tão próxima de mim e da minha família. Depois de ver tantos casos desse tipo de violência nos jornais, na tv, na internet, enfim... passei de espectador a vítima. A violência, definitivamente, chegou perto de mim. E pela janela da cozinha. Sinceramente é muito difícil e doloroso ainda, pra mim, aceitar que eu fui lesado de um jeito tão...tão...tão assustador. Assutador. Essa é a palavra. Por ser roubado e, o que é muito pior, ser roubado no único lugar onde você ainda poderia se sentir seguro, salvo desse mundo cão. No seu quarto, no seu quadrado. E, depois de virar vítima direta desse monstro que está em toda parte, surge a pergunta que, por lei, não deveria existir: em quem confiar agora?
A primeira coisa que deveria servir como resposta seria no Estado. Mas, cá entre nós, o Estado, há muito tempo, não nos dá a segurança mínima que precisamos. E isso é, sim, uma crítica, de quem sentiu na pele essa situação absurda (e cada vez mais comum, infelizmente). Falta efetivo policial SIM, falta melhorias no sistema carcerário SIM, falta infra-estrutura capaz de nos prover a proteção garantida em lei SIM. Falta muito pra ganharmos o que nós é de direito.
É, amigos! A violência é um mal universal, de fato. Não está só onde é mais fácil de associar, nas invasões, nas favelas, na perifeira. A invasão é aqui, a favela é aqui. A periferia é aqui! Estamos num lugar comum pra eles. E por quê tantos eles entre nós? Falta educação de qualidade, que prenda os jovens a uma vida honesta, os afastando do crime? Falta apoio das autoridades em relação às regiões ditas "de alto risco"? Falta família, essencial na formação do caráter deles? Falta caráter? Falta tranquilidade de andar nas ruas cada vez mais sombrias, falta a certeza de voltar pra casa depois do trabalho, no fim do dia. Falta paz!
Se chegamos a um ponto em que nem a nossa própria casa é locus securus, onde iremos parar? Iremos parar? O que, há minutos atrás, nos protegia, agora parece que não serve pra mais nada. A violência passa pelas nossa paredes, pelas nossas (não poucas) grades. O medo passa a ser realidade. O que nos assustava pela tv nos assusta cara a cara. O mundo nos assusta! E somos obrigados a dizer, com cada vez mais naturalidade - o que é mais preocupante ainda - uma das frases mais tristes de se dizer: "Sim! Eu já fui assaltado!"
Até quando?

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