domingo, 17 de janeiro de 2010

Ação, reação, destruição


Angra dos Reis, Brasil. Porto Príncipe, Haiti. Dois mundos, uma dor.


Angra dos Reis, madrugada de 1º de Janeiro. Deslizamentos matam dezenas de pessoas num dos paraísos do Rio de Janeiro. Porto Príncipe, 12 de janeiro. O país mais pobre das Américas, Haiti, é devastado pelo maior terremoto em dois séculos. Os doze dias que abriram a década de 10 vão ser lembrados durante muitas outras. Da pior maneira possível. Todas essas catástrofes climáticas de ultimamente soam como algo previsto, como reações daquela que tanto sofreu (e ainda sofre) por culpa da nossa tolice global, a natureza.
Os últimos séculos foram desgastantes pra ela. Mal necessário? Tão evitável quanto. Por mais que "desenvolvimento sustentável" seja uma expressão forte, bonita, é recente demais na história de uma humanidade tão desumana. E todas as árvores derrubadas, queimadas, todos os animais mortos, todo o gás carbônico despejado, tudo isso parece estar fazendo seu efeito nefasto, como nunca. Destruição gera destruição. Um caos previsto...cegamente negligenciado. Grandes empresários? Também, não somente. Tsunamis, tornados, aquecimento global. O troco. Gerações pagam por seus erros e por falhas passadas. Civis sofrem hoje com os efeitos do ontem, sem deixar de provocá-los hoje.
Tudo mudou no nosso planeta. Chove muito no Nordeste, faz seca no Sul. Pera, já está chovendo no Sul. Chovendo muito. Nos últimos anos o povo dos Pampas tem sofrido muito com os mares indispostos, nervosos, fatais. Agora uma palavra entrou de vez no dicionário amazônida: estiagem. Aqui também seca. Acreditem. O Brasil amanheceu 2010 em choque com o que aconteceu em Angra dos Reis, ponto turístico famosíssimo no Rio de Janeiro, onde as chuvas atingiram, indistintamente, ricos e pobres. Sumiram as classes, apareceram dor, solidariedade, tristeza. Justiça? Coincidência? Famílias dizimadas, vidas soterradas, sonhos embaixo d'agua. Imagens fortes que nem de longe sugeriam toda a beleza daquele lugar tão lindo há semanas atrás.
Mas as consequências são sentidas no mundo inteiro. Nova Orleans, Bali, Haiti, mais recentemente, são provas reais desse caos programado, e não evitado. O medo não vem mais somente da violência das ruas ou dos homens-bomba. Hoje o perigo também vem dos ceus, do mar, da terra. Da Terra!
Terra essa que tremeu violentamente há alguns dias no Caribe. O país mais pobre das Américas, um dos piores IDH's do mundo, sofreu nesse triste 2010. Ou melhor, sofre mais. Já não bastava toda a situação que o país enfrenta, todo sofrimento que exala das ruas de terra. Ruas que hoje exalam corpos. Muitos. Centenas, milhares de vítimas dessa tragédia desoladora. Haitianos e muitos estrangeiros, que viviam o sonho de fazer um mundo melhor, das suas maneiras. Militares, funcionários da ONU, D. Zilda Arns. O Brasil também chorou!
D. Zilda, idealizadora de um projeto tão lindo e tão vencedor. D. Zilda, uma mulher que viveu para aqueles que pouco (ou nada) tinham além de uma vida necessitada e esperanças no coração. D. Zilda, que alimentou, com sua Pastoral da Criança, com comida, com saúde. Com amor. Não venceu o Nobel da Paz. O que importa? Importa o legado deixado por ela, que não deve, nunca, esmorecer. E não vai.


1934-2010


Então! Pensando bem, não parece mesmo que tudo isso tava combinado? Escrito em algum livro que ninguém se preocupou em ler? É bem simples de entender. Por mais cético que você seja, é bem fácil imaginar que isso tudo pode parecer um castigo superior. E é. E de nada adiantam reuniões, conferências, conversas sobre o problema. Pode ser tarde. Pode, não é! E tudo isso pode ser resumido em três palavras, que explicam todo esse caos. Ação e Reação.

Vamos pensar um pouco.

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